De: Diretor Presidente
Para: Gerente
Na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17 horas, o cometa Halley estará
nesta área. Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. Assim,
por favor, reúna os funcionários no pátio da fábrica, todos usando capacete
de segurança, quando explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não
poderemos ver o raro espetáculo a olho nu, sendo assim, todos deverão se
dirigir ao refeitório, onde será exibido um filme documentário sobre o
cometa Halley.
De: Gerente
Para: Supervisor
Por ordem do Diretor Presidente, na sexta-feira, às 17 horas, o cometa
Halley vai aparecer sobre a fábrica. Se chover, por favor, reúna os
funcionários, todos de capacete de segurança, e os encaminhe ao refeitório,
onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece a cada 78 anos a olho nu.
De: Supervisor
Para: Chefe de Produção
A convite do nosso querido Diretor, o cientista Halley, 78 anos, vai
aparecer nu no refeitório da fábrica usando capacete, pois vai ser
apresentado um filme sobre o problema da chuva na segurança. O Diretor
levará a demonstração para o pátio da fábrica.
De: Chefe de Produção
Para: Mestre
Na sexta-feira, às 17 horas, o Diretor, pela primeira vez em 78 anos, vai
aparecer no refeitório da fábrica para filmar o Halley nu, o cientista
famoso e sua equipe. Todo mundo deve estar lá de capacete, pois vai ser
apresentado um show sobre a segurança na chuva. O Diretor levará a banda
para o pátio da fábrica.
De: Mestre
Para: Funcionários
Todo mundo nu, sem exceção, deve estar com os seguranças no pátio da
fábrica na próxima sexta-feira, às 17 horas, pois os manda-chuva (o
Diretor) e o Sr.Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro
filme "Dançando na chuva". Caso comece a chover mesmo, é para ir para o
refeitório de capacete na mesma hora. O show será lá, o que ocorre a cada
78 anos.
AVISO GERAL
Na sexta-feira o chefe da Diretoria vai fazer 78 anos, e liberou geral pra
festa, às 17 horas no refeitório. Vai estar lá, pago pelo manda-chuva, Bill
Halley e seus cometas. Todo mundo deve estar nu e de capacete, porque a
banda é muito louca e o rock vai rolar solto até no pátio, mesmo com chuva.
Márcio Neves
11.5.12
9.5.12
5.5.12
No último segundo
Acompanho
futebol há pelo menos 35 anos e, neste período, já vivi momentos inesquecíveis.
Hoje comecei a
recordar aqueles jogos que foram decididos no último lance.
Lógico que
existem muitos pelo mundo afora, mas escolhi dois gols que ficaram para sempra
na minha memória.
O primeiro deles
foi na final da Copa Libertadores de 1987 entre América de Cali e Peñarol de
Montevideu.
Era o último
jogo, disputado em campo neutro, em Santiago do Chile.
Sem as facilidades
que temos hoje em dia com as transmissões de televisão, Luiz Nei descobriu que
o jogo seria reproduzido ao vivo pela extinta Ovo de Colombo, uma
boate/restaurante que ficava na Av. Cristóvão Colombo, em Porto Alegre. O local
possuía antena parabólica e só assim conseguia transmitir.
A notícia
circulou entre a comunidade uruguaia em Porto Alegre, que lotou as dependências
da boate.
Luiz Nei me
levou.
O jogo estava
zero a zero no último segundo da prorrogação.
O empate dava o
título ao América, pelo saldo de gols.
Mas o Peñarol
marcou.
O segundo jogo
inesquecível foi a decisão da extinta Recopa da Europa de 1995.
Arsenal e
Zaragoza decidiam em Paris, quando, no último segundo da prorrogação, o Zaragoza
conseguiu marcar um gol improvável.
A importância de
cada gol pode ser percebida na narração de cada um.
Não tem como não
arrepiar.
Divirta-se
abaixo.
19.4.12
Ingresso da Libertadores de 1983 para meus seguidores
Meu perfil no Twitter chegou a surpreendente marca de 5 mil seguidores.
Fato que muito me honra e orgulha.
Diferente do que fiz nas últimas vezes, quando sorteei camisa oficial do Grêmio ao atingir mil e dois mil seguidores, desta vez decidi tocar fundo no coração dos mais gremistas que me acompanham.
Vou sortear um ingresso original da final da Copa Libertadores de 1983.
Sem dúvida, uma relíquia para todos os torcedores do Tricolor que vivem e acompanham a história do Clube.
Ainda que tivesse assistido ao vivo esta grande final contra o Peñarol, em 1983, não cheguei a guardar o ingresso.
Passei anos da minha vida atrás dele e só no ano passado, de uma forma inusitada, consegui realizar esse sonho.
A pessoa que me conseguiu o ingresso é um primo distante de terceiro grau. E o mais curioso de tudo, é que ele não conseguiu ir ao jogo.
Isso mesmo.
Mesmo adquirindo as entradas, ele não conseguiu estar presente no Olímpico naquela noite de 28 de julho de 83.
Tanto que o ingresso está intacto.
Quem entrou no Olímpico, teve o bilhete rasgado na ponta, como era de praxe.
Hoje, este primo vive em Jurerê/SC, e guardou a relíquia durante todos esses anos.
Espero que o ganhador tenha noção da importância deste ingresso e possa guardar com carinho.
Obs. O papel branco que aparece junto na foto não faz parte do prêmio.
Fato que muito me honra e orgulha.
Diferente do que fiz nas últimas vezes, quando sorteei camisa oficial do Grêmio ao atingir mil e dois mil seguidores, desta vez decidi tocar fundo no coração dos mais gremistas que me acompanham.
Vou sortear um ingresso original da final da Copa Libertadores de 1983.
Sem dúvida, uma relíquia para todos os torcedores do Tricolor que vivem e acompanham a história do Clube.
Ainda que tivesse assistido ao vivo esta grande final contra o Peñarol, em 1983, não cheguei a guardar o ingresso.
Passei anos da minha vida atrás dele e só no ano passado, de uma forma inusitada, consegui realizar esse sonho.
A pessoa que me conseguiu o ingresso é um primo distante de terceiro grau. E o mais curioso de tudo, é que ele não conseguiu ir ao jogo.
Isso mesmo.
Mesmo adquirindo as entradas, ele não conseguiu estar presente no Olímpico naquela noite de 28 de julho de 83.
Tanto que o ingresso está intacto.
Quem entrou no Olímpico, teve o bilhete rasgado na ponta, como era de praxe.
Hoje, este primo vive em Jurerê/SC, e guardou a relíquia durante todos esses anos.
Espero que o ganhador tenha noção da importância deste ingresso e possa guardar com carinho.
Obs. O papel branco que aparece junto na foto não faz parte do prêmio.
13.4.12
Futura Arena do Grêmio no dia 13 de abril de 2012







![]() |
| No local demarcado com pau e grama ficará a bandeira de escanteio |





![]() |
| Visão que os jogadores teriam entrando em campo pela saída dos vestiários |

![]() |
| Onde serão os vestiários: Av. Castelo Branco ao fundo |
![]() |
| Como ficaram meus tênis e minha calça |
![]() |
| Entrevistando o secretário Ricardo Gothe pra Grêmio TV |










![]() |
| Casinha da água e do café |

4.4.12
Airton Ferreira da Silva - O maior de todos
Não vi jogar Airton Ferreira da Silva.
Infelizmente, naquela época, não tínhamos registros de imagens.
Nadinha.
Jamais vi sua famosa jogada recuando uma bola de “letra” para as mãos do goleiro.
Tento imaginar tamanha ousadia dentro da minha cabeça, mas é difícil.
Tudo que sei é pelo que li ou pelo que escutei.
Depoimentos de pessoas com credibilidade, que viram Airton jogar, ou que jogaram ao lado dele. Até mesmo as palavras do próprio Airton em entrevista que fiz (abaixo) ou em bate-papo informal fora das câmeras.
Cresci dentro do Grêmio com as pessoas venerando o “Pavilhão” como um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro.
Aquele gigante passava por mim com seu caminhar lento e seu olhar sereno.
Sorria.
Admirava como que um Deus.
Imponente.
Imortal.
Sabia exatamente a importância daquela pessoa para história do Grêmio.
E me sentia privilegiado e honrado a cada conversa, a cada aperto de mão.
Airton me recebeu em sua casa humilde, distante 30 metros da entrada do Olímpico.
Um verdadeiro gentleman.
Me mostrou alguns livros com recortes antigos.
Várias fotos contando sua história no futebol.
Lembranças que guardava com carinho.
Emocionou-se ao falar de seleção brasileira.
Conversamos durante 21 minutos.
Uma entrevista que pode ser resumida em apenas uma frase.
Frase que ficará marcada para sempre na minha memória e na memória de todos os torcedores:
“Tudo que eu tenho na vida, eu devo ao Grêmio”.
A foto que abre esta publicação foi tirada por mim durante evento de aniversário do Grêmio em 2007. Airton, Galvão, Luís Eduardo e Ancheta.
Boa parte da história do Grêmio reunida.
Com todo o respeito aos demais, Airton era o maior de todos.
