3.8.06

Estilo retrô

Acho interessante as pessoas que não têm apego aos bens materiais.
Até admiro elas.
Eu, por exemplo, nunca dei muita bola para certos tipos de coisas que, para muitos, têm muito valor.
Um celular, por exemplo.
Meu celular é o mais chinfrim da sala.
Não morro de vontade de ter um novo já que o meu aparelho funciona normalmente.
Pode não ter MP3, joguinhos, câmera fotográfica, bússola, internet, ou sei lá o que, mas pelo menos dá pra usar como telefone.
Mesmo assim, acredito que tudo na vida tem um limite.
Juçá e Luiz Nei nasceram um para o outro e até no fato de não se apegarem aos bens materiais, combinam perfeitamente.
Luiz Nei pronto para sair para trabalhar pela manhã.
Não resisti:
- Tu vai sair com essa roupa?
- Qual o problema? – Já brabo ao sentir a reprovação na minha pergunta.
- Pelamordedeus. Essa calça é do tempo do Ariri Pistola.
- Deixa de ser besta. Com essa calça eu fui no casamento do teu tio.
- Do meu primo, tu queres dizer?
- Não. Do teu tio.
Meu tio casou em 1969.

A Juçá não fica muito atrás.
Orgulha-se de usar roupas de quando era adolescente.
- Esse vestidinho eu comprei quando estava grávida da Leila.
Ou seja, em 1975.
Ontem chegou em casa de noite usando um casaco xadrez laranja com marrom que eu usava quando tinha 11 anos.
E não adianta falar nada.
- Que saco. Tu e tua irmã ficam implicando com a minha roupa.
Por que será?
Mas o pior não é a roupa.
É o óculos de sol da Juçá que ela trouxe da Europa na viagem que fez no final de 1972.
Cada lente redonda deve ter mais ou menos 80cm de diâmetro, sem falar na haste vermelha.
Evito sair com ela quando tem sol pra não acharem que sou parceiro do Mosco Heróico.
E agora, como convencer pessoas tão retrógradas em suas mentalidades a contratarem um personal stile?

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