7.12.06

Meu irmão, Ughini

Ontem saí com o Ughini pra tomar um chopp.
Grande Ughini!
Como não poderia deixar de ser, rolou a sessão nostalgia.
E nenhuma sessão nostalgia é tão boa quanto a nossa.
Bota nostalgia nisso.
Conheci o Ughini com cinco anos de idade.
Éramos colegas no Trenzinho Alegre.
Lá se vão 30 anos.
Com certeza é o amigo mais antigo que eu tenho.
Mesmo com o passar dos anos e a vida teimando em levar cada um para um lado, a amizade permaneceu e superou as agruras do tempo.
Os encontros foram diminuindo, as conversas também.
Cada um tocando sua vida, mas nunca deixando de saber da vida do outro mesmo que através dos amigos dos amigos dos amigos.
Que coisa bonita isso.

Dentre todas as histórias hilariantes lembradas ontem, predominou nossa inesquecível viagem para Disney World com 15 anos.
Era nossa primeira incursão rumo a liberdade.
Longe dos pais.
Passamos momentos divertidíssimos.

Entre uma Polar e outra, a lembrança destes três momentos abaixo foram responsáveis por algumas horas de gargalhadas intermináveis:

***

Comungando

O telefone do quarto ficava do meu lado, pois eu era o único que acordava de manhã cedo quando o guia ligava chamando para o início dos passeios.
Isso sempre se dava lá pelas 7h.
Me levantava, acordava o Ughini e o Guilherme, outro companheiro de quarto.
Numa destas, exausto, o Ughini se levantou e sentou na beirada da cama.
Fui ao banheiro, me lavei, coloquei as lentes e quando voltei pro quarto ele estava caído, desmaiado, com a boca aberta.
Juntei um maço de batata frita Pringles e coloquei bem devagar goela abaixo.
Num sobre-salto, ele se levantou, abriu os olhos esbugalhados e ficou me olhando com cara de apavorado (ainda com as batatas na boca).
- Calma, cara. Sou eu. Acorda aí.
- O que aconteceu? – falou cuspindo as batatas.
- Nada, tu tava dormindo e eu coloquei essas batatas na tua boca.
Achei que ele ia ficar puto da cara, mas foi o contrário.
Ficou maravilhado.
- Que impressionante!
- O que?
- Eu tava sonhando que estava na missa e o padre tava colocando a hóstia na minha boca

***

SeaWorld

Já estávamos sentados há duas horas assistindo aos diversos shows das baleias do SeaWorld.
Shows legais, mas cansativos.
No número final, a baleia Shamu balança sua calda acenando para o público.
Entre um bocejo e outro, olho para o meu lado e está o Ughini, com os olhos mareados, abanando em direção ao tanque de água.
Fora algumas crianças de 4 e 5 anos, o Ughini era o único a abanar.
- Cara, o que tu ta fazendo?
A resposta veio entre soluços.
- Dando tchau. Dando tchau...
Deixei quieto.

***

Sininho

Era nosso último dia na Disney World.
Havíamos chegado pela manhã e passado todo o dia curtindo as atrações.
A última, e a mais esperada delas, era a Disney´s Electrical Parade.
Um desfile de carros alegóricos com danças, músicas e todos aqueles personagens Disney.
Tudo muito bonito.
Para finalizar, antes do fechamento do parque, um impressionante show de fogos de artifício, jamais visto por nós.
No meio deles, a fada Sininho aparece atrás do castelo da Cinderela, sobrevoa o público e entra na janela de uma das torres.
Um efeito magnífico.
Olho para o lado e vejo o Ughini de boca aberta, soluçando, com as lágrimas escorrendo pelo rosto.
- O que é isso, cara?
Resposta em prantos:
- Imagina a minha mãe aqui... a minha mãe aqui.
Santa sensibilidade.
Bom, eu também tava com saudade de casa.

***

Abraço, Ughini!

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