29.12.06

2007

Acho que esse é o último post de 2006.
Foi um ano intenso.
Ligeiramente bizarro.
Apesar de tudo, não tenho do que reclamar.
Porém, tudo indica que 2007 será extremamente agradável.
Meu feeling indica.
Nem sempre ele funciona, mas, desta vez, espero que sim.
Uma excelente passagem de ano pra todos vocês.
Estarei na praia de Atlântida (foto) até segunda-feira.
Quem souber o caminho, está convidado(a) para fazer uma visita.
Tenho certeza que serão muito bem recebidos por Juçá e Luiz Nei.

28.12.06

COLORADOOOOOO!!!



Dá-lhe campeãooooo do muuuundo!!!

Em cartaz: "O Filme da Minha Vida"

Todos nós, alguma vez na vida, fazemos coisas das quais nos arrependemos.
Umas mais graves outras menos.
Umas por imaturidade. Em certas fases onde o grau de influência dos outros sobre nossos atos é maior.
Outras, por excesso de maturidade, auto-suficiência.
Bem ou mal, estes “erros” irão nos acompanhar pelo resto da vida e, dependendo como eles forem encarados, poderão (ou não) trazer reflexos sobre nosso desenvolvimento como seres humanos.
Já li em revistas matérias de pessoas que foram dadas como mortas mas, por milagre, acabaram voltando.
Na maioria dos depoimentos, contam que, durante o processo, passamos por um flashback de coisas boas e ruins que realizamos durante nossa existência.
Um filme de nossas vidas.
Ontem, num exercício quase que psicoterapêutico de reflexão que costumamos a fazer nos finais de ano, tentei enumerar as coisas ruins que fiz durante estes quase 35 anos e que, certamente, estariam presentes nesse filmezinho.
Lógico que não são tão poucas, mas, estas citadas abaixo, considero our concour e me arrependo delas (o que já é um começo para não repeti-las):

* Já fiz arremesso de gato à distância girando o bichano pelo rabo.
* Já coloquei pintinho no vaso e dei descarga.
* Já roubei gibi de uma banca de revista na Cobal.
* Já pichei muro da casa de um colega.
* Já atirei um tijolo num senhor de idade.
* Já caçoei de aleijado e deficiente mental.
* Já comprei coisa roubada mais barata sabendo que era roubada.
* Já fiz piadas racistas.
* Já peidei na frente do ventilador.
* Já roubei hóstia de igreja e comi com patê.
* Já chacinei formigas.
* Já abandonei um gatinho (mas com comida e água).
* Já disse “já vai tarde” para uma pessoa que morreu.
* Já ri em velório.
* Já dei tiro de arma de pressão pela janela nas pessoas que passavam na rua.
* Já atirei ovo em policial.
* Já me escondi e assustei pessoa idosa (por sorte, não cardíaca).
* Já traí.

Será que tenho alguma chance de ir para o céu?
Quem nunca fez coisa desse tipo, que atire o primeiro tijolo.
Só cuida pra não acertar o senhor de idade.

27.12.06

Instituto Ronaldinho Gaúcho


Com tudo que passou na vida, apesar de ser o que é hoje, sempre me penalizei pelo Ronaldinho não conseguir extravasar toda a emoção que tem dentro dele de outra forma que não seja jogando futebol.
Convivendo com ele desde 1998 e trabalhando diretamente há quase dois anos, foi a primeira vez que o vi derramar lágrimas.
Acho que a família também não está acostumada com o fato e também chorou junto.
Até eu me emocionei.
O lançamento do Instituto Ronaldinho Gaúcho, na zona sul de Porto Alegre, foi um verdadeiro sucesso.
O projeto é grandioso e está sendo muito bem estruturado, pelo menos fisicamente falando.
O local é excelente, os campos maravilhosos, as obras estão em fase de acabamento e, o principal, a idéia é valorosa.
Já me coloquei à disposição.
É um trabalho que vale a pena.
Sem dúvida.
Podem dizer o que quiserem (e normalmente quem diz está de fora), mas o cara merece tudo de melhor.

Resquícios do Natal

Como se já não bastasse o inchaço que a gente fica de tanto comer e beber no Natal ainda tem os dias posteriores e as inevitáveis sobras.

25.12.06

Gingoubéu!

Estava condenado a passar meu natal em casa.
Sozinho.
Abandonado.
Crianças com a ex.
Pais na casa da sogra da Leila.
Nada a ver.
Recebi convite dos meus dois irmãos Pfeiffer e Marcelo para passar com eles.
Fiquei honrado, mas considero o Natal uma festa demasiadamente familiar para chegar de intruso.
O que parecia certo, acabou não se concretizando.
No final, fui brindado pela companhia da Juliana.
Uma mulher especial.
Tudo que eu queria para aquele momento.
Apesar da distância, acho que nunca passei um Natal tão bem acompanhado.
Felicidades para todos.
Principalmente pra mim.
Eu mereço.

23.12.06

O Beijo - o desespero de uma criança




Um mergulho na leitura

Incentivado pelos meus pais, desde pequeno sempre tive o gosto pela leitura.
Na minha casa, 90% dos armários ou prateleiras são adornados por livros e mais livros.
Dificilmente ficava uma noite sem ler algumas páginas.
Um hábito que me acompanhou pelo menos até o dia em que me casei.
Sempre necessitei de um ritual para ler.
Não consigo ler livros no trabalho, no ônibus, no trem, ou onde quer que seja que não exista tranqüilidade e silêncio.
E meu silêncio e tranqüilidade acabaram depois do casamento.
Meu único lugar de leitura passou a ser o banheiro da casa.
Quando vieram as crianças, então, nem se fala.
Nem no banheiro eu conseguia mais.
Aos poucos fui desistindo da leitura já que todas as tentativas acabaram sendo em vão.
Em praticamente 10 anos, devo ter lido uns dois livros, no máximo.
Depois da separação, decidi retomar este hábito saudável já que nada mais me impedia.
Cheguei a devorar o Código da Vinci em uma semana.
Mas parei por aí.
Esbarrado nos problemas de infra-estrutura: um colchão no chão e a falta de uma luminária.
Consegui até enjambrar alguma coisa, mas minha visão começou a ficar prejudicada.
Na quinta-feira, ao chegar em casa, deparei com uma cama no meu quarto.
Isso mesmo!
A Juçá havia comprado uma cama pra mim.
Com cabeceira e tomada para uma luminária.
Com gaveta para guardar os sapatos.
Agora não tenho mais desculpas.

Por favor, neste Natal, me presenteiem com livros.

22.12.06

Véspera de Natal com a Duda

Eu no computador.
Duda mexendo na gaveta dos livros:
- Pai! Lê um livrinho pra mim?
- Agora o pai tá no computador. De noite eu leio. Tá bom?
- Tá.
(...)
- Pai.
- Que filha?
- Sabe o que eu descobri?
- Não, filha. O que?
- Que todos os meninos gostam de mulher pelada. Tu gosta também?
...
- Quer que eu leia essa estorinha aqui do "Jacarezinho Mandão"?

***

Festa de natal na escola da Duda.
No final das apresentações, Papai Noel entra no ginásio.
Procuro a Maria Eduarda no meio das crianças e ela tá em lágrimas.
Achei estranho.
Ela veio me abraçar.
- O que foi filha? Tu nunca tivesse medo do Papai Noel.
- Não tô com medo, pai (soluçando).
- O que houve então, amor?
- Emoção, pai. Emoção.

Haja coração.

Assunto de economia interna

Eu na cozinha preparando suco.
Juçá e Luiz Nei jantando.
Luiz Nei começa o massacre:
- Recebeu tua restituição do imposto de renda?
- Recebi.
- Tá com dinheiro então, hein!
- Aham.
Não se contendo, Juçá tem que proferir a velha frase que faz parte daquela lista-de-frases-que-têm-que-ser-ditas-pelas-mães-caso-contrário-não-seriam-mães:
- Não me vai torrar esse dinheiro.
Tem noção de quantas vezes escutei essa frase?
Lógico que não chega nem perto da “come devagar meu filho que a comida não vai fugir”, mas deve ficar em segundo lugar.
- Tá bom. Nem tenho com que gastar.
- Vai sair por aí comprando camisa da Ellus. Até tuas cuecas são da Ellus.
- E daí? To investindo em mim.
- Mas não precisava investir em uma loja onde cada camisa sai 80 reais.
- Tu não tem noção mesmo. Hoje em dia, uma camisa em qualquer loja não sai por menos que isso. Se tu ficas orgulhosa de usar roupa de quando tinha 15 anos, eu não fico. Já bastam meus óculos.
Luiz Nei, até então só escutando, não se agüenta:
- Lá na Voluntários da Pátria tu consegue camisa por R$ 10,00. É onde eu compro.
(pausa para assimilação)
- Ah! Que bonito! Tu já é um homem casado há 40 anos, com filhos formados, no fim da vida, não tem com que se preocupar.
- O que tu quer dizer com isso?
- Nada. Além do mais não to a fim de virar chacota da turma.
- Que turma?
- Ué? Meus amigos.
- Pois esse é o problema. Tu tens que arranjar amigos do teu nível. Não pode ser amigo de executivos, donos de empresa... tu tens que ter amigos “chinelão”.
- Grande! Tomara que um dia eu possa dar conselhos tão proveitosos assim para meus filhos.
- Deixa que eu dou.

