19.11.06

Prova de amor

Foi lá na casa do Fabiano, na praia.
Principal local de encontro da turma.
Recém havíamos terminado de jogar uma partida de futebol que durou pelo menos duas horas.
Muita correria, muito barro, todo mundo acabado.
Eis que o Marcelão, que jogava no meu time, chegou pra Andréia, namorada dele, e disse:
- Mozinho, se tu me ama, lambe meu sovaco.
Sem pensar muito, a Déia tascou uma lambida no suor que escorria da vasta axila peluda e suja de grama.
O gesto grotesco enojou e dispersou a platéia.
Em que pese o inusitado do fato, se formos parar pra pensar, foi uma demonstração de carinho e amor sem precedentes.
Coisa linda mesmo.
Uma vez, em um casamento, a Márcia colocou na boca um canapé de carne crua sem perceber.
Enojada, não tinha onde colocar.
Simulamos um beijo e ela passou o canapé mastigado e babado pra dentro da minha boca.
Aí eu comi.
Foi ou não uma linda prova de amor?
Com o passar dos anos, comecei a perceber que tais provas de amor só partiam de um lado.
Foi então que decidi protestar.
- Quando é que tu demonstraste teu amor por mim?
- Lembra quando tu perdeu tua lente de contato e foi no shopping usando aqueles teus óculos?
- Aham.
- Pois eu tava junto.
Não entendi muito bem o que ela quis dizer com aquilo, mas preferi não perguntar.
Em todo caso, eles estão fora da minha bagagem pra São Paulo.

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