10.11.06

Futebol de Botão


Assim como todo o menino que gosta de futebol, comecei a jogar botão muito piá.
Acho que com 6 ou 7 anos já brincava com meus “panelinhas” no “Estrelão”.
O tempo foi passando e fui me aperfeiçoando no “esporte”.
Troquei os botões panelinhas pelos “puxadores” e o campo Estrelão por um “estádio” maior.
Sempre que sobrava um dinheirinho, investia numa nova equipe.
Comprava os times ali na Cobal, na Quintino Bocaiúva.
Cheguei a ter 56 equipes diferentes que disputavam um supercampeonato brasileiro que durava um ano.
E eu jogava sozinho.
Coincidentemente, o Grêmio liderava o ranking com o maior número de títulos.
Além dos 56 times, cada um deles guardado delicadamente em uma caixinha, tinha a minha super seleção.
Aquele time que só disputava os campeonatos contra os amigos.
Cada jogador ficava guardado dentro de um saco plástico e recebia salário semanalmente.
Toda a sexta-feira eu colocava as moedinhas de cada um.
O Eder, meu ponta-esquerda, era o que recebia mais: três moedas.
Lógico que, às vezes, eu tinha que fazer um empréstimo com os atletas para poder comprar um sorvete ou investir em outra equipe.
Meu time tinha até um ônibus e um avião que eu havia construído de Kit Revel.
Quando o jogo era no meu prédio, o ônibus ia junto, mas quando era em outra casa, ia o avião.
Bom, nessa época eu tinha uns 12 ou 13 anos.
Coisa de guri.
Compreensível.

Ontem fui convidado para participar de um encontro de “botonistas”, na casa do meu amigo Carlos Roberto Foschiera, coordenador do Departamento de Futebol de Mesa do Grêmio.
Muita cerveja e pão com lingüiça.
Pessoal bem animado (só homem, lógico).
Foi aí que descobri que minhas histórias engraçadas sobre futebol de botão no início da adolescência eram fichinha perto de algumas anedotas reais contadas (e vividas) pelo pessoal que ainda pratica o “esporte” apesar da idade avançada.
Fato que torna ainda mais engraçados os acontecimentos já que não existe a doce ingenuidade das crianças.
O principal personagem era o seu Hélio.
Um senhor já de idade avançada.
Nos contou que na década de 70 era apaixonado por um botão chamado Pelé.
Onde ele ia levava o tal Pelé.
Quando ia ao cinema, comprava dois ingressos: pra ele e pro botão.
É verdade.
Um dia foi até o aeroporto Salgado Filho quando o Santos veio jogar em Porto Alegre e barrou o Pelé no saguão de desembarque, afoito:
- Pelé, quero te apresentar pra ti!
O Pelé não entendeu, pegou o botão da mão do Hélio e colocou no bolso do terno. No que o Hélio berrou pegando de volta:
- Tá louco? Me devolve tu!
Se loucura pouca é bobagem, na noite de núpcias, o Hélio colocou todo o time de botão enfileirado sobre a prateleira do quarto e orgulhoso falou:
- Gurizada, hoje vocês vão ver o papai fudê!

Mas foi numa conversa séria com um amigo, que o Hélio demonstrou toda a essência de um verdadeiro botonista:
- Poxa, Hélio. Faz tempo que eu não jogo botão...
- Mas o que houve?
- Minha mulher pega no meu pé. Disse que é coisa de retardado.
- E por que tu não larga essa desgraçada?

Um brinde ao Hélio, aos Foschiera e a todos os amantes do futebol de botão.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...