Preciso acelerar o processo pra alugar um apartamento.

21.12.06

No lugar errado

Melissa entregando as cestas de natal no Departamento de Marketing.
Eu, na porta, observando, sinto uma coisa estranha no peito:
- Acho que vou ter uma parada cardíaca.
- Que horror, Márcio! Por que isso?
- To sentindo uma coisa estranha aqui no coração.
- Deve ser um pum. Sabia?

Uia.
Como ele foi parar lá?

Mantendo a forma


Hoje fui chamado ao gramado principal do Olímpico para dividir com os atletas dos juniores minha habilidade com o esférico.

Na foto, ensino o zagueiro Caçapa a fazer embaixadas.

E não foi a primeira vez que jogadores precisaram da minha ajuda para se qualificarem tecnicamente:

20.12.06

Daniel and his tits

Não me lembro ao certo, mas na sétima ou oitava série do Anchieta, tive um coleguinha americano.
Entrou na turma no meio do ano letivo.
O nome dele era Daniel (leia-se Déniel).
Tadinho.
Caiu de pára-quedas numa sala de aula sem saber falar absolutamente nada de português.
A diretora chegou a conversar com a turma pedindo compreensão e para que ajudássemos na adaptação.
Em vão.
Judiação.
Daniel era o típico menino americano daquele filmes da Sessão da Tarde sobre nerds: branquelo, cabelo vermelho, sardento, desengonçado, tímido e ficava com as bochechas vermelhas quando envergonhado. Ou seja, quase sempre.
Não demorou para se transformar na chacota da classe.
Todas as brincadeiras eram direcionadas ao Daniel.
Ele não reagia.
Não era de sua natureza.
Ficava quietinho.
Sorrindo sem graça, envergonhado.
Claro, não estava entendendo nada.
Tinha muita pena dele e, até por isso, não participava desse massacre.
Pelo contrário.
Tentava uma aproximação utilizando o meu precário inglês (na época era pior que hoje).
Não adiantava.
Acredito que o pior momento de Daniel era durante as aulas de educação física.
Não apenas pela inabilidade constrangedora para o futebol (soccer) como por outro problema extremamente delicado: jogar no time sem camisa.
E não é só pela timidez natural de ficar sem camisa na frente dos colegas.
Daniel tinha um problema.
Ele tinha seios.
Pasmem leitores.
Um volumoso par de úbere.
Delicadas mamicas rijas e rosadas.
Certamente alguma coisa relacionada às mudanças hormonais comuns na puberdade, excesso de estrógeno ou algum caso de transmutação sexual.
Só sei que naquela época ninguém procurou saber as causas científicas.
E nem interessava.
Pois os seios do Daniel viraram o principal tema das conversas do colégio.
Volta e meia ele era presenteado com um delicado sutiã escondido dentro da mochila.
Em resposta, sorria sem graça.
Daniel não agüentou a pressão.
Deixou a escola depois de dois meses.
Não sei se voltou para os Estados Unidos.
Não sei se tentou o suicídio.
Só sei de uma coisa:
Daniel marcou minha vida.
Foi o dono dos primeiros seios que vi na minha pré-adolescência.

Este post é em homenagem ao Daniel.
Onde quer que esteja.

19.12.06

Trote

Telefone lá da sala toca hoje, de manhã cedo.
Eu atendo (voz de sono):
- Alô.
- Da onde é?
- Assessoria de Imprensa do Grêmio.
- Queria uma informação.
- Pode perguntar, amigo.
- Que horas chega o vôo do campeão do mundo em Porto Alegre?
(pausa para assimilação)
- No momento o piloto tá comendo tua mãe, deve decolar assim que acabar...
- tu...tu...tu...tu

Coisa linda essa rivalidade saudável da dupla Gre-Nal.

Percepção

Depois de passearmos um tempão por uma feira na Av. Paulista eis que a Ju me dá de presente uma camisa com a foto do Chaves escrito “isso, isso, isso” e “ninguém tem paciência comigo”.

- É a tua cara!

Acho que fiquei feliz por ter conseguido transmitir o que realmente eu sou.

Varig de outrora

O caos aéreo que toma conta do país não poderia deixar de atingir meu vôo com destino a São Paulo, no último final de semana.
Com o embarque marcado para as 7h, cheguei no aeroporto Salgado Filho uma hora antes, como manda o rodenir.
Meia hora depois, já estava embarcando na aeronave.
Quando me dei conta, eram 6h56 quando o avião decolou.
Conseguem perceber a gravidade da situação?
O que eu vou fazer com as revistas, palavras cruzadas, salgadinhos, saco de dormir e tudo mais que comprei para diminuir meu tempo de espera na sala de embarque?
Onde já se viu um avião levantar vôo com quatro minutos de adiantamento?
E onde estavam as aeromoças com os nervos à flor da pele, mau-humoradas em revoltadas?
Que nada.
Todas simpáticas, agradáveis, educadas, bem maquiadas, cabelos arrumados e, o principal, todas gostosas e de bocas carnudas.
E a refeição?
Bom, tomei um café da manhã reforçado esperando a barrinha de cereal de coco e a Coca Cola quente.
O que veio?
Um delicioso sanduíche quente com frutas frescas da estação.
Muito bom.
E pra terminar, o pouso, previsto para as 8h26, tocou o solo às 8h18.
Uma barbaridade.
Já estou procurando um advogado para entrarmos com uma ação contra a Varig.
Esse desrespeito com o cliente não pode continuar.

18.12.06

Êxtase

Algumas pessoas já me perguntaram se não vou fazer nenhum post sobre a viagem a São Paulo.
Juro que não consigo traduzir em palavras tudo que vivi neste final de semana.

Portanto, deixa quieto.

Eu fazia

Final da manhã de domingo.
Meu celular toca.
É o Marcelo:
- Tu é foda, mesmo! Vai te foder.
- O que foi, meu? Tá louco?
- Como é que o Ronaldinho me erra aquela falta no finalzinho?

Vou avisar ao Marcelo, e aos outros passionais de plantão, que eu só trabalho pro Ronaldinho.
Isso não quer dizer que eu seja o Ronaldinho.
Até porque se eu fosse o Ronaldinho...
Aquela falta tinha entrado no ângulo.

Bujumbura: meu lar

Cheguei em Kigoma, na Tanzânia, por volta das 9h da manhã.
Um representante da ONU, que possui um escritório no aeroporto, me informou que a melhor maneira de chegar a Bujumbura, do outro lado do rio, seria por ferryboat.
Bujumbura, capital do Burundi, possui cerca de 300 mil habitantes, e é uma das capitais mais pobres do continente africano.
A viagem durou cerca de 3 horas.
O campo de refugiados tutsis, meu destino final, ficava a 8 horas de viagem em direção ao interior do país.
Cheguei por volta das 21h e fui recepcionado pelo chefe da missão de paz da ONU, um belga muito simpático chamado Pierre Besuisan.
De imediato, ele me levou até um dos lideres do campo para conhecer um pouco mais do funcionamento e de como me comunicar com os nativos.
Ngomo Boguru, um negrão de quase dois metros de altura, é uma das figuras mais simpáticas que conheci.
Não fala o francês, mas com a ajuda de um interprete consegui entender o Kirundi, idioma oficial do Burundi.
Boguru me explicou que desde o início da guerra civil no país, os hutus praticamente exterminaram a minoria da população tutsi em verdadeiros massacres.
Restam ainda alguns campos de refugiados espalhados pelo país e protegidos por missões de paz das Nações Unidas.
Abrir mão da minha vida no Brasil e ajudar nas negociações para um processo de pacificação no Burundi nunca esteve nos meus planos.
Mas ficarei um bom tempo neste país tão distante e tão isolado do resto do mundo.

Pelo menos até as coisas se acalmarem em Porto Alegre.

