20.1.06

Saudades da Claudia e da Agustina


Muito tempo viajando sozinho, longe do aconchego do lar, deixa a gente carente e faz com que procuremos pessoas interessantes para podermos conversar e afastar a solidão. Foi nesta situação que conheci duas pessoas especiais que marcaram minha vida e para quem dedico este post.

Morando em Madrid, tive o prazer de ser colega da Claudia. Uma suíça da cidade de Oberentfelden, no cantão de Argau. Não foi difícil se encantar por ela. Tanto pela beleza quanto pela forma delicada com que tentava se comunicar em espanhol. A sintonia foi mútua tanto que ficamos juntos durante o tempo em que durou nosso curso.
Um ano depois, de volta a Europa, fui recebido na casa dela onde fiquei por uma semana. Passeamos muito pelas lindas cidadezinhas do interior da Suíça e, apesar do frio, relembramos o inesquecível verão que passamos juntos em Madrid. Desde as noites aproveitando “la movida madrileña” até os banhos de piscina na “Casa de Campo”.
Estes poucos dias foram marcantes. Foi a última vez que a vi. Trocamos algumas correspondências mas depois perdemos contato. Nem mesmo o advento da Internet fez com que fosse possível encontrá-la. Hoje Claudia é apenas uma boa recordação de um passado de novas descobertas.


Deste passado também fez parte a Agustina, uma mexicana de Zacatecas que morava em Veracruz e estava de passagem por Paris. Nosso encontro foi rápido, no albergue. Eu acabara de ser expulso do quarto por uma gangue de seis “chicas” argentinas que não me queriam como companhia. Mesmo com o albergue sendo misto, faltou sensibilidade por parte do dono que me colocou sozinho em um quarto com seis mulheres. Enquanto aguardava a liberação de uma cama sentado no saguão do albergue nem percebi a aproximação de Agustina que me perguntou se eu era brasileiro. Perguntei se tinha cara de brasileiro e ela disse que só percebeu pela bandeira do Brasil costurada na minha mochila. Conversa vai, conversa vem, nem notamos o tempo passar. Quando nos demos conta, já eram quase duas da manhã e o albergue estava deserto com as pessoas já recolhidas aos aposentos. Decidimos dar um passeio pela noite fria de Paris e contamos com a ajuda do recepcionista do albergue que nos liberou a saída já que o albergue não permitia a entrada de pessoas após a meia-noite. De mãos dadas pelas ruas desertas, como se fôssemos antigos namorados, aproveitamos ao máximo aquele pouco tempo em que permaneceríamos juntos. Acabamos amanhecendo em um café tomando chocolate quente e comendo croissants com mel. Nos conhecemos ali e nos despedimos ali.

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