11.12.06

O Rio Grande do Sul jamais será o mesmo

Às vésperas da conquista do Mundial de Clubes pelo Inter (é duro admitir isso, mas eles vão ganhar), o Grêmio está completando 23 anos do maior título de sua história.
Apesar de ter apenas 11 anos, me lembro como se fosse ontem.
O jogo começando a meia-noite.
Os gols do Renato.
Minha mãe chorando ajoelhada sobre a cama após o fim da partida.
Eu, Luiz Nei e meu primo Rafael descendo no elevador do prédio para sairmos às ruas (não sei o motivo, mas me lembro perfeitamente da gente descendo no elevador).
Da festa, tenho uma vaga recordação de uma chuva de papéis picados que caía de um prédio na frente daquele monumento que tem no Parcão, na Goethe.
Um momento inesquecível e uma conquista que marcou pra sempre a minha vida.
É muito bom crescer, amadurecer e se tornar um adulto marcado pelo estigma de ser Campeão do Mundo.
E pensar que milhares de criancinhas coloradas esperam ansiosas por esse momento.
Não só as criancinhas.
Tem ainda toda aquela geração rubra que cresceu comigo e que, queiram ou não, acabou massacrada pelas duas Libertadores e o Mundial tricolor presa ao hiato do último título nacional de 1979 até hoje.
Está chegando perto.
Aquilo que nosso co-irmão sempre sonhou e aquilo que sempre povoou os pesadelos de nós gremistas por mais remoto que pudesse ser.
Pois eles conseguiram.
E apenas dois jogos separam o Internacional da consagração maior.
Mas não esqueçam de uma coisa: futebol é uma caixinha de surpresa.
Que frase mais alentadora!
São 11 contra 11.
Tudo pode acontecer.
E caso o Inter venha a perder para o Barcelona (ou até mesmo para o time da Cleópatra) uma tragédia se abaterá sobre a coletividade vermelha.
Milhares de criancinhas, seguidoras do Fernandão e do Gabiru, crescerão traumatizadas. Alheias aos consolos de seus pais, representantes de uma anteriormente fracassada geração de torcedores.
Vai ser um período de dor quase que infindável.
Terminando, talvez, em alguma outra ida do Inter ao Japão.
Daqui há 25 ou 30 anos.
Isso levando em conta que o Grêmio não tenha voltado antes... o que não está descartado.
Aconteça o que acontecer, no próximo domingo, dia da decisão, estarei bem longe de Porto Alegre.
Não. Não foi nada premeditado.
Quis assim o destino.
Só uma coisa é certa: quando eu voltar, o Rio Grande do Sul não será mais o mesmo.

Nem eu.

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