Literalmente.
Infelizmente, naquela época, não tínhamos registros de imagens.
Nadinha.
Jamais vi sua famosa jogada recuando uma bola de “letra” para as mãos do goleiro.
Tento imaginar tamanha ousadia dentro da minha cabeça, mas é difícil.
Tudo que sei é pelo que li ou pelo que escutei.
Depoimentos de pessoas com credibilidade, que viram Airton jogar, ou que jogaram ao lado dele. Até mesmo as palavras do próprio Airton em entrevista que fiz (abaixo) ou em bate-papo informal fora das câmeras.
Cresci dentro do Grêmio com as pessoas venerando o “Pavilhão” como um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro.
Aquele gigante passava por mim com seu caminhar lento e seu olhar sereno.
Sorria.
Admirava como que um Deus.
Imponente.
Imortal.
Sabia exatamente a importância daquela pessoa para história do Grêmio.
E me sentia privilegiado e honrado a cada conversa, a cada aperto de mão.
Airton me recebeu em sua casa humilde, distante 30 metros da entrada do Olímpico.
Um verdadeiro gentleman.
Me mostrou alguns livros com recortes antigos.
Várias fotos contando sua história no futebol.
Lembranças que guardava com carinho.
Emocionou-se ao falar de seleção brasileira.
Conversamos durante 21 minutos.
Uma entrevista que pode ser resumida em apenas uma frase.
Frase que ficará marcada para sempre na minha memória e na memória de todos os torcedores:
“Tudo que eu tenho na vida, eu devo ao Grêmio”.
A foto que abre esta publicação foi tirada por mim durante evento de aniversário do Grêmio em 2007. Airton, Galvão, Luís Eduardo e Ancheta.
Boa parte da história do Grêmio reunida.
Com todo o respeito aos demais, Airton era o maior de todos.
Literalmente.
26.3.12
No Chipre para fazer história - Entrevista com Marcelo Oliveira do APOEL
A modesta equipe do APOEL Nicósia, da capital do Chipre, é a grande surpresa da fase de quartas de final da Liga dos Campeões da Europa. É a primeira vez que um time da pequena ilha do Mediterrâneo consegue chegar tão longe numa competição continental. Para tanto, deixou para trás equipes com muito mais tradição, como Porto, Shakhtar, Zenit e Lyon.
O adversário é o poderoso Real Madrid, nada que meta medo na equipe que conta com a participação de seis brasileiros, entre eles o zagueiro Marcelo Oliveira, campeão da Série B pelo Grêmio no ano de 2005 e fundamental para o retorno do Tricolor à elite do futebol brasileiro.
Às vésperas do maior jogo da história do APOEL, conversei com Marcelo Oliveira por e-mail enquanto aguarda concentrado em um hotel de Nicósia o confronto contra o Real Madrid.
Ele sabe que não será fácil, mas o sentimento de dever cumprido e a certeza que já deixou seu nome gravado na história do clube cipriota são combustíveis em busca de um novo milagre sem precedentes no futebol europeu.
Confira abaixo a entrevista onde Marcelo fala de sua saída para o futebol europeu, a adaptação e as lembranças da época de Grêmio:
Márcio: Pela primeira vez na história, o APOEL chega a uma fase de quartas de final da Liga dos Campeões. Como você está vendo este confronto contra o Real Madrid? O que se pode esperar da equipe?
Marcelo Oliveira: A decisão começa nesta terça-feira. Será um dia muito importante, não só para nossa equipe, mas sim para todo o futebol do Chipre! Teremos um jogo muito difícil pela frente, contra uma das melhores equipes do mundo, mas sinto que estamos preparados e vamos fazer o nosso melhor. Chegamos até aqui e não foi fácil, passamos por equipes difíceis de serem batidas e amanhã não vai ser diferente. Os respeitamos, mas não os tememos!
Márcio: Imagino que o torcedor esteja ansioso por este confronto, tanto que todos os ingressos já foram vendidos. Como está sendo a reação do torcedor do APOEL, principalmente com vocês jogadores?
Marcelo Oliveira: Uma loucura! Ingressos esgotados, todos querem estar presente nesse momento tão importante! Com certeza, a torcida vai fazer uma festa inesquecível neste confronto que começa amanhã!
Márcio: Independente do resultado, o clube entra para a história do país. Como é fazer parte deste momento?
Marcelo Oliveira: É um sentimento de dever cumprido. É saber que o esforço de cada dia esta alcançando um resultado muito bom! Fico muito feliz por fazer parte dessa história que estamos construindo aqui no Chipre com muito trabalho.
Márcio: A gente sabe que existem muitos jogadores brasileiros espalhados pela Europa, mas o Chipre não é um país de muita visibilidade. Como é sua vida no Chipre?
Marcelo Oliveira: É uma vida tranquila. Vivo em uma cidade pequena, calma! Isso é muito bom. Tem meus companheiros de grupo por perto, são brasileiros. Isso ajuda.
Márcio: Quais foram os principais problemas de adaptação? Como você se vira no dia-a-dia?
Marcelo Oliveira: Não tive problema nenhum pra me adaptar aqui no Chipre. Como disse antes, já existiam mais brasileiros na equipe e isso facilita. Também estava vindo da Grécia onde vivi por cinco anos. Os países são parecidos, o idioma é o mesmo. Foi tranquilo!
Márcio: De que forma você costuma acompanhar as coisas do Brasil?
Marcelo Oliveira: A internet facilita as coisas. Acompanho tudo por aqui!
Márcio: Como é a torcida do APOEL? Tem alguma semelhança com o Brasil?
Marcelo Oliveira: É uma torcida muito fanática e participativa. Penso que muito diferente dos outros países da Europa. Cantam muito mesmo. Muito parecido com a torcida do Brasil, incentivando o jogo todo!
Márcio: Como é a estrutura do APOEL? O que ele oferece pra você?
Marcelo Oliveira: Temos um bom centro de treinamento com dois campos, um bom vestiário com academia, piscina de água gelada, jacuzzi, sem falar nos médicos, massagistas, nutricionista e as pessoas que trabalham nos bastidores e que não aparecem. Nos dão todo o suporte necessário para que possamos retribuir dentro de campo!
Márcio: Do que mais você sente falta?
Marcelo Oliveira: Da minha familia,esposa,filhos.
Márcio: Quais seus principais planos para o futuro? Pretende seguir no APOEL? Pensa em voltar para o Brasil?
Marcelo Oliveira: Tenho contrato aqui ainda, to feliz. Mas sempre dá aquela vontade de voltar a jogar no Brasil. O futuro a Deus pertence!
Márcio: Voltando um pouco mais no tempo: você saiu do Brasil para jogar na Grécia, é isso? Como se deu essa transferência?
Marcelo Oliveira: Sim, saí do Brasil em junho de 2006 e acertei um contrato de três anos com o Atromitos, na Grécia! Eu tinha acabado de rescindir meu contrato com o Grêmio e estava livre. Meu empresário chegou com essa proposta e aceitei. Queria um vínculo mais longo e seguro, pois tinha acabado de ter meu primeiro filho. Graças a Deus, deu tudo certo.
Márcio: Como foi sua adaptação ao futebol grego? Pela proximidade, ajudou na sua adaptação agora no Chipre?
Marcelo Oliveira: Na Grécia, a adaptação foi muito mais difícil, principalmente por ser a primeira vez que estava saindo do Brasil. Tive muita ajuda de um brasileiro que já estava há muito tempo por lá e foi pro mesmo time, no mesmo ano que cheguei. Minha esposa me ajudou muito também! Minha passagem pela Grécia me ajudou muito no Chipre. Aqui não tive problema algum, Neste período na Grécia, aprendi a falar grego e dominar o idioma faz muita diferença.
Márcio: A equipe do Atromitos que você atuou na Grécia não é considerada de primeira linha. Como foi este período. O que você pode dizer sobre esta experiência?
Marcelo Oliveira: É uma equipe média da Grécia. Foi uma experiência muito boa e proveitosa. Passei cinco anos da minha carreira lá. Só tenho a agradecer ao presidente e todas as pessoas que fizeram parte na minha vida por esse período que estive lá.
Márcio: E sua família? Como eles lidam com essa distância do Brasil?
Marcelo Oliveira: Minha família vive em Porto Alegre. Estou sozinho aqui no Chipre e essa é a parte mais difícil pra mim, mas mantemos contato todos os dias pela internet, o que facilita um pouco as coisas e ameniza a saudade.
Márcio: Quais suas principais lembranças do Grêmio e aquela trajetória no inesquecível no Brasileirão da Série B em 2005?
Marcelo Oliveira: Me recordo de tudo! As lembranças seguem vivas na minha cabeça. Os companheiros com quem tive o prazer em trabalhar junto, as brincadeiras do dia-a-dia, os jogos decisivos que tivemos em um momento tão importante para o clube! Não tem como esquecer.
Márcio: Você fez parte da Batalha dos Aflitos, estava lá. O que você recorda?
Marcelo Oliveira: Tive o prazer de fazer parte daquele grupo de jogadores que fizeram história naquele jogo. Lembro como se fosse hoje! Inesquecível!
