5.12.06

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

A canção que tanto escutei em uma fase a minha vida passou a fazer sentido (e segue fazendo a cada dia) depois de ter meus filhos.
Estava sentado no McDonald´s ingerindo um McFish e sendo observado com ternura pela Juçá enquanto as crianças brincavam na pracinha.
Do nada, ela soltou:
- Come devagar que a comida não vai fugir.
Posso apostar que essa é uma das frases que mais escutei da minha mãe durante a minha existência.
- Estou prestes a completar 35 anos de vida e há mais ou menos 35 anos que tu repetes a mesma frase. Será que não percebeu que depois de todo esse tempo eu não vou modificar o meu jeito de comer? Portanto, é totalmente desnecessário gastar o teu latim me dizendo isso toda a vez que eu morder algum alimento.
Não sei se fui muito duro com ela, mas precisava proferir essa frase depois de tanto tempo tendo que escutar quieto a famosa expressão “Come devagar que a comida não vai fugir.”
Outro dia estava na mesa da cozinha jantando com a Maria Eduarda quando olhei pra ela e disse:
- Come devagar, filha.
Quando me dei conta, já era tarde demais.
Eu já tinha dito.
Nesse momento, consegui compreender o objetivo e a necessidade da Juçá em querer fazer com que eu ingerisse mais devagar os alimentos.
Minha intenção não era ruim.
Pelo contrário.
Talvez um excesso de amor ou de zelo.
Uma necessidade de mostrar que estou ali.
Que estou preocupado e que estou observando.
Nesse momento, pesou minha consciência de chamar de chata aquela mulher que me colocou no mundo e que ainda se preocupa um pouco comigo.
Bom, mas não é por isso que vou mudar minha maneira de comer depois de 35 anos.
Mas valeu a tentativa.

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