2.11.06

Luiz Nei e a teoria destrutiva

Hoje me machuquei feio no futebol.
Um rombo no joelho no primeiro lance que teimou em sangrar durante todo o jogo.
Sem falar num raspão de cima à baixo na perna esquerda que tirou metade da pele.
Chegando em casa, não agüentei e solicitei à Juçá que fizesse um curativo.
Luiz Nei, recém acordado, parado de pé na porta do banheiro com cara de reprovação, enquanto eu gemia com a água oxigenada borbulhando sobre a ferida:
- Tsc, tsc, tsc...
- Que foi?
- Isso é um processo auto-destrutivo. Quando tem uma jogada onde existe a possibilidade de tu te machucar, tu vai lá e te atira pra se quebrar. É um processo auto-destrutivo.
- Isso. Assim como esse teu cabelo.

Dez minutos depois, Luiz Nei resmunga no banheiro tentando se pentear.


Luiz Nei purificado

Quase dez da noite, Luiz Nei chega em casa do trabalho.
Ainda na sala, coloca o terno na cadeira e, de dentro do bolso da camisa, tira uma caixa de fósforo.
Aquelas caixas grandes, amarelas, Fiatlux.
- Pra que esses fósforos?
- Não interessa. Tu ia precisar de muito estudo pra entender.
Não satisfeito com a resposta, abordei a Juçá no closet:
- O que o Luiz Nei tava fazendo com aquela caixa de fósforo?
- Por que tu quer saber?
- Ué? Nenhuma pessoa normal chega em casa do trabalho, às 22h, trazendo no bolso uma caixa de fósforo gigante.
- Ele tava queimando pólvora na Margarete.
- ...?
Demorei pelo menos uns 20 segundos em silêncio tentando imaginar o significado daquela frase.
O máximo que conseguiram vir à minha cabeça foram algumas besteiras.
Tanto que a Juçá percebeu meu sorriso sarcástico.
- Tu tens que respeitar a crença dos outros.
- Crença?
- É. Faz parte de um ritual de purificação que ele faz lá no Centro Holístico,
- Ah bom. Que susto.

Queria conhecer a Margarete.

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