14.12.06

Criando o bicho solto

Eu guardando as minhas roupas no armário.
Juçá na porta do quarto:
- Quando tu vais pra São Paulo?
- Na sexta.
- Já compraste cuecas?
- Pra que cuecas?
- Não me diz que tu vais viajar com estas cuecas langanhentas?
- Hum.
Deixei prevalecer a sabedoria materna (e feminina) e ontem fui ao shopping resolver esse problema.
Ao não saber em que loja procurar, me dei conta que, em quase 35 anos de vida, jamais havia comprado cuecas pra mim.
Pode uma coisa dessas?
Nenhuma cuequinha.
Sempre a mamãe, as namoradas, a esposa...
Aliás, minha relação com cuecas começou muito tarde.
Na idade em que já tinha discernimento para escolher as coisas, decidi não usar cuecas.
Essa decisão durou até cerca dos 12 ou 13 anos.
Quando, sem muita opção, tive que aprisionar “opção”.
Não foi uma decisão deliberada.
Houve uma influência dos colegas que escolheram a brincadeira de baixar as calças dos amigos como o grande divertimento do verão.
Coisa sem graça.
E pra não pagar o mico de ficar peladão em sala de aula, tive que me proteger de alguma forma.
Já mais adulto, foram as mulheres que começaram a brincar de querer baixar minhas calças.
Bom, mas aí já é outra história.

Seja como for, se por algum motivo eu acabar tendo que ficar de cuecas em plena São Paulo, pelo menos elas não serão langanhentas.
Agradeçam à Juçá.


Silence is golden?

Acredito que um dos principais problemas da humanidade seja a falta de diálogo entre as pessoas.
Começou em Babel, com a construção da tal torre para que os moradores locais pudessem tocar o céu.
Irritado com tamanha ousadia, Deus teria feito cada construtor falar uma língua diferente impossibilitando o entendimento entre eles.
Seria a origem dos idiomas do mundo, segundo o Gênesis.
Alguém que pensava assim também, criou o Esperanto, no final do século XIX.
Um idioma artificial com o objetivo de estreitar a relação entre os povos. Não deu muito certo.
Filhos ficam dias, meses, anos, sem falar com seus pais.
Sofrem em silêncio corroídos pela mágoa, a tristeza, a dor.
Quando uma simples palavra, um simples “eu te amo” ou “obrigado” poderia resolver tudo.
Amores terminam (ou nem começam).
Minados por mal-entendidos.
E por que?
Porque não conseguem sentar e conversar.
Não conseguem olhar um no olho do outro.
Porque o olho é o espelho da alma.
Diz coisas sem precisar pronunciar palavras.
Talvez seja esse o problema.
Quem lê este texto, pensa que sou um exímio orador.
Um ás da retórica.
Mas não.
Pelo contrário.
Sou alguém que sofre (e sofreu) pela falta da capacidade de dialogar.
Talvez por isso minha incursão no jornalismo.
Apesar de conseguir colocar minhas idéias em um texto de forma clara (assim penso eu), tive que meter a cara para fazer televisão e rádio.
Ajudou bastante.
Eis que surge a internet e os chats, os programas de mensagens instantâneas.
Teoricamente para facilitar a vida das pessoas.
Evidente que foi uma mão na roda para os tímidos.
Para aqueles com dificuldades de encarar um olho no olho.
Porém, trouxe outros problemas.
Um excesso absurdo de mal-entendidos.
Mal-entendidos que não existem na comunicação oral.
Onde há a entonação da voz, a forma de colocar as frases, a ironia num sorriso, num levantar de sobrancelha ou até mesmo numa bochecha corada.
A comunicação corporal.
Surgiram as carinhas (ou emoctions), alguns sinais gráficos para demonstrar emoção.
Mas não são suficientes.
Sempre é necessário contar com a percepção e a sensibilidade de seu interlocutor.
E nem sempre isso acontece.
Ainda não achei a medida certa.
Já perdi amizades.
Posso ter até perdido algum amor, quem sabe?
Seja como for, ainda prefiro que isso aconteça olho no olho.
Doa o que doer.

E dói.

13.12.06

Trouxa

Loba em pele de cordeiro.

Acho que já sou bem grandinho pra continuar caindo nessa.

É o que me resta


Valeu Fred!

Pergunta que não quer calar:

Existe futebol no Egito?

12.12.06

Pipoca e ovo frito

Quando eu era adolescente, a Juçá apareceu em casa com uma panela de fazer pipoca.
Eu, que já sabia fritar ovo, virei um expert em pipoca.
Minha pipoca era a melhor da cidade.
A pipoca doce então, nem se fala.
Mas não era pipoca doce feita em casa.
Era aquela pipoca doce de rua.
Vendida no parque.
Um pipoqueiro me ensinou o segredo.
Me fez prometer jamais revelar.
Fazia a alegria dos amigos que matavam aula no Anchieta e atravessavam a rua pra me visitar.
Sei que no fundo eles queriam provar da minha pipoca.
E eu fazia com muito orgulho.
Aos poucos, com o advento das pipocas de micro-ondas, minha fama foi diminuindo e hoje é apenas uma lenda.
Apesar de tudo, aposto que as pessoas que tiveram o privilégio de provar da minha pipoca, hoje em dia são adultos muito mais felizes e realizados.

***

Infelizmente, minha incursão no mundo dos fogões ficou apenas na pipoca, como prova o diálogo abaixo:
Luiz Nei lavando louça.
Eu revirando a geladeira atrás da panela de arroz.
- Onde tá o arroz?
- Acabou.
- Tem que fazer mais.
- Então faz.
- Mas eu não sei fazer.
- Qualquer debilóide sabe fazer arroz.

Jantei pãozinho Seven Boys com patê.

Encontros reais num mundo virtual

Apesar de encontrar na internet a possibilidade de ampliar meu leque de amizades (e isso é fato), sempre sinto a necessidade de levar essa relação mais adiante do que ficar meramente na amizade virtual.
Minha primeira experiência nesse sentido foi em 1995.
A Internet ainda engatinhava quando conheci a Salete e a Tânia.
Não existiam chats ou MSN.
Apenas e-mail.
Começamos a nos corresponder e não demorou para eu estar passando os finais de semana em Farroupilha.
Conheci muita gente legal apesar de não mantermos mais contato.
Depois veio o blog e a presença de pessoas surgidas de sei lá onde.
Alguns comentários, daqui, outros dali.
Troca de MSN, indicação de amigos, um link na página de outro e lá começa uma nova amizade.
No aniversário da Dani conheci a Priscila e o Rodrigo.
Ontem tive o prazer de conhecer a Mônica (e ela achava que a gente podia não gostar dela... baita besta).
E de lambuja ainda conheci a Fabrícia. Que ainda não tinha lido, mas que já foi pra lista.
Também conheci mais um pouco a Priscila, que no aniver da Dani eu só tinha dado “oi”.
As gurias meio tímidas no início, mas depois da décima long neck já estavam dançando em cima da mesa do Café do Porto.
Uma loucura!
No fim de semana vou conhecer a Ju.
Pelo menos nessa vida a gente ainda não tinha se encontrado.
Bom, mas essa é outra história.
Ah!
Vocês devem estar perguntando qual o motivo dessa foto.
Acabei fugindo do tema.
Além das gurias dançando em cima da mesa, foi a atração da noite os cobertores que o lugar oferecia para quem sentava na rua.
Coisa de primeiro mundo.
Era só levantar o braço e pedir: “garçom, me traz um cobertor”.
Ainda que estivesse fazendo 30 graus naquela hora.
É duro ser chique.

Pinga ni mim

Ontem peguei o T7 no Praia de Belas.
Bem feliz que consegui sentar.
E na janela.
Foi o ônibus começar a andar que começou a pingar água do ar-condicionado bem no meu ombro.
Cada freada mais brusca, mais água caía.
Não tinha o que fazer.
Entre me levantar para ficar espremido no corredor e continuar ali recebendo água no ombro, optei pela segunda.
Tava calorzinho.
Ia servir pra me refrescar.
Na hora me lembrei de uma viagem que fiz de avião na ponte-aérea Madrid-Barcelona.
Um vôo da Ibéria.
Estava sentado no corredor.
Quando o avião tomou velocidade para decolar começou a pingar alguma coisa vinda do bagageiro bem encima de mim.
Bem na minha coxa direita.
Caráleo...
Era uísque!
Pensei: não vou ficar aqui sentado enquanto pinga uísque na minha calça.
O avião já estava a toda velocidade na cabeceira da pista e eu caminhando pelo corredor para espanto dos outros passageiros e pavor das aeromoças.
Uma delas (sentada num banquinho no fundo do avião e toda amarrada pelo cinto de segurança) berrava desesperada para que eu sentasse.
- Não vou sentar. Tá pingando uísque na minha calça. Acha que sou palhaço?
Falei assim mesmo em português.
Tava puto da cara.
E quando to puto da cara não tenho saco de falar em espanhol.
Passei toda a decolagem de pé, escorado na porta, de braços cruzados.
To nem aí.
Depois do avião estabilizado e de me arranjarem outra poltrona, sosseguei.
Ainda que tivesse ficado fedendo a uísque.
O pior foi ter que permanecer duas horas de cueca na lavanderia do albergue até que minha calça lavasse e secasse.