Márcio: Você me pediu o telefone do Alemão, roupeiro do Grêmio. Além dele, com quem você ainda tem contato daquela época? Ficaram amizades?
Marcelo Oliveira: No Grêmio, hoje em dia, só tenho contato mesmo com o “Alemão”, mas sempre nas férias passo pelo Olímpico pra falar com ele e com outras pessoas que tenho amizade também. Os clubes passam, mas as amizades ficam pra sempre!
Fotos: Facebook oficial do jogador.
25.3.12
O dia em que não conheci Chico Anysio
Não recordo ao certo qual foi o ano, imagino que por volta de 2002 ou 2003.
Ao saber de uma exposição de quadros de Chico Anysio em Porto Alegre, o departamento de marketing do Grêmio decidiu presentear o artista com uma camisa personalizada.
Não foram raras as vezes que Chico Anysio declarou publicamente a preferência pelo Grêmio em Porto Alegre. Sendo assim, o Clube resolveu presentear o humorista quando de sua passagem pela Capital.
A exposição de suas “obras de arte” estava acontecendo no Empório Carlos Gomes, junto ao Mãe de Deus Center, no bairro Três Figueiras, enquanto ele se hospedava no hotel ao lado, no Novohotel.
Cheguei ao local acompanhado pelo Duda Kroeff, ex-presidente do Grêmio, na época responsável pelo marketing.
Confesso que estava ansioso por encontrar o mestre do humor.
Sem dúvida, um ícone.
Naquela mesma época já tinha conhecido personalidades como Caetano Veloso, Raimundo Fágner, Maná, sempre dentro desta filosofia de valorizar a marca do Grêmio junto aos grandes artistas que desembarcavam na cidade.
A combinação é que ele Chico Anysio desceria de seu quarto por volta das 19h30 para participar de um coquetel que estava sendo organizado.
Passamos o tempo observando seus quadros expostos e me lembro de ter ficado impressionado com a baixa qualidade de suas pinturas.
Obviamente, um artista da grandeza de Chico Anysio, não se daria ao trabalho de chegar no horário combinado.
Uma hora já havia passado e os presentes já mostravam certa inquietação.
Um dos responsáveis informou que o artista estava descansando, mas não demoraria a aparecer.
Por volta das 21h30, com duas horas de espera, Duda Kroeff comentou comigo: “vamos esperar mais meia hora, se ele não aparecer, nós vamos embora”.
Graças a Deus, pensei. Não aguentava mais aquela espera e, por mim, já estaria em casa há muito tempo.
E foi o que aconteceu meia hora depois.
Mandamos Chico Anysio para puta que o pariu e fomos embora levando a camisa personalizada que entregaríamos ao mestre, com carinho.
Foi assim o dia que não conheci Chico Anysio.
Com esta lembrança, minha homenagem em sua despedida.
Ao saber de uma exposição de quadros de Chico Anysio em Porto Alegre, o departamento de marketing do Grêmio decidiu presentear o artista com uma camisa personalizada.
Não foram raras as vezes que Chico Anysio declarou publicamente a preferência pelo Grêmio em Porto Alegre. Sendo assim, o Clube resolveu presentear o humorista quando de sua passagem pela Capital.
A exposição de suas “obras de arte” estava acontecendo no Empório Carlos Gomes, junto ao Mãe de Deus Center, no bairro Três Figueiras, enquanto ele se hospedava no hotel ao lado, no Novohotel.
Cheguei ao local acompanhado pelo Duda Kroeff, ex-presidente do Grêmio, na época responsável pelo marketing.
Confesso que estava ansioso por encontrar o mestre do humor.
Sem dúvida, um ícone.
Naquela mesma época já tinha conhecido personalidades como Caetano Veloso, Raimundo Fágner, Maná, sempre dentro desta filosofia de valorizar a marca do Grêmio junto aos grandes artistas que desembarcavam na cidade.
A combinação é que ele Chico Anysio desceria de seu quarto por volta das 19h30 para participar de um coquetel que estava sendo organizado.
Passamos o tempo observando seus quadros expostos e me lembro de ter ficado impressionado com a baixa qualidade de suas pinturas.
Obviamente, um artista da grandeza de Chico Anysio, não se daria ao trabalho de chegar no horário combinado.
Uma hora já havia passado e os presentes já mostravam certa inquietação.
Um dos responsáveis informou que o artista estava descansando, mas não demoraria a aparecer.
Por volta das 21h30, com duas horas de espera, Duda Kroeff comentou comigo: “vamos esperar mais meia hora, se ele não aparecer, nós vamos embora”.
Graças a Deus, pensei. Não aguentava mais aquela espera e, por mim, já estaria em casa há muito tempo.
E foi o que aconteceu meia hora depois.
Mandamos Chico Anysio para puta que o pariu e fomos embora levando a camisa personalizada que entregaríamos ao mestre, com carinho.
Foi assim o dia que não conheci Chico Anysio.
Com esta lembrança, minha homenagem em sua despedida.
21.3.12
Minhas ruas
Nome das ruas que já morei nestes 40 anos de vida:
Maurício Cardoso
Hilário Ribeiro
Nilo Peçanha
Barão do Gravataí
Estácio de Sá
Lajeado
Francisco Valdomiro Lorenz
Visconde Duprat
Não conta a praia: rua Guaimbé.
Não conta estada em Madrid: Calle El Escorial
Maurício Cardoso
Hilário Ribeiro
Nilo Peçanha
Barão do Gravataí
Estácio de Sá
Lajeado
Francisco Valdomiro Lorenz
Visconde Duprat
Não conta a praia: rua Guaimbé.
Não conta estada em Madrid: Calle El Escorial
14.3.12
Amigo do Adonis
Fiz uma incursão futebolística pela Costa Rica no distante ano de 1990.
O pequeno e pacato país da América Central tinha conquistado pela primeira vez vaga em uma Copa do Mundo de futebol.
No caso, na Itália.
Meu conhecimento acerca do futebol costarriquenho era muito precário.
Obviamente, naquela época, não tínhamos a facilidade de hoje para conseguirmos informações, principalmente de lugares com tão pouca representatividade no cenário esportivo mundial.
No entanto, a Costa Rica tinha caído no grupo do Brasil na primeira fase da Copa e matérias de apresentação e análise dos adversários viraram rotina na mídia.
Portanto, posso dizer que embarquei para San Jose com um mínimo de conhecimento.
Adonis Hilario (foto acima) era o grande jogador do país, brasileiro assim como Alexandre Guimarães, seu companheiro de Deportivo Saprissa, equipe mais popular da Costa Rica. Era idolatrado pelos companheiros e mandava mais que o próprio presidente, Óscar Arias.
Adonis lembrava o Nélio, que jogava no Flamengo.
Era o estereótipo do jogador brasileiro: carioca da gema, levava aos gramados o molejo e malemolência da malandragem. Humilhava os adversários e comemorava os gols com uma tradicional sambadinha (estilo Rubinho Barrichello no pódio) que acabou se tornando marca registrada e referência para os meninos que disputavam animadas peladas nos campinhos do parque La Sabana, ao lado do Estádio Nacional.
Todas as sambadinhas terminavam com um cruzar de pernas e um giro de corpo de 360 graus que só os melhores passistas das escolas de samba do Rio de Janeiro sabem dar.
Conheci Adonis logo após um treino no estádio Ricardo Saprissa.
Abordei o atacante quando ele se dirigia ao vestiário.
Eu na arquibancada e ele no gramado.
Surpreso ao me ouvir falar português, parou para conversar através do alambrado e pediu para que eu o esperasse na saída do vestiário para o estacionamento.
De banho tomado, bem vestido e adornado por correntes de ouro e anéis, Adonis teve que se esquivar de torcedores e fotógrafos até chegar onde estava eu, encostado num carro.
Conversamos alguns minutos, mas o assédio era tanto que Adonis decidiu sair dali. Entramos em seu carro e saímos pelas ruas de San Jose.
Me acompanhava o amigo e colega Giovanny Ruiz, que praticamente não acreditava que estava passeando de carro com o maior ídolo do futebol do seu país.
Fato que, pra mim, não queria dizer nada.
Com Adonis visitamos uma das maiores lojas de artigos esportivos de San Jose, que pertencia a seu empresário e almoçamos num restaurante brasileiro em um bairro nobre da cidade.
No dia seguinte, combinamos um almoço na casa de Alexandre Guimarães (foto acima). Outro ídolo da torcida do Saprissa e brasileiro que mais tempo jogava no país. Nos recebeu com uma típica feijoada e uma roda de samba improvisada que ajudava a matar a saudade do Brasil.
No almoço, ainda tinham alguns outros jogadores do Saprissa, como Evaristo Coronado (foto abaixo) e o índio Benjamin Mayorga (foto ao lado), uma figura ímpar. Era índio de verdade! Vindo da tribo Bri-bri, que habitava a fronteira com o Panamá. Sério, de poucas palavras, chegava a assustar pelo seu jeito rude, mas tinha um grande coração, conforme me explicou Guimarães. Hoje, Mayorga trabalha na política em defesa das minorias indígenas de seu país.
Alexandre Guimarães nem preciso dizer. É uma referência quando falamos de futebol costarriquenho. Naturalizado, participou das três copas do mundo da história do país, uma como jogador e duas como técnico. Treinou também no Panamá e no Oriente Médio.
