20.12.06

Daniel and his tits

Não me lembro ao certo, mas na sétima ou oitava série do Anchieta, tive um coleguinha americano.
Entrou na turma no meio do ano letivo.
O nome dele era Daniel (leia-se Déniel).
Tadinho.
Caiu de pára-quedas numa sala de aula sem saber falar absolutamente nada de português.
A diretora chegou a conversar com a turma pedindo compreensão e para que ajudássemos na adaptação.
Em vão.
Judiação.
Daniel era o típico menino americano daquele filmes da Sessão da Tarde sobre nerds: branquelo, cabelo vermelho, sardento, desengonçado, tímido e ficava com as bochechas vermelhas quando envergonhado. Ou seja, quase sempre.
Não demorou para se transformar na chacota da classe.
Todas as brincadeiras eram direcionadas ao Daniel.
Ele não reagia.
Não era de sua natureza.
Ficava quietinho.
Sorrindo sem graça, envergonhado.
Claro, não estava entendendo nada.
Tinha muita pena dele e, até por isso, não participava desse massacre.
Pelo contrário.
Tentava uma aproximação utilizando o meu precário inglês (na época era pior que hoje).
Não adiantava.
Acredito que o pior momento de Daniel era durante as aulas de educação física.
Não apenas pela inabilidade constrangedora para o futebol (soccer) como por outro problema extremamente delicado: jogar no time sem camisa.
E não é só pela timidez natural de ficar sem camisa na frente dos colegas.
Daniel tinha um problema.
Ele tinha seios.
Pasmem leitores.
Um volumoso par de úbere.
Delicadas mamicas rijas e rosadas.
Certamente alguma coisa relacionada às mudanças hormonais comuns na puberdade, excesso de estrógeno ou algum caso de transmutação sexual.
Só sei que naquela época ninguém procurou saber as causas científicas.
E nem interessava.
Pois os seios do Daniel viraram o principal tema das conversas do colégio.
Volta e meia ele era presenteado com um delicado sutiã escondido dentro da mochila.
Em resposta, sorria sem graça.
Daniel não agüentou a pressão.
Deixou a escola depois de dois meses.
Não sei se voltou para os Estados Unidos.
Não sei se tentou o suicídio.
Só sei de uma coisa:
Daniel marcou minha vida.
Foi o dono dos primeiros seios que vi na minha pré-adolescência.

Este post é em homenagem ao Daniel.
Onde quer que esteja.

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