11.12.06

O Rio Grande do Sul jamais será o mesmo

Às vésperas da conquista do Mundial de Clubes pelo Inter (é duro admitir isso, mas eles vão ganhar), o Grêmio está completando 23 anos do maior título de sua história.
Apesar de ter apenas 11 anos, me lembro como se fosse ontem.
O jogo começando a meia-noite.
Os gols do Renato.
Minha mãe chorando ajoelhada sobre a cama após o fim da partida.
Eu, Luiz Nei e meu primo Rafael descendo no elevador do prédio para sairmos às ruas (não sei o motivo, mas me lembro perfeitamente da gente descendo no elevador).
Da festa, tenho uma vaga recordação de uma chuva de papéis picados que caía de um prédio na frente daquele monumento que tem no Parcão, na Goethe.
Um momento inesquecível e uma conquista que marcou pra sempre a minha vida.
É muito bom crescer, amadurecer e se tornar um adulto marcado pelo estigma de ser Campeão do Mundo.
E pensar que milhares de criancinhas coloradas esperam ansiosas por esse momento.
Não só as criancinhas.
Tem ainda toda aquela geração rubra que cresceu comigo e que, queiram ou não, acabou massacrada pelas duas Libertadores e o Mundial tricolor presa ao hiato do último título nacional de 1979 até hoje.
Está chegando perto.
Aquilo que nosso co-irmão sempre sonhou e aquilo que sempre povoou os pesadelos de nós gremistas por mais remoto que pudesse ser.
Pois eles conseguiram.
E apenas dois jogos separam o Internacional da consagração maior.
Mas não esqueçam de uma coisa: futebol é uma caixinha de surpresa.
Que frase mais alentadora!
São 11 contra 11.
Tudo pode acontecer.
E caso o Inter venha a perder para o Barcelona (ou até mesmo para o time da Cleópatra) uma tragédia se abaterá sobre a coletividade vermelha.
Milhares de criancinhas, seguidoras do Fernandão e do Gabiru, crescerão traumatizadas. Alheias aos consolos de seus pais, representantes de uma anteriormente fracassada geração de torcedores.
Vai ser um período de dor quase que infindável.
Terminando, talvez, em alguma outra ida do Inter ao Japão.
Daqui há 25 ou 30 anos.
Isso levando em conta que o Grêmio não tenha voltado antes... o que não está descartado.
Aconteça o que acontecer, no próximo domingo, dia da decisão, estarei bem longe de Porto Alegre.
Não. Não foi nada premeditado.
Quis assim o destino.
Só uma coisa é certa: quando eu voltar, o Rio Grande do Sul não será mais o mesmo.

Nem eu.

10.12.06

Campeão da Copa FGF


Grêmio 3 x 0 Ulbra
Campeão da Copa FGF.
Mais um troféu pra minha coleção.

Na foto, com o Haroldo e o Pedro, galera da assessoria de imprensa.

Para lembrar 1:
Para lembrar 2:

9.12.06

Possuídos

Hoje foi um dia estressante.
As duas crianças foram possuídas pelo capeta ao mesmo tempo e infernizaram o dia todo.
À noite tive que usar os serviços de um exorcista.
Um exorcista chamado “chinelos havaianas”.

Não tem nada melhor para tirar o diabo do corpo de uma criança.
Além disso, não soltam as tiras e não têm cheiro.

Luiz Nei e seus valores

Estou no quarto me arrumando.
Luiz Nei aparece na porta:
- Vai sair?
- Vou.
- Vai onde?
- Acho que no Ocidente.
- No Ocidente? Que barbaridade!
- Qual o problema?
- Lá é barra pesada.
- Não te preocupa. Eu também sou barra pesada.
- Que tu és um marginal eu sei. Mas não estou preocupado contigo, estou preocupado com o carro.

Nada como ser querido assim.
Ah! Acabei não indo.

8.12.06

Uma fofura

Não, não é a Maria Eduarda.
Sou eu mesmo.
No dia do meu aniversário de seis anos.
Coisa meiga.

Isso é roupa que se ponha numa criança?

7.12.06

Meu irmão, Ughini

Ontem saí com o Ughini pra tomar um chopp.
Grande Ughini!
Como não poderia deixar de ser, rolou a sessão nostalgia.
E nenhuma sessão nostalgia é tão boa quanto a nossa.
Bota nostalgia nisso.
Conheci o Ughini com cinco anos de idade.
Éramos colegas no Trenzinho Alegre.
Lá se vão 30 anos.
Com certeza é o amigo mais antigo que eu tenho.
Mesmo com o passar dos anos e a vida teimando em levar cada um para um lado, a amizade permaneceu e superou as agruras do tempo.
Os encontros foram diminuindo, as conversas também.
Cada um tocando sua vida, mas nunca deixando de saber da vida do outro mesmo que através dos amigos dos amigos dos amigos.
Que coisa bonita isso.

Dentre todas as histórias hilariantes lembradas ontem, predominou nossa inesquecível viagem para Disney World com 15 anos.
Era nossa primeira incursão rumo a liberdade.
Longe dos pais.
Passamos momentos divertidíssimos.

Entre uma Polar e outra, a lembrança destes três momentos abaixo foram responsáveis por algumas horas de gargalhadas intermináveis:

***

Comungando

O telefone do quarto ficava do meu lado, pois eu era o único que acordava de manhã cedo quando o guia ligava chamando para o início dos passeios.
Isso sempre se dava lá pelas 7h.
Me levantava, acordava o Ughini e o Guilherme, outro companheiro de quarto.
Numa destas, exausto, o Ughini se levantou e sentou na beirada da cama.
Fui ao banheiro, me lavei, coloquei as lentes e quando voltei pro quarto ele estava caído, desmaiado, com a boca aberta.
Juntei um maço de batata frita Pringles e coloquei bem devagar goela abaixo.
Num sobre-salto, ele se levantou, abriu os olhos esbugalhados e ficou me olhando com cara de apavorado (ainda com as batatas na boca).
- Calma, cara. Sou eu. Acorda aí.
- O que aconteceu? – falou cuspindo as batatas.
- Nada, tu tava dormindo e eu coloquei essas batatas na tua boca.
Achei que ele ia ficar puto da cara, mas foi o contrário.
Ficou maravilhado.
- Que impressionante!
- O que?
- Eu tava sonhando que estava na missa e o padre tava colocando a hóstia na minha boca

***

SeaWorld

Já estávamos sentados há duas horas assistindo aos diversos shows das baleias do SeaWorld.
Shows legais, mas cansativos.
No número final, a baleia Shamu balança sua calda acenando para o público.
Entre um bocejo e outro, olho para o meu lado e está o Ughini, com os olhos mareados, abanando em direção ao tanque de água.
Fora algumas crianças de 4 e 5 anos, o Ughini era o único a abanar.
- Cara, o que tu ta fazendo?
A resposta veio entre soluços.
- Dando tchau. Dando tchau...
Deixei quieto.

***

Sininho

Era nosso último dia na Disney World.
Havíamos chegado pela manhã e passado todo o dia curtindo as atrações.
A última, e a mais esperada delas, era a Disney´s Electrical Parade.
Um desfile de carros alegóricos com danças, músicas e todos aqueles personagens Disney.
Tudo muito bonito.
Para finalizar, antes do fechamento do parque, um impressionante show de fogos de artifício, jamais visto por nós.
No meio deles, a fada Sininho aparece atrás do castelo da Cinderela, sobrevoa o público e entra na janela de uma das torres.
Um efeito magnífico.
Olho para o lado e vejo o Ughini de boca aberta, soluçando, com as lágrimas escorrendo pelo rosto.
- O que é isso, cara?
Resposta em prantos:
- Imagina a minha mãe aqui... a minha mãe aqui.
Santa sensibilidade.
Bom, eu também tava com saudade de casa.

***

Abraço, Ughini!

5.12.06

Autumn in New York

Se eu pudesse escolher ser alguém que não fosse eu mesmo, provavelmente escolheria ser o Richard Gere.
O cara é presença pra caraleo.
Por enquanto me satisfaço em parecer um urso panda.

Putz.
Mais um momento gay.