Com relação a Adonis Hilario, nunca mais tive notícias. Pesquisando na internet, me parece que hoje trabalha nas categorias de base do próprio Saprissa, como avaliador. Não realizou seu sonho da época que era voltar ao Brasil para jogar pelo Botafogo.
Nesta experiência única dentro de um país humilde e alegre, conheci a verdadeira essência do futebol e da amizade, por meio de pessoas hospitaleiras e trabalhadoras, ainda não corrompidas pelo poder do dinheiro.
Tenho certeza que, apesar de já passados 22 anos, essa continua sendo a cara do futebol da Costa Rica.
Talvez por isso nunca tenha chegado a lugar nenhum.
Ps.: De lambuja, segue abaixo links com entrevista que encontrei com Adonis feita em 2010 e uma seleção dos seus melhores gols. Vale dizer que não consegui vê-lo jogar, pois na época que estive lá só ocorreram jogos da seleção.
Gols.
Entrevista.
13.1.12
Deixa que eu bato
Defendo a teoria de que uma cobrança de falta na barreira é o lance mais frustrante do futebol.
Não existe no esporte bretão uma reversão de expectativa tão grande quanto uma bola parada que acaba na barreira feita pelo time adversário.
A teoria é boa.
Foi criada por mim.
Absolutamente ninguém espera que uma cobrança de falta termine interceptada logo a nove metros adiante.
Quando surge uma grande oportunidade na entrada da área, por exemplo, imediatamente imaginamos o gol, ou pelo menos um lance plasticamente bonito, com a bola batendo na trave, com uma grande defesa do goleiro ou, até mesmo, com o esférico passando pertinho do ângulo.
Quando isso não ocorre (e só não ocorre por culpa da barreira), o sentimento é de profunda frustração.
O leitor até pode argumentar que uma cobrança de pênalti perdida seria mais frustrante.
Isso não é verdade!
Quando um jogador se prepara para uma cobrança de penalidade máxima, só existem duas expectativas: o erro ou o acerto.
Portanto, se ele errar uma cobrança, está dentro da expectativa inicial do torcedor.
Sou um apaixonado pelas belas cobranças de falta.
Felizmente, acompanhei de pertinho uma geração que possuía Zico e Roberto Dinamite.
Era década de 80.
Estes talvez os dois maiores cobradores de falta da história do futebol brasileiro.
Depois vieram Neto e Marcelinho Carioca.
Outros dois extraordinários cobradores.
Cada um no seu estilo.
Neto mais na força e Marcelinho mais no jeito.
Quando o árbitro apontava falta perto da área para estes quatro jogadores, era meio gol.
Praticamente impossível uma bola parar na barreira.
O tempo foi passando, e os grandes cobradores de falta passaram a se tornar uma raridade nos clubes de futebol.
Exatamente ao contrário do que deveria ser.
Da maneira como o futebol se tornou competitivo, baseado no preparo físico e na teoria de defender para depois atacar, as cobranças de falta deveriam ser um artifício para surpreender e superar este poderio defensivo dos adversários.
Mas não é assim.
Falta de treinamento específico?
É bem provável que seja.
Quem já não escutou histórias de jogadores que, após o final do treinamento, passavam horas treinando falta, até escurecer?
Alguém faz isso hoje?
Quando o treino termina, querem mais voltar pra casa.
Ou o ônibus está esperando para levar pra concentração.
Algumas raras exceções surgiram, mas sem muito alarde.
Petkovic, talvez o principal.
Até mesmo o Ronaldinho Gaúcho.
Apesar de toda a qualidade que já teve e um gol de falta “sem querer” contra a Inglaterra no Mundial da Alemanha, não lembro de um marcante e inesquecível.
Fez num Gre-Nal em 1999. A bola desviou na barreira.
Mas não foi lá grande coisa.
Aliás, não recordo de um grande cobrador de falta vestindo a camisa do Grêmio.
Lógico que já tivemos belos gols de falta de atletas que vestiram a camisa do Tricolor, mas nenhum que pudéssemos chamar de “especialista”.
Lembram de algum?
Tadeu Ricci na década de 70 ao lado de Eder.
Um no jeito e outro na força.
Tita em 1983 era um exímio cobrador.
Ficou pouco tempo no Grêmio.
Conquistou uma Libertadores, mas não recordo de nenhum gol de falta nesse período.
Mais algum?
Branco, Paulão, Jorginho, Itaqui...?
Nenhum jogador daqueles que eram certeza de gol quando uma falta era marcada.
Um bom cobrador é tão raro no Grêmio que chegamos a uma triste realidade: quando uma falta é marcada na entrada da área o torcedor pensa: “não vai dar em nada”.
Para matar a saudade e ilustrar o post, seguem abaixo dois daqueles que considero os mais belos e espetaculares gols de falta que já vi.
Um na força e outro no jeito.
Torcendo para que, um dia, possamos ter em nosso clube algum atleta abençoado por esse dom.
Ou que treine.
Não existe no esporte bretão uma reversão de expectativa tão grande quanto uma bola parada que acaba na barreira feita pelo time adversário.
A teoria é boa.
Foi criada por mim.
Absolutamente ninguém espera que uma cobrança de falta termine interceptada logo a nove metros adiante.
Quando surge uma grande oportunidade na entrada da área, por exemplo, imediatamente imaginamos o gol, ou pelo menos um lance plasticamente bonito, com a bola batendo na trave, com uma grande defesa do goleiro ou, até mesmo, com o esférico passando pertinho do ângulo.
Quando isso não ocorre (e só não ocorre por culpa da barreira), o sentimento é de profunda frustração.
O leitor até pode argumentar que uma cobrança de pênalti perdida seria mais frustrante.
Isso não é verdade!
Quando um jogador se prepara para uma cobrança de penalidade máxima, só existem duas expectativas: o erro ou o acerto.
Portanto, se ele errar uma cobrança, está dentro da expectativa inicial do torcedor.
Sou um apaixonado pelas belas cobranças de falta.
Felizmente, acompanhei de pertinho uma geração que possuía Zico e Roberto Dinamite.
Era década de 80.
Estes talvez os dois maiores cobradores de falta da história do futebol brasileiro.
Depois vieram Neto e Marcelinho Carioca.
Outros dois extraordinários cobradores.
Cada um no seu estilo.
Neto mais na força e Marcelinho mais no jeito.
Quando o árbitro apontava falta perto da área para estes quatro jogadores, era meio gol.
Praticamente impossível uma bola parar na barreira.
O tempo foi passando, e os grandes cobradores de falta passaram a se tornar uma raridade nos clubes de futebol.
Exatamente ao contrário do que deveria ser.
Da maneira como o futebol se tornou competitivo, baseado no preparo físico e na teoria de defender para depois atacar, as cobranças de falta deveriam ser um artifício para surpreender e superar este poderio defensivo dos adversários.
Mas não é assim.
Falta de treinamento específico?
É bem provável que seja.
Quem já não escutou histórias de jogadores que, após o final do treinamento, passavam horas treinando falta, até escurecer?
Alguém faz isso hoje?
Quando o treino termina, querem mais voltar pra casa.
Ou o ônibus está esperando para levar pra concentração.
Algumas raras exceções surgiram, mas sem muito alarde.
Petkovic, talvez o principal.
Até mesmo o Ronaldinho Gaúcho.
Apesar de toda a qualidade que já teve e um gol de falta “sem querer” contra a Inglaterra no Mundial da Alemanha, não lembro de um marcante e inesquecível.
Fez num Gre-Nal em 1999. A bola desviou na barreira.
Mas não foi lá grande coisa.
Aliás, não recordo de um grande cobrador de falta vestindo a camisa do Grêmio.
Lógico que já tivemos belos gols de falta de atletas que vestiram a camisa do Tricolor, mas nenhum que pudéssemos chamar de “especialista”.
Lembram de algum?
Tadeu Ricci na década de 70 ao lado de Eder.
Um no jeito e outro na força.
Tita em 1983 era um exímio cobrador.
Ficou pouco tempo no Grêmio.
Conquistou uma Libertadores, mas não recordo de nenhum gol de falta nesse período.
Mais algum?
Branco, Paulão, Jorginho, Itaqui...?
Nenhum jogador daqueles que eram certeza de gol quando uma falta era marcada.
Um bom cobrador é tão raro no Grêmio que chegamos a uma triste realidade: quando uma falta é marcada na entrada da área o torcedor pensa: “não vai dar em nada”.
Para matar a saudade e ilustrar o post, seguem abaixo dois daqueles que considero os mais belos e espetaculares gols de falta que já vi.
Um na força e outro no jeito.
Torcendo para que, um dia, possamos ter em nosso clube algum atleta abençoado por esse dom.
Ou que treine.
31.12.11
Sou um retardado
Isso mesmo.
Sempre fui um pouco retardado.
Sei que a frase inicial deste post é um tanto polêmica ou surpreendente, mas quem me conhece mais profundamente pode entender o que quero dizer.
E o que quero dizer é que as coisas na minha vida sempre aconteceram um pouco depois do que acontece na vida das pessoas normais.
