24.10.05

Iguatemi - 22 anos


Outro dia estava relembrando a primeira vez que fui no Shopping Iguatemi, aqui em Porto Alegre. Apesar de acompanhar todo o desenvolvimento da obra assim como ter participado da inauguração da continuação da avenida Nilo Peçanha (que na época terminava no colégio Anchieta), levei algum tempo para enfrentar a multidão que lotava aquele centro de compras e lazer, na época o maior do sul do Brasil (não sei se continua sendo). Acho que minha primeira visita foi uns 3 ou 4 meses depois de sua abertura. Eu e o Cristiano Pacheco decidimos não pegar uma lotação que nos deixaria na frente do shopping e fomos caminhando. Um caminho absolutamente deserto. Apenas areia e mato durante todo o trajeto. Me lembro de caminhar ao lado da faixa pois não existia calçada até lá.
Eu e o Cristiano repetimos esse caminho centenas de vezes durante alguns anos, de bicicleta, a pé ou de skate, acompanhando o desenvolvimento imobiliário da região.
Difícil esquecer a grandiosidade da Sandiz, loja âncora na entrada pela Nilo Peçanha. Foi ali que tive meu primeiro contato com o Iguatemi. Logo na entrada, ao lado das escadas rolantes, havia um quiosque de balas de todos os tipos. Enchíamos um saquinho e pagávamos por peso. Seguindo pela esquerda, sempre parávamos no setor dos discos e fitas. Ali comprei um disco da Blitz que vinha com as duas últimas faixas arranhadas a mando da censura. Aquilo pra nós era uma maravilha. Tentávamos escutar de qualquer maneira, sem sucesso. Na Sandiz também comprei minha primeira mesa oficial de botão e dei adeus ao Estrelão. Uma mesa gigantesca de compensado com o gramado artesanalmente pintado em faixas de verde claro e verde escuro alternadas.
Saindo da Sandiz, ficávamos esperando o relógio de água completar uma hora redonda ou entrávamos na Couroesporte que ficava ao lado. No outro lado do shopping, junto às escadas rolantes, ficava a entrada da Renner. A loja, que começava ali, passava por trás de outras lojas e terminava na outra estremidade, no “fim do shopping” como nós chamávamos. Ali tinha um videogame onde íamos jogar Olimpíadas. Um jogo que para dar velocidade aos corredores, saltadores ou arremessadores, tínhamos que apertar dois botões alternadamente. Quanto mais rápido apertávamos os botões, mais rápida era a velocidade. Praticamente destruíamos as máquinas de tanta porrada que dávamos. Depois o Atari lançou um joguinho parecido chamado Decathlon mas aí destruímos os controles de tanto mexer o joystick de um lado para o outro.
Na praça de alimentação, nosso local preferido era um lugar (não lembro o nome) que imitava o McDonald´s com hamburguers e batata-frita. Aliás, o Mc Donald´s atual do Iguatemi na parte de baixo fica exatamente no local desta lanchonete.
Depois do lanche, íamos olhar os LPs na Breno Rossi
Em 1986 o Iguatemi teve participação especial em uma das maiores emoções da minha vida: foi quando matei aula pela primeira vez para ver Alemanha x Dinamarca pela Copa do Mundo do México. Um painel com dezenas de monitores de TVs havia sido colocado na praça de alimentação. Gostei tanto da experiência que repeti centenas de outras vezes.

Saudade deste tempo. Hoje o Iguatemi segue sendo uma maravilha mas sem o romantismo de outrora. Acho que estou ficando velho.

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