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

A canção que tanto escutei em uma fase a minha vida passou a fazer sentido (e segue fazendo a cada dia) depois de ter meus filhos.
Estava sentado no McDonald´s ingerindo um McFish e sendo observado com ternura pela Juçá enquanto as crianças brincavam na pracinha.
Do nada, ela soltou:
- Come devagar que a comida não vai fugir.
Posso apostar que essa é uma das frases que mais escutei da minha mãe durante a minha existência.
- Estou prestes a completar 35 anos de vida e há mais ou menos 35 anos que tu repetes a mesma frase. Será que não percebeu que depois de todo esse tempo eu não vou modificar o meu jeito de comer? Portanto, é totalmente desnecessário gastar o teu latim me dizendo isso toda a vez que eu morder algum alimento.
Não sei se fui muito duro com ela, mas precisava proferir essa frase depois de tanto tempo tendo que escutar quieto a famosa expressão “Come devagar que a comida não vai fugir.”
Outro dia estava na mesa da cozinha jantando com a Maria Eduarda quando olhei pra ela e disse:
- Come devagar, filha.
Quando me dei conta, já era tarde demais.
Eu já tinha dito.
Nesse momento, consegui compreender o objetivo e a necessidade da Juçá em querer fazer com que eu ingerisse mais devagar os alimentos.
Minha intenção não era ruim.
Pelo contrário.
Talvez um excesso de amor ou de zelo.
Uma necessidade de mostrar que estou ali.
Que estou preocupado e que estou observando.
Nesse momento, pesou minha consciência de chamar de chata aquela mulher que me colocou no mundo e que ainda se preocupa um pouco comigo.
Bom, mas não é por isso que vou mudar minha maneira de comer depois de 35 anos.
Mas valeu a tentativa.

3.12.06

Sente a pose

Vai dizer que não é uma figura?!

Na piscina

Calorão em Porto Alegre.
Desci com as crianças para aproveitar a piscina do prédio.
Mártin parado na frente da escadinha da piscina pequena com os braços cruzados.
- Não vai entrar, filho?
- Não.
- Por que?
- Porque ali tem água.
- Claro que tem água! É uma piscina!
- Mas vai molhar meu calção.

>----->------>

Mártin:
- Pai. Posso mecer no teu celular?
- Não, Mártin.
- Puquê?
- Porque celular não é brinquedo. E estraga.
- Depois tu compra outro.
- Eu não tenho dinheiro pra comprar outro.
- Como que não? Tu tem uma carteira.

2.12.06

Aniversário da Daniella

No DNA, na Dona Laura.
Muito legal.
Fazia tempo que não via a Dani.
Minha amiga há pelo menos 15 anos.
Parecia um encontro de blogueiros.
Bom, na verdade acabou sendo isso mesmo.
Tive o prazer de conhecer a Pri e o Rodrigo, pessoas que visitam e comentam aqui, mas que ainda não tinha conhecido pessoalmente.
Só faltou a Mônica, que não conseguiu vir de Passo Fundo.
Justificável.
Depois do DNA ainda esticamos a noite no Dr. Jekyll Bar, eu e o Rodrigo.
Foi, no mínimo, “divertido”.
Cheguei em casa às 5h45.
Dá pra acreditar?
Quem vê pensa que sou tri baladeiro.
Pior não é isso.
Às 9h fui acordado por um barulho inacreditável.
Parecia uma britadeira furando o asfalto na frente da minha janela.
Abri a janela e... adivinha?
Tinham várias britadeiras furando o asfalto na frente da minha janela.
Uma obra da Corsan, sei lá.
Se eu soubesse que eles iam fazer isso, chegava em casa pelo menos uns 15 minutos mais cedo.

1.12.06

"Aqui do lado, Pederneiras"


Quem assistiu ao vivo não esquece.
Eu não esqueci.
Um abraço ao meu amigo gremistão Frederico Fagundes que descobriu essa relíquia.

Ingenuidade infantil (assim espero)

Eu me arrumando.
Mártin pulando em cima da minha cama:
- Paiê!
- Que, filho?
- Sabia que eu tenho dois namoladus?
Engasgo.
- Tu tem dois namorados??
- Tu e o vovô Nei.

Não sei se respiro aliviado, se acho uma gracinha ou se me preocupo com o futuro.

A Senhora do Tempo

Cedo pela manhã.
Leio jornal na cozinha.
Juçá, sem as lentes de contato, tenta acertar seu relógio:
- Que horas tem no teu?
- 8h26.
- Tá errado. Ta atrasado.
- Ah é? E por que o MEU tá atrasado?
- Porque o teu tá igual a esse aqui. – apontando pro relógio da parede.
- E só por que o meu tá igual a esse quer dizer que ele tá atrasado?
- Claro. Porque ESSE tá atrasado.
- Isso não justifica. Acertei meu relógio pela Rádio Gaúcha. E como a RBS manda no Rio Grande do Sul, a hora da Gaúcha é a mais certa de todas.
- Nada disso. A hora mais certa de todas é a hora que tu acertas pelo telefone.
- E posso saber por que a hora do telefone é mais certa do que a da Rádio Gaúcha, mais certa do que a do meu relógio e mais certa do que a do relógio da parede da cozinha?
- Fácil: porque é a hora que tá no MEU relógio.

Nada como dialogar com a dona da razão.
Não sei nem por que tava acertando a hora então.

30.11.06

Lugar de mulher

Já era madrugada quando zapeando a TV do meu quarto parei no Sportv.
Uma matéria sobre futebol feminino.
A comentarista Milly Lacombe estava lamentando o tamanho das dimensões dos campos de futebol e que isso prejudicava na qualidade das partidas entre mulheres.
Que todos os estádios de futebol deveriam adaptar gramados, goleiras e bolas para facilitar a vida das mulheres.
Aham.
Grande idéia.
Imagina ter que diminuir o tamanho dos gramados, das goleiras e das bolas toda a vez que o time feminino fosse entrar em campo?
Coisa tão simples.

É por essa e outras que mulher não deveria se meter no futebol.
Muito menos se meter a comentar em programas esportivos na TV.
Tenha santa paciência.

Bola sete na caçapa do fundo

Prazeres da gula

Hoje, meio que ocioso depois do almoço, comecei a pensar nas coisas boas que existem para comer e que nunca comi até dizer chega.
Sejam por quais motivos forem.
Normalmente é pelo preço, mas também pode ser pela falta de hábito.
Danete de chocolate, por exemplo:
Tem coisa melhor que Danete de chocolate?
E não é uma coisa cara.
Eu podia ir ao supermercado agora e comprar 50 ou 200 potinhos de Danete de chocolate.
Puxa vida.
Nunca comi Danete de chocolate até dizer chega.
A mesma coisa são aquelas drágeas de amendoim com chocolate.
Tipo Bib´s.
Caraleo.
Coisa mais boa.
Nunca comi até dizer chega.
Podia ir naquelas lojas de chocolate caseiro de gramado e pedir um saco com 150 kg.
Por que não?
Só falta de hábito.
Ou um pouquinho de bom senso.
Casquinha de siri.
Era uma iguaria que nunca havia comido até dizer chega.
Pelo menos até passar as férias na casa da minha ex sogra quando ela morava em Laguna.
Um dia comi casquinha de siri até não agüentar mais.
Fiquei bem feliz.
E lagosta?
Bom, essa aí já entra no rol das que não posso pagar.
Pelo menos aqui em Porto Alegre.
Talvez quando morar no Nordeste um dia...
Quem sabe.
Mas acho até bom que seja assim.
Se eu comece Bib´s ou Danete até dizer chega, provavelmente perderia a graça.
Normalmente tendemos a dar valor às coisas mais difíceis de alcançarmos.
Ainda bem que consegui chegar a essa conclusão.
Vou guardar essa grana pra alguma coisa mais útil.

Espécie em extinção

Bianca, em horário de almoço no Grêmio, completamente ociosa olhando pro teto:
- Márcio: se tu fosses um animal, pelas tuas características, qual tu seria?
Acho que pensei por uns 10 minutos.
- Um crocodilo.
- Explica.
- O bicho fica ali paradão, na beira do rio. Só observando. Como quem não quer nada. Ninguém dá nada por ele. Mas se bobear, ele é rápido. Vai lá e “crau”.
- Hum... eu não te conheço direito, mas tenho um bicho que acho que parece contigo.
- Ah é?...qual?
(pausa)
- Um urso panda.
- Putz...
- Tão fofinho, peludinho.
- Tá bom.

Ei!
Juro que não pensei num garanhão.
Juro.

29.11.06

Na casa do inimigo

Hoje fui curtir amor em terra estranha.
Aproveitei o Gre-Nal de Juvenil no Beira Rio e deixei um sapo bem enterrado ao lado de uma das goleiras.
Até eles descobrirem onde está, a viagem pro Japão já aconteceu.

Huahuahuahuhauua (risada maligna)

Alegria de um gremistinha


Olha a carinha do Vinícius depois de receber a bandeira autografada do Grêmio lá em Campo Grande!

