16.5.06

É óbvio


Não existe nada que me agrade mais nas mulheres do que a forma como elas dizem a palavra “óbvio”. Não sei qual a explicação para esse fenômeno, mas é um fato que mexe comigo.
Minha primeira namorada tinha um “óbvio” que jamais encontrei em outra mulher. Aquilo acabava comigo. Ela sabia disso e, a cada “óbvio”, fazia questão de provocar minha libido sussurrando devagar olhando dentro dos meus olhos e mexendo os ombros.
Tal vocábulo pronunciado por lábios femininos tem um efeito afrodisíaco. Não é apenas pelo som da palavra, mas pela forma com que ela é dita. Com convicção, com energia. Mostrando o poder da certeza feminina sobre determinado fato. Um “óbvio” feminino dissemina com qualquer dúvida que poderia estar pairando no ar e transforma em verdade absoluta qualquer pensamento vago.
Nossa! Contra um óbvio feminino não existe contestação.
É “óbvio” e pronto!
Como é que eu não percebi uma coisa tão óbvia assim?
Perante um “óbvio” feminino, estremeço. Meu coração acelera.
Me calo.
Abaixo os olhos e aceito.
Fazia tempo que não escutava um “óbvio” que chegasse aos pés daquele da minha primeira namorada.
Não faz muito, conheci uma pessoa com um “óbvio” parecido. Não só a forma de expressar a obviedade, mas com a mesma convicção com que coloca a palavra sem precisar usar quaisquer outros argumentos de convencimento após ela.
Depois que escutei aquele “óbvio”, minha vida se transformou em perguntas sem respostas, sentimentos confusos, pensamentos embaralhados e desejos contidos a força. Nada óbvia.
Coisa que só um “óbvio” feminino é capaz.
E isso é óbvio.

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