Na minha adolescência, enquanto meus amigos se preocupavam em ficar correndo atrás das menininhas, eu passava meus finais de semana jogando botão em casa.
Achei necessário ilustrar com um exemplo.
Num primeiro momento, considerava esta lentidão um tanto quanto preocupante.
Não propriamente pelas consequências que trazia pra minha vida, mas pela pressão da sociedade.
E quando falo sociedade, quero dizer “família”.
Um dia meus pais me chamaram para um papo sério.
Estavam preocupados com minha dificuldade em amadurecer.
Minha mãe até chorou.
Não queria um filho vagabundo morando na casa dela até aos 45 anos.
Até entendi o desespero deles, mas a verdade é que não via nenhum motivo para acelerar o meu amadurecimento.
Por outro lado, eles tinham grande parcela de culpa nisso tudo.
Sempre tive uma vida confortável.
Sempre tive tudo que quis.
Nunca precisei batalhar e encarar a vida de frente.
Mas sei que não foi por mal.
Fizeram o que fizeram por amor.
Para me proteger.
Essa parte foi para tranquiliza-los, caso estejam lendo.
Mas o tempo foi passando, e aos poucos foram vendo que as coisas iam se ajeitando na minha vida.
Até larguei o futebol de botão para correr atrás das menininhas.
Um grande erro.
Quando tentei acelerar o processo, acabei me dando mal.
Troquei os pés pelas mãos.
Coloquei a carroça na frente dos bois.
E até hoje arco com as consequências.
Tivesse seguido meu ritmo “retardado” não teria feito tanta merda nessa vida.
Agora não adianta chorar o leite derramado.
Desculpem-me os jargões, mas esse papo todo veio hoje na minha cabeça depois de assistir uma reportagem especial do canal SporTV durante o voo que me trouxe de Campinas para Porto Alegre.
A matéria, longa e bem produzida, era sobre o efeito da idade (do passar do tempo) sobre o corpo e a mente dos atletas de alto-rendimento.
O desgaste.
O término da carreira.
As desilusões.
A ascensão e queda.
Em 2012, completo 40 anos de vida.
Já não sou mais um guri.
Já estou na fase descendente.
Ou seja, já passei da metade da minha existência.
Cronologicamente pensando, estou na contagem regressiva para a morte.
Nossa!
Parece trágico, mas não é.
Seria trágico, não fosse um detalhe:
Não me sinto com 40 anos.
Não me sinto com 40 anos nem física e nem mentalmente.
Me sinto jovem.
Me sinto bem.
Hoje não me preocupo mais com a maturidade.
Muito pelo contrário:
Hoje me sinto feliz por ser um retardado.
Que assim seja até o fim.
Sempre fui um pouco retardado.
Sei que a frase inicial deste post é um tanto polêmica ou surpreendente, mas quem me conhece mais profundamente pode entender o que quero dizer.
E o que quero dizer é que as coisas na minha vida sempre aconteceram um pouco depois do que acontece na vida das pessoas normais.
Na minha adolescência, enquanto meus amigos se preocupavam em ficar correndo atrás das menininhas, eu passava meus finais de semana jogando botão em casa.
Achei necessário ilustrar com um exemplo.
Num primeiro momento, considerava esta lentidão um tanto quanto preocupante.
Não propriamente pelas consequências que trazia pra minha vida, mas pela pressão da sociedade.
E quando falo sociedade, quero dizer “família”.
Um dia meus pais me chamaram para um papo sério.
Estavam preocupados com minha dificuldade em amadurecer.
Minha mãe até chorou.
Não queria um filho vagabundo morando na casa dela até aos 45 anos.
Até entendi o desespero deles, mas a verdade é que não via nenhum motivo para acelerar o meu amadurecimento.
Por outro lado, eles tinham grande parcela de culpa nisso tudo.
Sempre tive uma vida confortável.
Sempre tive tudo que quis.
Nunca precisei batalhar e encarar a vida de frente.
Mas sei que não foi por mal.
Fizeram o que fizeram por amor.
Para me proteger.
Essa parte foi para tranquiliza-los, caso estejam lendo.
Mas o tempo foi passando, e aos poucos foram vendo que as coisas iam se ajeitando na minha vida.
Até larguei o futebol de botão para correr atrás das menininhas.
Um grande erro.
Quando tentei acelerar o processo, acabei me dando mal.
Troquei os pés pelas mãos.
Coloquei a carroça na frente dos bois.
E até hoje arco com as consequências.
Tivesse seguido meu ritmo “retardado” não teria feito tanta merda nessa vida.
Agora não adianta chorar o leite derramado.
Desculpem-me os jargões, mas esse papo todo veio hoje na minha cabeça depois de assistir uma reportagem especial do canal SporTV durante o voo que me trouxe de Campinas para Porto Alegre.
A matéria, longa e bem produzida, era sobre o efeito da idade (do passar do tempo) sobre o corpo e a mente dos atletas de alto-rendimento.
O desgaste.
O término da carreira.
As desilusões.
A ascensão e queda.
Em 2012, completo 40 anos de vida.
Já não sou mais um guri.
Já estou na fase descendente.
Ou seja, já passei da metade da minha existência.
Cronologicamente pensando, estou na contagem regressiva para a morte.
Nossa!
Parece trágico, mas não é.
Seria trágico, não fosse um detalhe:
Não me sinto com 40 anos.
Não me sinto com 40 anos nem física e nem mentalmente.
Me sinto jovem.
Me sinto bem.
Hoje não me preocupo mais com a maturidade.
Muito pelo contrário:
Hoje me sinto feliz por ser um retardado.
Que assim seja até o fim.
19.12.11
Santos se borrou
Pessoas me abordam na rua e imploram para que eu teça algumas palavras sobre a decisão do Mundial entre Santos e Barcelona.
Até pelo fato de eu ter publicado na véspera do jogo, pelo Twitter, que o resultado final do cotejo se daria nas cobranças de penalidade máxima.
Fui cobrado de forma incisiva por isso.
Ainda que tivesse dito que o Barcelona seria campeão (e acertei) confesso que acreditava que o Santos exigiria um pouco mais da equipe catalã.
A própria história do Mundial de Clubes mostra uma resistência maior e até superioridade das equipes sul-americanas sobre a prepotência e empáfia dos europeus.
Principalmente na antiga Copa Intercontinental, disputada em apenas um jogo.
Foi assim com o Grêmio batendo o Hamburgo, o Vélez ganhando do Milan e, mais recente, o Internacional surpreendendo o Barcelona.
Mas não foi o que vimos neste último confronto.
Depois da eliminação do Inter para o Mazembe, no Mundial de 2010, a derrota do Santos por 4 a 0 para o Barcelona foi a maior vergonha do futebol brasileiro na competição.
Ainda que tenha sido contra o Barcelona, o grande time do momento, que possui o melhor jogador do mundo, não poderia ter sido da maneira que foi.
Não poderia ter sido tão humilhante e tão desparelho.
No último dia 26 de novembro, esse mesmo Barcelona perdeu de 1 a 0 para o Getafe.
Quem é o Getafe?
O que este time tem que o Santos não tem?
Se bobear, o Sapucaiense ganha do Getafe.
Esse é só um detalhe para deixar claro que o Barcelona também perde.
Não é tudo isso.
O Santos foi covarde.
Foi cagão.
E, para ser ainda mais chulo: o Santos abriu as pernas bonito.
Ninguém foi capaz de dar uma chegada mais forte no Messi.
Ninguém mostrou espírito de decisão.
Ninguém assumiu a bronca.
Ninguém foi capaz de decidir quando teve a chance.
Ou vão esquecer que Borges e Neymar perderam gols cara a cara com Valdés?
Perderam sim. Chegaram lá. Mas tremeram as perninhas.
Vocês acham que o Messi conseguiria fazer firula na frente do Dinho?
Ou o Xavi entraria driblando na área sendo marcado pelo De León?
Até o Sandro Goiano seria capaz de colocar o Iniesta no alambrado.
Não estou fazendo apologia à violência.
É apenas uma visão metafórica do que imagino como jogo decisivo de Mundial.
E o Santos não apresentou.
Para o time da Vila, parecia um amistoso do Trianon no Sessinzão, em Cidreira.
Para finalizar, vou dizer outra coisa: se eu juntar um grupo de amigos e formar um time para enfrentar o Barcelona, não faremos tão feio quanto fez o Santos.
E deixa o Messi comigo.
Até pelo fato de eu ter publicado na véspera do jogo, pelo Twitter, que o resultado final do cotejo se daria nas cobranças de penalidade máxima.
Fui cobrado de forma incisiva por isso.
Ainda que tivesse dito que o Barcelona seria campeão (e acertei) confesso que acreditava que o Santos exigiria um pouco mais da equipe catalã.
A própria história do Mundial de Clubes mostra uma resistência maior e até superioridade das equipes sul-americanas sobre a prepotência e empáfia dos europeus.
Principalmente na antiga Copa Intercontinental, disputada em apenas um jogo.
Foi assim com o Grêmio batendo o Hamburgo, o Vélez ganhando do Milan e, mais recente, o Internacional surpreendendo o Barcelona.
Mas não foi o que vimos neste último confronto.