Só um sorriso desses já vale a pena.

Ainda mais quando é por um motivo tão nobre.

28.11.06

Christmas

Sempre sonhei em passar um natal na neve.
Com muito frio.
Patinando no gelo.

...mas em Nova Iorque e não em Porto Alegre.

Dormir de edredon no dia 28 de novembro?
Ninguém merece.

27.11.06

As mãos mágicas da tia Luiza

Hoje cheguei mais cedo no Grêmio e decidi cortar o cabelo na tia Luiza.
Um salãozinho pequeno, simpático, exatamente ao lado do Olímpico.
Descobri há uns três anos atrás e tratei de deixar nas mãos dela a minha melena.
E não só pelo preço (que chega a ser ridículo), mas porque ela acertou no corte.
Mês passado, e só no mês passado, fui descobrir que a tia Luiza também lava o cabelo.
Por que não descobri isso antes?
E que descoberta!
Não é só uma lavada básica.
É uma lavada completa.
Shampoo, creme e a massagem capilar.
Ah! A massagem capilar!
E que massagem.
Uma, duas, três vezes.
Chego a babar deitado naquela cadeira enquanto as mãos macias da tia Luiza afagam delicadamente meu couro cabeludo.
E que mãos.
Mãos de fada.
Saio de lá flutuando.
E tudo isso por irrisórios R$ 8,00
Quando será que ela cobra pra me dar um banho completo?

Pesquisarei da próxima vez.

26.11.06

O amor é lindo

Eu e Maria Eduarda conversando na sala:

- Como está tua escola, Duda?
- Tá boa, pai. Tô apaixonada.
- Apaixonada?
- Aham.
- Que legal, filha. Apaixonada por quem?
- Ah, por vários guris.

Ai, ai...
O que vem pela frente.

25.11.06

Pai coruja

Santa Claus - Falta um mês

Shopping Praia de Belas.

Até que esse Papai Noel é bem real.

24.11.06

Criatividade zero

Estava lendo uma matéria na internet que dizia que a falta de sexo prejudica o raciocínio e a criatividade.
Taí a explicação pelos cinco dias sem novos posts.

Bom, caso publique alguma coisa amanhã, já sabem como deve ter sido a noite de hoje.

Que barbaridade.

19.11.06

Prova de amor

Foi lá na casa do Fabiano, na praia.
Principal local de encontro da turma.
Recém havíamos terminado de jogar uma partida de futebol que durou pelo menos duas horas.
Muita correria, muito barro, todo mundo acabado.
Eis que o Marcelão, que jogava no meu time, chegou pra Andréia, namorada dele, e disse:
- Mozinho, se tu me ama, lambe meu sovaco.
Sem pensar muito, a Déia tascou uma lambida no suor que escorria da vasta axila peluda e suja de grama.
O gesto grotesco enojou e dispersou a platéia.
Em que pese o inusitado do fato, se formos parar pra pensar, foi uma demonstração de carinho e amor sem precedentes.
Coisa linda mesmo.
Uma vez, em um casamento, a Márcia colocou na boca um canapé de carne crua sem perceber.
Enojada, não tinha onde colocar.
Simulamos um beijo e ela passou o canapé mastigado e babado pra dentro da minha boca.
Aí eu comi.
Foi ou não uma linda prova de amor?
Com o passar dos anos, comecei a perceber que tais provas de amor só partiam de um lado.
Foi então que decidi protestar.
- Quando é que tu demonstraste teu amor por mim?
- Lembra quando tu perdeu tua lente de contato e foi no shopping usando aqueles teus óculos?
- Aham.
- Pois eu tava junto.
Não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquilo, mas preferi não perguntar.
Em todo caso, eles estão fora da minha bagagem pra São Paulo.

Thanks Graham Bell

Impressionante como uma simples ligação telefônica pode mudar o teu domingo.

16.11.06

Silvio Santos ao vivo


Fiquei abalado depois de ver isso.

Drama do verão

Não sei o que é pior: tentar dormir com um calor desgraçado ou tentar dormir com um ventilador que lembra mais um helicóptero do exército.

Dependência

Saí de casa pela manhã e esqueci meu celular.
Se tivesse saído sem as calças não sentiria tanta falta.

15.11.06

Já é natal no Iguatemi II

No meio da decoração de natal do Iguatemi tem uma bota gigante, com uma escadinha que termina dentro dela.
É a tal “Bota dos Desejos”.
Tinha uma fila grande e eu não sabia o que tinha dentro da bota.
Bom, já que estamos aqui, vamos esperar na fila pra matar a curiosidade.
Depois de meia hora, chegou nossa vez.
Lá dentro da bota tem um livro gigante onde a gente escreve os nossos desejos.
Tem que ser rapidinho, pois a fila tem que andar.
Já começa com cinco minutos procurando uma folha em branco naquele livro.
Lógico que todas estão escritas.
Resta encontrar um cantinho.
E a paciência já indo pro espaço.
- Aqui tá bom, Maria Eduarda. Tem um espaço em branco. Qual é o teu desejo. Diz de uma vez pra eu escrever.
- A casa da Barbie.
- Tá feito. E tu, Mártin? O que vai querer do Papai Noel?
- Um parque do tubarão.
- Tá. O pai vai colocar aqui. P-A-R-Q-U-E D-O T-U-B-A-R-Ã-O...pronto.
- Paiê.
- Que foi Duda?
- O que tá escrito aqui?
Fui ler: “Quero o Inter campeão do mundo”.
- Hum... Aqui, Duda?
- É pai.
- Tá escrito: “Desejo ganhar uma camisa do Grêmio”.
- Que legal. Mas será que o Papai Noel vai conseguir realizar todos esses desejos?
- Aham...

Tomara que não.
Tomara que não.

Já é Natal no Iguatemi

Meus pais nunca me incentivaram a acreditar em Papai Noel, Coelho da Páscoa ou qualquer destes personagens que habitam a imaginação das crianças.
Não sei se isso é bom ou ruim.
Pelo menos nunca sofri a decepção de descobrir que tudo não passava de uma grande tramóia dos adultos pra enganar os pobres coraçõezinhos infantis.
Confesso não saber como agir com meus com meus filhos com relação a isso.
Falo a verdade e enterro de vez ilusão inocente da idade ou corro o risco de ser visto como um pai crápula e mentiroso daqui a alguns anos?
Decidi deixa-los com a opção da dúvida.
Hoje a Maria Eduarda me perguntou:
- Papai Noel existe?
- Talvez, Duda. O que tu acha?
- Acho que existe.
- Pois é. Pode ser que exista.
Fomos passear no Shopping Iguatemi.
É difícil não se encantar com a já tradicional decoração de natal.
Estava lotado.
Lógico.
Depois de irmos na “bota dos desejos” e tirarmos foto com os duendes, fomos para fila gigantesca para falarmos com o “bom velhinho”.
Aliás, bota velhinho nisso.
Sentado na gigantesca poltrona vermelha, o vovô já estava mais pra lá do que pra cá.
Percebi que não ia dar certo.
Já estava em pé 15 minutos na fila agüentando a impaciência das crianças quando o velhote simplesmente se levantou e foi embora, carregado pelos braços por duas ajudantes.
Para trás, deixou dezenas de crianças e pais atônitos.
No momento fiquei brabo, mas depois tive pena do velho que não estava passando bem com aquela roupa e com aquele tumulto.
- Ei pai! Onde ele foi?
- Acho que foi fazer xixi, Duda.
Como percebi que o negócio ia demorar, convenci as crianças a ir à pracinha e deixar o Noel pra outra hora.
Um bom tempo depois, o shopping conseguiu um substituto com um pouco mais de vivacidade.
- Ei pai, aquele ali não é o mesmo Papai Noel.
- Será, Duda. Acho que é.
- Mas esse tá bem mais gordo.
- É que ele acabou de voltar do McDonald´s.
- Ah tá.

Foi o que veio na hora.

13.11.06

Conselho Deliberativo

Luiz Nei chega em casa depois de participar da reunião do Conselho Deliberativo do Grêmio:
- E aí? Como tava?
- Aquele Conselho? Pode colocar uma bomba e explodir.
- Por que?
- Só tem velho caquético e muquirana... (pausa)... assim como eu.

Hum.
Ainda existe uma esperança.


Palhoça/SC

Luiz Nei mastigando.
Eu no computador:
- Tô afim de comer um doce.
- Quer uma palhoça?
- Uma o quê?
- Palhoça... de amendoim.
- Hum. Quero.
Luiz Nei foi lá dentro e me trouxe.

- Ah! Paçoca.

