29.9.06

Existe vida após o mouse (depoimento de quem esteve lá e retornou)

São nas pequenas coisas chatas do dia-a-dia que a gente consegue dimensionar o grau de estresse ou irritabilidade.
Não sou uma pessoa irritadiça por natureza.
Muito pelo contrário.
Sou calmo.
Pacato.
Quase uma moça.
Hoje ainda joguei futebol.
O que me deixa muito mais relaxado.
Pois cheguei em casa e vim dar uma olhada no meu e-mail.
O computador aqui de casa é o pior que um ser humano pode ter em uma residência.
E está aí o meu amigo Daniel que não me deixa mentir.
A frase final dele após avaliar a máquina aqui em casa foi categórica:
- Pode colocar no lixo.
Pois nem este PC onde costumo ver meus e-mails e, eventualmente, fazer outras coisas, como escrever esse post, por exemplo... pois nem este PC me tira do sério.
Sei que um dia vou ter um novinho, com banda larga.
Hoje descobri que este PC possui o pior mouse que um ser humano pode ter em uma residência.
E foi esse mouse o responsável por uma das cenas mais grotescas protagonizadas por este que vos escreve, quase uma moça.
Já trabalhou com um mouse estragado que não responde aos teus comandos?
Se a resposta for positiva, sabe exatamente o que eu quero dizer.
Por mais perto que tu estejas com a setinha do ponto desejado, mais difícil fica pra colocá-la exatamente onde tem que ser.
É um jogo de paciência.
Mexe o mouse pra cá.
Bem devagar.
Depois mexe mais pro outro lado.
Putz, a setinha passou do ponto.
Volta mais um pouco,
Devagar, o mouse é muito sensível.
Isso!
Tá quase lá.
Ops... passou.
Volta...
Tenta mais uma vez.
Tu já tentou 435 vezes.
Mais uma não vai fazer diferença.
Pois esse é meu cérebro falando comigo.
Na 437ª tentativa, meu corpo foi possuído por uma força maligna mais forte do que eu.
Assim como o incrível Hulk se transformando.
Deitei o rosto sobre o teclado e comecei a sentir convulsões.
Meu rosto foi ficando desfigurado.
Um muco verde começou a escorrer da minha boca.
Passei a emitir ruídos que lembravam os dialetos dos aborígenes australianos.
Nisso, num só movimento rápido e certeiro, de cima pra baixo, minha mão direita (transformada numa bigorna) praticamente pulverizou o pobre ratinho desobediente.
Além de algum farelo, ainda sobrou um linda e terna bolinha, meio emborrachada, que, de imediato, alçou vôo pela janela do oitavo andar indo parar em algum ponto da avenida Nilo Peçanha.
Um momento sublime.
Catarse.
Enquanto tentava observar o destino final da pelota, escutei o cantar dos pássaros e fui tomado por um sentimento absoluto de paz interior.
Senti a presença de Deus tal qual Renato Aragão no alto do Corcovado.
Deitei no sofá.
Fechei os olhos.
Só não acendi um cigarro porque não fumo.
Foi lindo.
Estava no fundo do poço e consegui voltar.
Voltar à nossa dimensão.
Me levantei lentamente.
Teria sido um sonho?
Abri as gavetas e encontrei outro mouse.
E é por isso que estou aqui agora.
Falando contigo.
Eu te amo!
Vem aqui e me dá um abraço.

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