Depois da eliminação do Inter para o Mazembe, no Mundial de 2010, a derrota do Santos por 4 a 0 para o Barcelona foi a maior vergonha do futebol brasileiro na competição.
Ainda que tenha sido contra o Barcelona, o grande time do momento, que possui o melhor jogador do mundo, não poderia ter sido da maneira que foi.
Não poderia ter sido tão humilhante e tão desparelho.
No último dia 26 de novembro, esse mesmo Barcelona perdeu de 1 a 0 para o Getafe.
Quem é o Getafe?
O que este time tem que o Santos não tem?
Se bobear, o Sapucaiense ganha do Getafe.
Esse é só um detalhe para deixar claro que o Barcelona também perde.
Não é tudo isso.
O Santos foi covarde.
Foi cagão.
E, para ser ainda mais chulo: o Santos abriu as pernas bonito.
Ninguém foi capaz de dar uma chegada mais forte no Messi.
Ninguém mostrou espírito de decisão.
Ninguém assumiu a bronca.
Ninguém foi capaz de decidir quando teve a chance.
Ou vão esquecer que Borges e Neymar perderam gols cara a cara com Valdés?
Perderam sim. Chegaram lá. Mas tremeram as perninhas.
Vocês acham que o Messi conseguiria fazer firula na frente do Dinho?
Ou o Xavi entraria driblando na área sendo marcado pelo De León?
Até o Sandro Goiano seria capaz de colocar o Iniesta no alambrado.
Não estou fazendo apologia à violência.
É apenas uma visão metafórica do que imagino como jogo decisivo de Mundial.
E o Santos não apresentou.
Para o time da Vila, parecia um amistoso do Trianon no Sessinzão, em Cidreira.
Para finalizar, vou dizer outra coisa: se eu juntar um grupo de amigos e formar um time para enfrentar o Barcelona, não faremos tão feio quanto fez o Santos.
E deixa o Messi comigo.
15.12.11
Bicampeão do Brasil - Há 15 anos
Já estava conformado em não estar presente em um dos jogos mais importantes da história do Grêmio: a decisão do Campeonato Brasileiro de 1996.
Me recordo como se fosse hoje.
Meu estágio na equipe de esportes da Rádio Gaúcha me obrigava a trabalhar nas jornadas esportivas no estúdio, no prédio da Érico Veríssimo.
Havia sido assim durante todo o ano.
Mas aquele era um domingo especial.
Coração batendo mais forte e aquele clima de decisão tomando conta.
O evento mobilizou toda a equipe da rádio desde cedo.
Cheguei à emissora às 8h30 e não teria hora pra ir embora.
Estava ansioso e pessimista com relação ao jogo.
A derrota de 2 a 0 na primeira partida, em São Paulo, abalara minha confiança.
Logo após o almoço, o Cleber Grabauska, chefe da equipe, me chamou e comunicou: “O (programa) Pré-Jornada vai ser direto do Olímpico e tu vais com o Macedo pra lá. Quando terminar, tu volta”.
Acatei prontamente a ordem e, em poucos minutos, já estava no Olímpico usando uma camisa da RBS.
O trabalho faz com que a gente fique focado e esqueça um pouco todo o ambiente em volta.
Mas o Olímpico estava lindo, lotado.
Lembro de vários helicópteros das emissoras de TV sobrevoando o estádio.
Aquele ruído ensurdecedor misturado com o alarido da multidão que chegava confiante.
Uma loucura!
Faltando aproximadamente meia hora para o início da partida e com o programa finalizado, me preparava para retornar ao estúdio quando fui chamado ao telefone que fica na pequena sala da Rádio, no setor de imprensa. Do outro lado da linha, o Cleber Grabauska perguntando: “Já terminou tudo que tinha que fazer?”. Respondi que sim e disse que já estava voltando, quando ele me surpreendeu: “Tenho um presente pra ti. Pode ficar aí no estádio e assiste ao jogo. Sei que tu queres muito isso”, e desligou sem me deixar agradecer.
Emocionado demais, pensei comigo mesmo: “é grande esse Cleber!”.
Quando me dei conta, a bola já estava rolando e eu, devidamente credenciado, posicionado estrategicamente atrás do gol, junto às placas de publicidade, seguindo o ataque tricolor.
Não demorou muito para Paulo Nunes abrir o marcador.
Contido, preferi optar pela postura profissional, sem comemorar.
Afinal, estava ali representando a RBS, uma empresa imparcial.
(Pausa para os risos)
O jogo seguiu tenso até o final da segunda parte.
Com o resultado de 1 a 0, a Portuguesa conquistaria o título.
Estava pessimista...
O tempo ia se esgotando e nada de chegarmos ao segundo gol.
Do meu lado, um repórter de uma rádio de São Paulo torcia descaradamente: “A Lusa vai ser campeã! A Portuguesa vai calar a boca desses gaúchos arrogantes! É a vitória do bom futebol sobre a violência de um time que só sabe dar pontapé!”, berrava no meu ouvido.
Cada vez que ele falava isso, olhava na minha cara de propósito, com sorriso irônico no rosto.
Pensei comigo: “assim que o jogo acabar, vou dar uma porrada nesse infeliz. Posso ser preso, mas ele não vai mais se levantar do chão”.
Mas não precisou: a porrada certeira e devastador foi dada pelo Ailton, há três minutos do final da partida. Era o gol do título gremista.
Aos prantos, de joelhos, comemorei não só a conquista, mas o fato de não precisar quebrar a cara do futuro colega de profissão.
Aos berros, ao lado do Felipão, eu fazia sinal pro árbitro terminar o jogo:
“ACABOU! ACABOU, PORRA!”
No apito final, fui o primeiro a invadir o campo em desabalada carreira para comemorar.
Nessa hora, mandei para o espaço o que restou da minha postura profissional.
13.12.11
7.12.11
Sócrates e a caneta do Odair
É inegável que Sócrates foi um dos maiores jogadores do futebol brasileiro.
Pessoas da minha geração, que viveram a fundo os anos 80, certamente acompanharam mais de perto a trajetória deste atleta que fez seu nome defendendo o Corinthians.
Não vou nem falar nas questões extra campo e engajamento político, algo que não me ligava muito na época.
Dizem que Sócrates não pode ser chamado de “atleta”, pois sempre levou uma vida desregrada fora de campo (e a causa de sua morte está aí para comprovar).
Mesmo assim, ao contrário de outros, não recordo que o excesso de bebida tenha prejudicado seu lado profissional.
Apesar de tudo, não guardo muitas recordações do Sócrates como tenho do Zico ou do Roberto Dinamite, ídolos contemporâneos do “Doutor”.
Para falar a verdade, a grande lembrança que levo dele foi num jogo contra o Grêmio quando Sócrates defendia o Flamengo (sim, ele jogou pelo Flamengo). Diante das sociais do Olímpico, levou um drible desconcertante do pequeno Odair, pelo meio das pernas. A diferença de estatura entre os dois tornou a cena ainda mais constrangedora para o adversário gremista.
A galera foi ao delírio e, para completar o quadro, Sócrates mandou um gesto obsceno em nossa direção.
Jamais vou esquecer.
Pessoas da minha geração, que viveram a fundo os anos 80, certamente acompanharam mais de perto a trajetória deste atleta que fez seu nome defendendo o Corinthians.
Não vou nem falar nas questões extra campo e engajamento político, algo que não me ligava muito na época.
Dizem que Sócrates não pode ser chamado de “atleta”, pois sempre levou uma vida desregrada fora de campo (e a causa de sua morte está aí para comprovar).
Mesmo assim, ao contrário de outros, não recordo que o excesso de bebida tenha prejudicado seu lado profissional.
Apesar de tudo, não guardo muitas recordações do Sócrates como tenho do Zico ou do Roberto Dinamite, ídolos contemporâneos do “Doutor”.
Para falar a verdade, a grande lembrança que levo dele foi num jogo contra o Grêmio quando Sócrates defendia o Flamengo (sim, ele jogou pelo Flamengo). Diante das sociais do Olímpico, levou um drible desconcertante do pequeno Odair, pelo meio das pernas. A diferença de estatura entre os dois tornou a cena ainda mais constrangedora para o adversário gremista.
A galera foi ao delírio e, para completar o quadro, Sócrates mandou um gesto obsceno em nossa direção.
Jamais vou esquecer.
5.12.11
2.12.11
No campo dos sonhos
Trabalho no Grêmio desde 1999.
Nesses 12 anos joguei futebol apenas duas vezes no gramado principal do Olímpico.
A primeira delas, na preliminar de um jogo de quartas-de-final de Campeonato Brasileiro contra o Santos. Não recordo ao certo que ano foi, mas lembro que o estádio estava lotado.
Atuei defendendo as cores da ACEG (associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos) contra a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinegrafistas).
Era um jogo festivo, bagunçado e desorganizado, mas deu pra sentir a emoção de estar pela primeira jogando no gramado sagrado do Monumental.
Levantei a massa após uma pique de 40 metros ao receber um lançamento na ponta direita.
Fui expulso no segundo tempo (só um detalhe menor).
Minha segunda vez foi num domingo pela manhã, mas com o estádio vazio.