12.11.06

Kabatotto

Sinto na minha geração uma necessidade quase vital de manter vivas as coisas do passado, principalmente as coisas referentes aos anos 80.
É só abrir os jornais para encontrarmos festas dos anos oitenta, com cantores que fizeram sucesso nos anos oitenta. Lançamento de um DVD com programas dos anos oitenta. Mini-séries, filmes, desenhos, etc, dos anos oitenta.
Na internet, não há alguém na faixa dos seus trinta anos que já não tenha recebido aquele e-mail com imagens dos anos oitenta: capas de discos (LPs), foto de brinquedos, artistas, rótulos de produtos, propagandas, etc.
Muito legal.
Isso não é nenhuma crítica.
Pelo contrário.
Os anos oitenta marcaram pra mim e voltar ao passado me traz um sentimento de nostalgia inexplicável e, ao mesmo tempo, uma profunda tristeza ao perceber que estes momentos jamais voltarão.
Bom, toda essa introdução (sem procurar analisar os “porquês” desta tendência retroativa) é pra contar uma passagem por uma sessão de regressão aos anos oitenta:
Sentado num bar com um grupo de amigos comecei a recordar os desenhos que assistia nos anos oitenta e me senti um alienígena ao perceber que ninguém se lembrava dos "meus desenhos".
Cheguei até mesmo a duvidar da existência de tais.
Podiam ser apenas fruto da minha imaginação...
Fui obrigado a procurar no Google e fiquei feliz em encontrar alguma coisa.
Achei até a música do desenho do Dartagnan.
Lembram?
Tinha também um desenho japonês de um menino chamado Marco que passava toda a sua infância procurando seus pais. A cada episódio ele chegava muito perto de encontrar, mas, no final, nunca conseguia.
Era muito triste, me lembro disso. Quase desesperador.

O segundo lugar na minha lista de desenhos inesquecíveis é do Calimero.
Um pintinho preto que usava como chapéu metade da casca de ovo de onde saiu.
Era show.
Porém, o que mais me marcou, apesar dos tradicionais Pantera Cor de Rosa, Pica Pau, Zé Colméia, entre outros, foi o desconhecido Hipo e Thomas.
Impossível ninguém se lembrar.
Também era japonês.
O Hipo era um hipopótamo e o Thomas era um corvo que morava dentro da boca dele.
Viviam brigando, mas se amavam.
Toda vez que o Hipo tomava água, inundava a casinha do corvo.
Não havia diálogo.
Acho que esse era o charme do desenho.
Procurei alguma coisa na internet e percebi que realmente não faz parte do imaginário coletivo das crianças de ontem, adultos de hoje.
Achei quase nada.
Pelo menos descobri que é um desenho dos anos 70 e o nome original é Kabatotto.
Não se fazem mais desenhos como antigamente.

10.11.06

Futebol de Botão


Assim como todo o menino que gosta de futebol, comecei a jogar botão muito piá.
Acho que com 6 ou 7 anos já brincava com meus “panelinhas” no “Estrelão”.
O tempo foi passando e fui me aperfeiçoando no “esporte”.
Troquei os botões panelinhas pelos “puxadores” e o campo Estrelão por um “estádio” maior.
Sempre que sobrava um dinheirinho, investia numa nova equipe.
Comprava os times ali na Cobal, na Quintino Bocaiúva.
Cheguei a ter 56 equipes diferentes que disputavam um supercampeonato brasileiro que durava um ano.
E eu jogava sozinho.
Coincidentemente, o Grêmio liderava o ranking com o maior número de títulos.
Além dos 56 times, cada um deles guardado delicadamente em uma caixinha, tinha a minha super seleção.
Aquele time que só disputava os campeonatos contra os amigos.
Cada jogador ficava guardado dentro de um saco plástico e recebia salário semanalmente.
Toda a sexta-feira eu colocava as moedinhas de cada um.
O Eder, meu ponta-esquerda, era o que recebia mais: três moedas.
Lógico que, às vezes, eu tinha que fazer um empréstimo com os atletas para poder comprar um sorvete ou investir em outra equipe.
Meu time tinha até um ônibus e um avião que eu havia construído de Kit Revel.
Quando o jogo era no meu prédio, o ônibus ia junto, mas quando era em outra casa, ia o avião.
Bom, nessa época eu tinha uns 12 ou 13 anos.
Coisa de guri.
Compreensível.

Ontem fui convidado para participar de um encontro de “botonistas”, na casa do meu amigo Carlos Roberto Foschiera, coordenador do Departamento de Futebol de Mesa do Grêmio.
Muita cerveja e pão com lingüiça.
Pessoal bem animado (só homem, lógico).
Foi aí que descobri que minhas histórias engraçadas sobre futebol de botão no início da adolescência eram fichinha perto de algumas anedotas reais contadas (e vividas) pelo pessoal que ainda pratica o “esporte” apesar da idade avançada.
Fato que torna ainda mais engraçados os acontecimentos já que não existe a doce ingenuidade das crianças.
O principal personagem era o seu Hélio.
Um senhor já de idade avançada.
Nos contou que na década de 70 era apaixonado por um botão chamado Pelé.
Onde ele ia levava o tal Pelé.
Quando ia ao cinema, comprava dois ingressos: pra ele e pro botão.
É verdade.
Um dia foi até o aeroporto Salgado Filho quando o Santos veio jogar em Porto Alegre e barrou o Pelé no saguão de desembarque, afoito:
- Pelé, quero te apresentar pra ti!
O Pelé não entendeu, pegou o botão da mão do Hélio e colocou no bolso do terno. No que o Hélio berrou pegando de volta:
- Tá louco? Me devolve tu!
Se loucura pouca é bobagem, na noite de núpcias, o Hélio colocou todo o time de botão enfileirado sobre a prateleira do quarto e orgulhoso falou:
- Gurizada, hoje vocês vão ver o papai fudê!

Mas foi numa conversa séria com um amigo, que o Hélio demonstrou toda a essência de um verdadeiro botonista:
- Poxa, Hélio. Faz tempo que eu não jogo botão...
- Mas o que houve?
- Minha mulher pega no meu pé. Disse que é coisa de retardado.
- E por que tu não larga essa desgraçada?

Um brinde ao Hélio, aos Foschiera e a todos os amantes do futebol de botão.

7.11.06

Momento Pepeu Gomes

Hoje me peguei parado observando a lua.
Durante alguns minutos.
Cheia.
Grande.
Excepcionalmente bonita.
Foi um momento gay de contemplação.
Confesso.
Gays têm a sensibilidade aflorada.
Essa é a vantagem que levam sobre nós, homens.
Não têm vergonha de usar o terceiro olho...(ou seria o quarto?)
Acho que amadureci tanto nestes últimos meses que me permiti ser gay por alguns minutos sem temer os efeitos colaterais.
Foi bom.
Recomendo:
Seja gay por alguns minutos.

É preciso ser muito macho pra isso.

6.11.06

Atrás dos 5% - Teoria sobre as mulheres

Podem me xingar, sapatear, se revoltar, mas existe uma teoria que formei nestes 34 anos de experiência que não falha em 95% das vezes: mulher só gosta, só se apaixona, só corre atrás de homens canalhas, que a maltrate.
Esta não é uma teoria vaga, solta no universo.
E muito menos criada sob a aura de um ressentimento amoroso ou alguma frustração com as mulheres.
Pelo contrário.
Foram anos de análises e observações minuciosas avalisadas por dezenas de exemplos por mim vivenciados de perto.
Prefiro até não citar nomes para não sofrer represálias.
Também não vou chegar ao absurdo de dizer que mulher gosta de ser maltratada.
Minha teoria, que carece ainda de uma análise mais, digamos, psicossociológica do funcionamento da mente feminina, até procura entender esse fascínio exercido pelo mau caráter masculino.
No caso, o ato de desprezo, rejeição (ou até agressão) acaba exercendo uma influência quase doentia sobre o desejo da mulher.
Fazendo com que a pessoa do sexo oposto seja o alvo principal de sua necessidade de manter o poder de sedução e conquista que falhou no primeiro momento.
“Ele não me deu bola? Como pode uma coisa dessas?”.
Este é o primeiro pensamento.
“Isso não pode ficar assim”.
Esse é o segundo.
“Ele vai ter que ser meu”.
Terceiro.
A partir daí, começa um jogo de sedução onde a mulher vai utilizar-se das mais mesquinhas, repugnantes e vis artimanhas de conquista.
Nem que para isso tenha que passar por cima de outras pessoas. Magoar, ferir.
Pra ela não interessa.
E uma coisa é certa: quanto mais o homem não der importância, mais a mulher vai insistir, se envolver e desejar aquele ser misterioso portador de um poder sobre-humano de auto-controle e auto-suficiência.
Tenho certeza que várias mulheres vão dizer: “meu marido (ou namorado) me trata muito bem.”.
Até pode ser, mas sou capaz de apostar que jamais tiraram da cabeça aquele noivo ou namorado antigo que lhes deu um ponta-pé na bunda há vários anos e que dariam tudo para terem uma nova oportunidade com ele.
Além disso, aposto que o atual relacionamento meloso com retoques de romantismo, flores, bombons, jantares e presentes iria pro espaço no primeiro ataque daquele cafajeste que vira a cabeça pra olhar a tua bunda quando tu passa no trabalho e que te quer só para uma trepadinha rápida.
Bom, se você leu até aqui e prestou atenção no início deste post, notou que minha teoria ainda tem 5% de chance de falhar.
Ou seja, nem tudo está perdido.
Existem exceções.
São raras, mas existem.
Tão raras que, às vezes, precisamos buscar bem longe.
Mulheres fartas de canalhices, traições, agressões, vulgaridade, futilidades...
Sempre desejei que um dia essa mulher cruzasse o meu caminho.
E quem sabe já não cruzou?
Pois, sem falsa modéstia, posso garantir que ela seria extremamente feliz.
E se por um acaso, em algum momento, ela viesse a sentir a necessidade de ser possuída por um verdadeiro cretino sem escrúpulos, acho que posso dar um jeito nisso.
Só eu e ela.
Entre quatro paredes.

