9.9.05

Um amador no RJ


Sempre me senti um pouco alienígena por não conhecer o Rio de Janeiro. Acho que todo o meu círculo de amizade conhece o Rio de Janeiro, os melhores restaurantes, as melhores praias, as melhores baladas... Sempre boiei quando o assunto era Rio de Janeiro. Já fui ao Rio de Janeiro quando tinha 8 anos de idade e a lembrança mais significativa que tenho de lá é de uma onda arrastando meus soldadinhos de plástico com os quais eu brincava na areia de uma daquelas praias que não me lembro o nome... Perdi pelo menos uns 6 soldadinhos.
Voltei ao Rio em 1982 para ver a final do Brasileirão entre Grêmio e Flamengo no Maracanã. Fui do aeroporto para o estádio e do estádio para o aeroporto. Tenho boas lembranças do Maracanã lotado com quase 130 mil pessoas. Mas continuava sem conhecer o Rio.
No ano passado, o Serginho Schueler (assessor de imprensa do Grêmio) me chamou e disse:
- O time “B” do Grêmio vai fazer um amistoso no Rio contra o Botafogo e tu vais como assessor de imprensa já que tenho que ficar aqui com o time principal.
Puxa vida! Finalmente vou conhecer o Rio.
A delegação gremista chegou às 16h no aeroporto Tom Jobim. Não fosse a demora do ônibus para nos buscar, poderia observar melhor a beleza da cidade, mas saímos de noite do aeroporto... Ficamos lá umas 3 horas esperando. Mesmo assim, fui curtindo a viagem até chegarmos ao hotel Othon, em Copacabana (foto acima). Um “puta” hotel. O maior prédio a beira-mar. Deixei a mochila no quarto e saí para caminhar. Nem acreditei.
No dia seguinte, acordei às 6h e saí para caminhar. Fui de uma ponta a outra de Copacabana. Se soubesse que Ipanema era ali do outro lado, aproveitava para dar um pulinho ali para conhecer, mas fiquei sabendo disso tarde demais e tinha que permanecer com a delegação. Deixamos o hotel no início da tarde e fomos para Niterói onde seria o jogo contra o Botafogo. Legal atravessar a ponte... Zanzamos durante aproximadamente uma hora até o motorista do ônibus conseguir achar o estádio Caio Martins. Nem mesmo a derrota de 4 a 1 foi suficiente para estragar o passeio.
No início desse mês o Assis chegou pra mim e disse:
- Tu vais comigo ao Rio amanhã. Marquei uma reunião pra nós. O vôo sai ás 7h e tu volta ás 20h.
Beleza!

Coloquei uma beca e cheguei cedo ao aeroporto. Chegamos por volta das 9h na capital carioca e tivemos que esperar o motorista ir buscar o carro blindado para nos levar até a Barra da Tijuca onde a família tem um apartamento na beira da praia (foto ao lado). Um show... A sacada é maior que a minha casa. A reunião foi lá no ap. mesmo. O almoço numa fantástica churrascaria que tinha desde feijoada até sushi. Tudo 0800, sem precisar colocar a mão no bolso.
Voltando caminhando do restaurante, fiquei parado olhando para um coqueiro que, surpreendentemente, tinha cocos pendurados. Aqueles cocos verdes que a gente toma ali no Parcão. Foi então que me dei conta que nunca tinha visto um coqueiro com coco pendurado. Foi um choque pra mim... E acho que foi um choque para os outros que estavam juntos.
Às 17h o motorista me levou para o aeroporto no carro blindado. Uma máquina. Aproveitei para fazer um tour pela cidade e ele, pacientemente, foi me mostrando os possíveis pontos turísticos já que o caminho não era lá muito repleto de lugares conhecidos:
- Esse é o túnel “tal”. Disse ele enquanto cruzávamos um baita túnel. O maior que já passei de carro em toda a minha vida (na Europa, de trem, passei por túneis absurdos). No final dele tinha um pedágio que o motorista comentou que deveria ser o único pedágio existente no Brasil em uma zona urbana. Realmente não estávamos em uma rodovia.
- Aqui fica o Complexo do Alemão, aqui a Favela da Maré, nós estamos na Linha Amarela, vamos pegar a linha vermelha para entrar no aeroporto.
Hum, viagem interessante...tomara que apareça outra destas...mas quero ir no Pão de Açúcar, Corcovado e Ipanema...aí sim vou poder dizer que conheço o Rio de Janeiro. Em pedaços, mas conheço.

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