Joguei de zagueiro e me destaquei cobrando tiro de meta já que era o único que tinha força pra colocar a bola no meio campo.
Cheguei a dar um chute a gol, mas mandei por cima da trave (excesso da maldita força).
Bom, toda essa ladainha inicial foi empolgação ao saber que na próxima sexta-feira voltarei a atuar no campo principal. Não tenho dúvidas de que será a última vez antes da demolição.
Estando por dentro dos bastidores do Clube, sei da dificuldade que é liberar o campo principal para algum evento de fora. Por isso, valorizo essa oportunidade.
Existe um ritual de cuidado muito grande com a grama, que passa pela avaliação de uma agrônoma. Existe um período certo para plantar novas sementes e para corte. Uma frescurada que faz do gramado do Olímpico um dos melhores do Brasil.
Há algum tempo, li no site da Portuguesa uma promoção onde o torcedor pagava uma quantia em dinheiro (R$ 990,00) para jogar uma partida no gramado do Canindé. Achei excelente a ideia!
Mas, com todo o respeito, é o Canindé.
Nada contra, mas não podemos comparar com o Olímpico.
EM LONDRES.
Tudo isso me fez lembrar de um relato do responsável pelo tour do estádio de Wembley, em Londres. Um dos maiores estádios do futebol mundial. Não pelo tamanho em si, mas pela importância na história.
Me considero um privilegiado por ter tido a oportunidade de conhecer o antigo estádio de Wembley, antes da demolição e da construção de um novo.
Já faz muito tempo, lá no início dos anos 90 do século passado.
Mas, ainda assim, guardo na memória cada passo percorrido no interior daquele templo.
O Tour, extremamente organizado, com hora marcada, com venda de ingresso e com acompanhamento de um guia, faz de tudo para que o visitante leve pra casa as melhores lembranças.
Não quero contar aqui os detalhes desta visita, portanto passarei ao ponto relevante e que vem ao encontro do tema do post: pois no momento final do tour, o visitante sai do vestiário principal e simula uma entrada em campo ao som ensurdecedor da torcida entoado nos autofalantes. O estádio está vazio, mas o barulho ecoa pelas arquibancadas vermelhas dando uma sensação inesquecível.
Falei que a pseudo entrada em campo era apenas uma simulação, pois nós não pisamos no gramado.
Me dirigi ao guia e praticamente implorei para apenas fazer uma foto com os pés dentro do campo, mas a resposta dele me surpreendeu:
“Ninguém coloca os pés no gramado de Wembley. Apenas os jogadores da seleção inglesa, os jogadores que disputam a final da Copa da Inglaterra e os funcionários que trabalham aqui quando fazem uma partida festiva no final do ano”.
Na hora, imaginei a alegria e o orgulho daqueles funcionários.
Portanto, amigos que estão vivenciando este momento de poder atuar no gramado sagrado do Olímpico, sintam-se orgulhosos e privilegiados.
Aproveitem cada segundo.
Beijem a grama.
Façam fotos e guardem para sempre.
Pois esta será a última vez.
Não tenho dúvidas de que na Arena não será tão fácil.
Nesses 12 anos joguei futebol apenas duas vezes no gramado principal do Olímpico.
A primeira delas, na preliminar de um jogo de quartas-de-final de Campeonato Brasileiro contra o Santos. Não recordo ao certo que ano foi, mas lembro que o estádio estava lotado.
Atuei defendendo as cores da ACEG (associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos) contra a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinegrafistas).
Era um jogo festivo, bagunçado e desorganizado, mas deu pra sentir a emoção de estar pela primeira jogando no gramado sagrado do Monumental.
Levantei a massa após uma pique de 40 metros ao receber um lançamento na ponta direita.
Fui expulso no segundo tempo (só um detalhe menor).
Minha segunda vez foi num domingo pela manhã, mas com o estádio vazio.
Joguei de zagueiro e me destaquei cobrando tiro de meta já que era o único que tinha força pra colocar a bola no meio campo.
Cheguei a dar um chute a gol, mas mandei por cima da trave (excesso da maldita força).
Bom, toda essa ladainha inicial foi empolgação ao saber que na próxima sexta-feira voltarei a atuar no campo principal. Não tenho dúvidas de que será a última vez antes da demolição.
Estando por dentro dos bastidores do Clube, sei da dificuldade que é liberar o campo principal para algum evento de fora. Por isso, valorizo essa oportunidade.
Existe um ritual de cuidado muito grande com a grama, que passa pela avaliação de uma agrônoma. Existe um período certo para plantar novas sementes e para corte. Uma frescurada que faz do gramado do Olímpico um dos melhores do Brasil.
Há algum tempo, li no site da Portuguesa uma promoção onde o torcedor pagava uma quantia em dinheiro (R$ 990,00) para jogar uma partida no gramado do Canindé. Achei excelente a ideia!
Mas, com todo o respeito, é o Canindé.
Nada contra, mas não podemos comparar com o Olímpico.
EM LONDRES.
Tudo isso me fez lembrar de um relato do responsável pelo tour do estádio de Wembley, em Londres. Um dos maiores estádios do futebol mundial. Não pelo tamanho em si, mas pela importância na história.
Me considero um privilegiado por ter tido a oportunidade de conhecer o antigo estádio de Wembley, antes da demolição e da construção de um novo.
Já faz muito tempo, lá no início dos anos 90 do século passado.
Mas, ainda assim, guardo na memória cada passo percorrido no interior daquele templo.
O Tour, extremamente organizado, com hora marcada, com venda de ingresso e com acompanhamento de um guia, faz de tudo para que o visitante leve pra casa as melhores lembranças.
Não quero contar aqui os detalhes desta visita, portanto passarei ao ponto relevante e que vem ao encontro do tema do post: pois no momento final do tour, o visitante sai do vestiário principal e simula uma entrada em campo ao som ensurdecedor da torcida entoado nos autofalantes. O estádio está vazio, mas o barulho ecoa pelas arquibancadas vermelhas dando uma sensação inesquecível.
Falei que a pseudo entrada em campo era apenas uma simulação, pois nós não pisamos no gramado.
Me dirigi ao guia e praticamente implorei para apenas fazer uma foto com os pés dentro do campo, mas a resposta dele me surpreendeu:
“Ninguém coloca os pés no gramado de Wembley. Apenas os jogadores da seleção inglesa, os jogadores que disputam a final da Copa da Inglaterra e os funcionários que trabalham aqui quando fazem uma partida festiva no final do ano”.
Na hora, imaginei a alegria e o orgulho daqueles funcionários.
Portanto, amigos que estão vivenciando este momento de poder atuar no gramado sagrado do Olímpico, sintam-se orgulhosos e privilegiados.
Aproveitem cada segundo.
Beijem a grama.
Façam fotos e guardem para sempre.
Pois esta será a última vez.
Não tenho dúvidas de que na Arena não será tão fácil.
25.7.11
Vida de merda
Com o decorrer da vida, a cada ano que passa, acabamos enredados num emaranhado de situações que, tal como uma bola de neve, vai crescendo à medida que desce montanha abaixo.
Tais situações consomem a sua vida corroendo seus planos e seus sonhos.
Quando você se dá conta, o melhor dos seus anos já passou e viver é apenas uma mera formalidade cotidiana.
Isso se você se der conta, pois a maioria nem percebe.
Como voltar no tempo e fazer diferente?
Infelizmente, isso não é possível.
E Jogar tudo pro alto para tentar começar do zero?
Seria uma decisão extrema, pois certamente atingiria outras pessoas que precisam da sua sanidade mental ilesa.
Vale correr o risco?
Você conseguiria conviver com as consequências deste gesto?
Provavelmente não.
Dizem os entendidos que vontade dá e passa.
Espero que passe logo, antes que seja tarde demais.
Pois já cansei de fazer merda nessa vida.
Tais situações consomem a sua vida corroendo seus planos e seus sonhos.
Quando você se dá conta, o melhor dos seus anos já passou e viver é apenas uma mera formalidade cotidiana.
Isso se você se der conta, pois a maioria nem percebe.
Como voltar no tempo e fazer diferente?
Infelizmente, isso não é possível.
E Jogar tudo pro alto para tentar começar do zero?
Seria uma decisão extrema, pois certamente atingiria outras pessoas que precisam da sua sanidade mental ilesa.
Vale correr o risco?
Você conseguiria conviver com as consequências deste gesto?
Provavelmente não.
Dizem os entendidos que vontade dá e passa.
Espero que passe logo, antes que seja tarde demais.
Pois já cansei de fazer merda nessa vida.
27.6.11
Estádios de Futebol
Esta é a lista dos estádios que eu visitei nestes meus 39 anos de vida (atualizado dia 27/06/2011) sendo 95% deles dedicados ao futebol.São 136.
Evidentemente que não assisti jogos em todos eles mas a simples visita vale o registro.
Este da foto é o Giuseppe Meazza de Milão onde assisti Internazionale 0x3 Milan.
