24.9.06

Casamento judaico em Harare

Desembarquei na capital do Zimbabwe pela manhã.
Fui recepcionado pelo guia que havia contratado aqui do Brasil.
Um simpático motorista de táxi nascido em Moçambique o que facilitava a comunicação.
A cidade de Harare era exatamente como eu imaginava.
Pequenos casebres de madeira formando grandes favelas.
Ruas de areia, sem saneamento básico.
Nenhum verde.
Muita pobreza mostrando a dura realidade do continente africano.
Com muito tempo livre até o início do casamento, decidi fazer um pouco de turismo antes mesmo de ir ao hotel.
Iria embora no dia seguinte e não teria outra oportunidade.
O motorista (e guia) me levou para conhecer o principal ponto turístico da cidade.
Era um monte situado exatamente no meio de uma favela.
Segundo ele, aquele monte (que nada mais era do que uma pedra grande) foi o local onde a cidade foi fundada.
Nem bem havia saído do carro, fui cercado por dezenas de meninos e meninas pedindo esmola.
Me puxavam e gritavam com as mãos estendidas pedindo moedas:
- Coin, coin, coin.
Não consegui curtir a visita.
Só queria sair dali.
Pedi pra ir ao hotel.
Eram 19h quando deixei o hotel rumo ao casamento.
A festa seria numa sinagoga, num bairro nobre da cidade.
Cheguei muito cedo.
Pingava de suor dentro do terno.
Gravata apertada.
Apenas alguns seguranças guardavam o local.
Fiquei quietinho num canto esperando a chegada dos convidados.
Não conhecia absolutamente ninguém.
Nem mesmos os noivos.
Era um penetra na festa.
Fiquei mais tranqüilo quando vi chegar o Ricardo, que trabalhou comigo como estagiário na Assessoria de Imprensa do Grêmio.
Ele chegou com dois amigos e veio falar comigo.
- O que tu ta fazendo aqui?
- Vim pra festa.
- Mas a festa foi ontem. Hoje é só no civil.
- Bah...ninguém me avisou. E como estava?
- Uma merda. Só tava a chinelagem.
- Putz.
- Vamos lá na Cidade Baixa tomar uma ceva?
- Vambora.

Esse foi o sonho que tive hoje.
Pode mandar internar.

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