18.12.06

Bujumbura: meu lar

Cheguei em Kigoma, na Tanzânia, por volta das 9h da manhã.
Um representante da ONU, que possui um escritório no aeroporto, me informou que a melhor maneira de chegar a Bujumbura, do outro lado do rio, seria por ferryboat.
Bujumbura, capital do Burundi, possui cerca de 300 mil habitantes, e é uma das capitais mais pobres do continente africano.
A viagem durou cerca de 3 horas.
O campo de refugiados tutsis, meu destino final, ficava a 8 horas de viagem em direção ao interior do país.
Cheguei por volta das 21h e fui recepcionado pelo chefe da missão de paz da ONU, um belga muito simpático chamado Pierre Besuisan.
De imediato, ele me levou até um dos lideres do campo para conhecer um pouco mais do funcionamento e de como me comunicar com os nativos.
Ngomo Boguru, um negrão de quase dois metros de altura, é uma das figuras mais simpáticas que conheci.
Não fala o francês, mas com a ajuda de um interprete consegui entender o Kirundi, idioma oficial do Burundi.
Boguru me explicou que desde o início da guerra civil no país, os hutus praticamente exterminaram a minoria da população tutsi em verdadeiros massacres.
Restam ainda alguns campos de refugiados espalhados pelo país e protegidos por missões de paz das Nações Unidas.
Abrir mão da minha vida no Brasil e ajudar nas negociações para um processo de pacificação no Burundi nunca esteve nos meus planos.
Mas ficarei um bom tempo neste país tão distante e tão isolado do resto do mundo.

Pelo menos até as coisas se acalmarem em Porto Alegre.

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