Ah, quando eu disse que não criei essa teoria sob a aura de um ressentimento amoroso ou alguma frustração com as mulheres...
Eu menti.

5.11.06

Dodói


Pois essa é minha perna na manhã de domingo após me lesionar no futebol da última quinta-feira.
Joelho e canela esquerda.
Posso afirmar que dói.
Dói muito.

Sei que muitos leitores ficarão nauseados mas tinha que compartilhar isso com vocês.

Maria Eduarda viajada

Duda no carro, voltando de Canoas, depois de visitar a Deise.
- Que estranho.
- O que é estranho, filha?
- Não sabia que aqui eles falavam português.
- E o que tu achava que eles falavam?
- Inglês, ué.

Mai Gódi!

4.11.06

Mar...

Andava assim como quem não tinha razão
Por entre uma multidão era apenas mais uma
Vestia-se para festa, mas por dentro, luto.
Sabores sem prazer, difícil engolir.
Riso sem cor, manhã gelada num verão de sol.
Palavras incompreendidas, pensamentos póstumos...

E assim seguia a vida, e assim levava as horas... sentir?
Nada!

Numa tarde avistou o Mar...
Ele total desconhecido,
Bravio e em ressaca
Trazia as dores da vida
Não tinha quem o amanhecia
Não tinha quem o admirasse
Ia e vinha na sua inconstância.

Mas a mulher admirava o Mar...
Via nele a força que lhe escapava por entre os dedos
Observava suas evoluções
Sofria quando batia suas ondas nas rochas
Subia nas pedras para mandar-lhe uma canção
Tentando acalmar o Mar...

As tardes iam seguindo uma rotina
Cada qual em seu lugar
Histórias, vidas e sentimentos
Trazidas pelo Mar...

Viu aquilo tudo serenar
Mesmo sendo insana
Ficou a jogar seus pensamentos ao Mar...
E foi quando ele a convidou
Largou numa praia as tristezas

Sem medo lançou-se em suas ondas
Que a ampararam de prontidão
Levou seu corpo para o alto Mar...
E de lá, ela nunca mais saiu... do Mar!

By Juliana

3.11.06

À flor da pele

E nada contra ovinho de codorna, amendoim, ostras, pétalas de rosas cândidas ou ginkgo biloba...
Mas nada mais afrodisíaco do que a sensibilidade e a inteligência de uma mulher.

Feriado com as crianças

- Então, Dudinha, como tá a escola?
- Tá tri boa, pai!
- Que bom, filha!
- Sabe que aqueles guris do micro não me incomodam mais?
- Ainda bem.
- Eles tão tri engraçados. No outro dia, um deles abriu a janela e gritou pro tio que tava no carro “vem aqui chupar minha lingüiça”, morri de rir!

Reunião com a professora agendada.


(...)

Eu, sentado no café do McDonald´s do Iguatemi.
Crianças brincando na pracinha.
Mártin vem correndo lá de dentro:
- Pai, pai! Tu tem dinhelu?
- Pra que tu queres dinheiro, Mártin?
- Pla complá uma faca.
- E pra que tu queres uma faca??
- Ué? Pla matá aqueles gulís.

Psicólogo agendado.


(...)

Maria Eduarda deitada no sofá da sala vendo São Paulo x Ponte Preta ao lado do Luiz Nei.
Num lance de ataque da Ponte Preta, a bandeirinha (mulher) marca impedimento.
Duda se espanta:
- Olha vô! Uma mulher!
- É mesmo.
Não resisto:
- Que barbaridade, né filha? Devia estar em casa fazendo jantar e lavando roupa.
- É...lavando louça e cuidando dos filhos também.
- Isso mesmo.

Tem que ensinar desde cedo.

2.11.06

Luiz Nei e a teoria destrutiva

Hoje me machuquei feio no futebol.
Um rombo no joelho no primeiro lance que teimou em sangrar durante todo o jogo.
Sem falar num raspão de cima à baixo na perna esquerda que tirou metade da pele.
Chegando em casa, não agüentei e solicitei à Juçá que fizesse um curativo.
Luiz Nei, recém acordado, parado de pé na porta do banheiro com cara de reprovação, enquanto eu gemia com a água oxigenada borbulhando sobre a ferida:
- Tsc, tsc, tsc...
- Que foi?
- Isso é um processo auto-destrutivo. Quando tem uma jogada onde existe a possibilidade de tu te machucar, tu vai lá e te atira pra se quebrar. É um processo auto-destrutivo.
- Isso. Assim como esse teu cabelo.

Dez minutos depois, Luiz Nei resmunga no banheiro tentando se pentear.


Luiz Nei purificado

Quase dez da noite, Luiz Nei chega em casa do trabalho.
Ainda na sala, coloca o terno na cadeira e, de dentro do bolso da camisa, tira uma caixa de fósforo.
Aquelas caixas grandes, amarelas, Fiatlux.
- Pra que esses fósforos?
- Não interessa. Tu ia precisar de muito estudo pra entender.
Não satisfeito com a resposta, abordei a Juçá no closet:
- O que o Luiz Nei tava fazendo com aquela caixa de fósforo?
- Por que tu quer saber?
- Ué? Nenhuma pessoa normal chega em casa do trabalho, às 22h, trazendo no bolso uma caixa de fósforo gigante.
- Ele tava queimando pólvora na Margarete.
- ...?
Demorei pelo menos uns 20 segundos em silêncio tentando imaginar o significado daquela frase.
O máximo que conseguiram vir à minha cabeça foram algumas besteiras.
Tanto que a Juçá percebeu meu sorriso sarcástico.
- Tu tens que respeitar a crença dos outros.
- Crença?
- É. Faz parte de um ritual de purificação que ele faz lá no Centro Holístico,
- Ah bom. Que susto.

Queria conhecer a Margarete.

1.11.06

Bate bola

Diálogo flagrado entre eu e André Schröder ontem, antes de um suposto jogo de futebol na quadra do Pão dos Pobres:
Schröder:
- Cara, faz muito tempo que não jogo futebol.
- Tô jogando quatro vezes por semana.
- Bah! Eu não consigo fazer sexo quatro vezes por semana.
- Sim. E por que tu acha que eu jogo futebol.

31.10.06

Na fachada

Uma amiga minha, junto com um grupinho de mulheres, organizou um churrasco no último final de semana para comemorar a separação do Reinaldo Gianecchini e da Marília Gabriela.
Quer coisa mais absurda?
Celebrar a desgraça alheia.
Quanta mesquinharia.
Confesso que nunca entendi o relacionamento dos dois.
Não dá pra negar:
O cara é presença.
E a Marilia Gabriela?
Putz, já degustei melhores.
A mulher é feia pra cacete.
Na festa de aniversário do Assis, conheci uma pessoa que freqüenta o mundo business no Rio de Janeiro.
Essa pessoa, completamente confiável, me explicou o funcionamento:
O Gianecchini é namorado do filho da Marília Gabriela e ela apenas posa como companheira dele para preservar o relacionamento dos dois.
Isso mesmo.
Pasmem, mulheres: o cara acoca.
Inclusive, a pessoa me contou que já flagrou o cara “lutando espada”.
Tsc, tsc, tsc...
Que coisa.
Bom, se a Marília Gabriela supostamente se separou do Giani é porque o relacionamento dos meninões terminou.
Tadinho do Giani.

Bofes, tem churrasco lá em casa no feriado!!! Yuhu!!
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