BRASIL:
RIO GRANDE DO SUL
Estádio Olímpico – Porto Alegre – Grêmio
Estádio Beira Rio – Porto Alegre – Internacional
Estádio Passo d´Areia – Porto Alegre – São José
Estádio da Timbaúva – Porto Alegre – Força e Luz
Estádio Estrelão – Porto Alegre – Cruzeiro
Estádio Parque Lami – Porto Alegre – Porto Alegre FC
Estádio da Universidade - Porto Alegre - PUC
Estádio Alfredo Jaconi – Caxias do Sul – Juventude
Estádio Alfredo Stedile – Caxias do Sul – SER Caxias
Estádio da Montanha – Bento Gonçalves – ex Esportivo
Estádio das Castanheiras – Farroupilha – Brasil
Estádio Alcides Santa Rosa – Garibaldi – Guarani
Estádio Altos da Glória – Vacaria – Glória
Estádio Antônio David Farina – Veranópolis – Veranópolis
Estádio Vermelhão da Serra – Passo Fundo – Passo Fundo
Estádio 19 de Outubro – Ijuí – São Luiz
Estádio dos Plátanos – Santa Cruz do Sul – Santa Cruz
Estádio dos Eucaliptos - Santa Cruz do Sul - Avenida
Estádio Joaquim Vidal – Cachoeira do Sul – São José
Estádio Santa Rosa – Novo Hamburgo – Novo Hamburgo
Estádio Cristo Rei – São Leopoldo – Aimoré
Estádio Mariscão – Capão da Canoa – Capão da Canoa FC
Estádio Bento Freitas – Pelotas - Brasil
Estádio da Boca do Lobo – Pelotas – Pelotas
Estádio Aldo Dapuzzo – Rio Grande – São Paulo
Estádio Presidente Vargas – Santa Maria – Internacional
Estádio Campus Universitário – Canoas – Ulbra
Estádio Florestal – Lajeado – Lajeadense
Estádio Edmundo Feix – Venancio Aires – Guarani
Estádio Taba Índia – Cruz Alta – Guarany
Estádio Fonte Sarandi – Sarandi – Ipiranga
Estádio Colosso da Lagoa – Erechim – Ypiranga
Estádio da Zona Sul – Santo Ângelo – Santo Ângelo
Estádio dos Pinheirais – Gramado - Gramadense
Estádio Municipal – Nova Petrópolis – EC Nova Petrópolis
Estádio Felisberto Fagundes Filho – Uruguaiana – EC Uruguaiana
Estádio Honório Nunes – Livramento – Grêmio Santanense
Estádio do Peixe – Tramandaí
Estádio Antônio Sessim – Cidreira
Estádio Morada dos Quero-queros - Alvorada - Pedra Branca FC
SANTA CATARINA:
Estádio da Ressacada – Florianópolis – Avaí
Estádio Orlando Scarpelli – Florianópolis – Figueirense
Estádio Heriberto Hülse – Criciúma – Criciúma
Estádio Aníbal Costa – Tubarão – Tubarão
Estádio Aderbal Ramos da Silva – Blumenau – Blumenau
Estádio do Sesi – Blumenau – CA Metropolitano
Estádio Mun. JB Wendhausen Moraes – Laguna – Laguna EC
PARANÁ:
Estádio Erton Coelho de Queiroz “Boqueirão” – Curitiba – Paraná Clube
Estádio Couto Pereira - Curitiba - Coritiba FC
Estádio Arena da Baixada - Curitiba - Atlético PR
Estádio Dorival de Brito "Vila Capanema" - Curitiba - Paraná Clube
SÃO PAULO:
Estádio do Morumbi – São Paulo – São Paulo FC
Estádio do Pacaembu – São Paulo
Estádio do Canindé – São Paulo – Portuguesa
Estádio Fazendinha – São Paulo – Corinthians
Estádio Parque Antártica – São Paulo – Palmeiras
Estádio Brinco de Ouro da Princesa – Campinas – Guarani
Estádio Moisés Lucarelli - Campinas - Ponte Preta
Estádio Décio Vitta - Americana - Rio Branco
Estádio Antônio Guimarães - Sta. Bárbara D´Oeste - União Barbarense
Estádio Barão de Serra Negra - Piracibaca - XV de Piracicaba
Estádio Bruno José Daniel - Santo André - EC Santo André
Estádio Jayme Cintra - Jundiaí - Paulista
RIO DE JANEIRO
Estádio Maracanã – Rio de Janeiro
Estádio Caio Martins – Niterói – Ex-Botafogo
Estádio São Januário - Rio de Janeiro - Vasco da Gama
Estádio Figueira de Melo - Rio de Janeiro - São Cristóvão
Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro - Fluminense
Estádio do Engenhão - Rio de Janeiro - Botafogo
GOIÁS
Estádio Serra Dourada - Goiânia
Estádio Antônio Accioly - Goiânia - Atlético
Estádio Onésimo Brasileiro Alvarenga - Goiânia - Vila Nova
PERNAMBUCO
Estádio dos Aflitos - Recife - Náutico
Estádio do Arruda - Recife - Santa Cruz
MINAS GERAIS:
Estádio Mineirão - Belo Horizonte - Atlético e Cruzeiro
Estádio Independência - Belo Horizonte - América
BAHIA:
Estádio Barradão - Salvador - Vitória
Estádio da Fonte Nova - Salvador
Estádio de Pituaçu - Salvador - Galícia e Bahia
MATO GROSSO:
Estádio Municipal Luthero Lopes - Rondonópolis - União, REC e Vila Aurora
ARGENTINA:
Estádio Monumental de Nuñez – Buenos Aires – River Plate
Estádio La Bombonera – Buenos Aires – Boca Juniors
Estádio José Amalfitani – Buenos Aires – Vélez Sarsfield
Estádio Pedro Bidegaín Nuevo Gasômetro – Buenos Aires – San Lorenzo
Estádio Don León Kolbovski - Buenos Aires – Atlanta
Estádio Juan Carlos Zerrillo – La Plata – Gimnasia y Esgrima
Estádio Jorge Luis Hirschi – La Plata - ex-Estudiantes
Estádio Libertadores de América – Avellaneda – Independiente
Estádio Presidente Perón – Avellaneda – Racing Club
URUGUAI
Estádio Centenário – Montevideo
Estádio Luis Troccoli – Montevideoa – CA Cerro
Estádio Alfredo Victor Viera – Montevideo – Montevideo Wanderers
Estádio Luis Franzini Parque Rodó – Montevideo – Defensor Sporting
Estádio Jose Nasazzi – Montevideo – Bella Vista
Estádio Mendez Piana – Montevideo – Miramar Misiones
Estádio Jardines Del Hipódromo – Montevideo - Danubio
Estádio Campus Municipal – Maldonado – Deportivo Maldonado
Estádio Atílio Paiva – Rivera – Rivera Livramento
COLÔMBIA
Estádio Atanásio Girardot – Medellín – Nacional e Independiente
ESTADOS UNIDOS
Estádio Orange Bowl - Miami
MÉXICO
Estádio Azteca – Cidade do México – Necaxa e América
COSTA RICA
Estádio Nacional – San Jose
Estádio Ricardo Saprissa – San José – Deportivo Saprissa
Estádio Alejandro Morera Soto – Alajuela – Liga Deportiva Alajuelense
Estádio Rosabal Cordero – Heredia - Herediano
ESPANHA
Estádio Santiago Bernabeu – Madrid – Real Madrid
Estádio Vicente Calderón – Madrid – Atlético
Estádio Teresa Rivero – Madrid – Rayo Vallecano
Estádio Camp Nou – Barcelona – Barcelona
Estádio Miniestadi – Barcelona – Barcelona B
Estádio Sarriá – Barcelona – Ex Espanyol
Estádio Olímpico de Montijuic – Barcelona – Espanyol
ITÁLIA
Estádio Olímpico – Roma – Roma e Lazio
Estádio Giuseppe Meazza – Milão – Milan e Inter
Estádio Delle Alpi – Turim – Torino e Juventus
Estádio Ennio Tardini – Parma – Parma
Estádio Artemio Franchi – Florença – Fiorentina
Estádio Romeo Anconetani – Pisa – Pisa Cálcio
Estádio Pierluigi Penzo – Veneza – Venezia
FRANÇA
Estádio Parc des Princes – Paris – Paris Saint Germain
PORTUGAL:
Estádio da Luz – Lisboa – Benfica
Estádio do Restelo – Lisboa – Belenenses
ALEMANHA:
Estádio Olímpico – Munique – Ex. Bayern e 1860 Munich
Estádio Olímpico – Berlim – Hertha
BÉLGICA
Estádio du Heysel – Bruxelas
HOLANDA:
Estádio De Meer – Amsterdam – Ex Ajax
HUNGRIA:
Estádio Nacional – Budapest
Estádio Üllöi Uti – Budapest – Ferencvaros
ESLOVÁQUIA
Estádio Tehelné Pole – Bratislava – Slovan
Estádio Pasienky – Bratislava – Inter
INGLATERRA
Estádio de Wembley – Londres
AUSTRIA
Estádio Lehen – Salzburg – Áustria Salzburg
MÓNACO:
Estádio Louis II – Mónaco – AS Monaco
SUIÇA
Estádio Letzigrund – Zurique – FC Zurich
Estádio Hardturm – Zurique – Grasshopper
Estádio de Gèneve – Genebra - Servette
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