12.12.06

Pinga ni mim

Ontem peguei o T7 no Praia de Belas.
Bem feliz que consegui sentar.
E na janela.
Foi o ônibus começar a andar que começou a pingar água do ar-condicionado bem no meu ombro.
Cada freada mais brusca, mais água caía.
Não tinha o que fazer.
Entre me levantar para ficar espremido no corredor e continuar ali recebendo água no ombro, optei pela segunda.
Tava calorzinho.
Ia servir pra me refrescar.
Na hora me lembrei de uma viagem que fiz de avião na ponte-aérea Madrid-Barcelona.
Um vôo da Ibéria.
Estava sentado no corredor.
Quando o avião tomou velocidade para decolar começou a pingar alguma coisa vinda do bagageiro bem encima de mim.
Bem na minha coxa direita.
Caráleo...
Era uísque!
Pensei: não vou ficar aqui sentado enquanto pinga uísque na minha calça.
O avião já estava a toda velocidade na cabeceira da pista e eu caminhando pelo corredor para espanto dos outros passageiros e pavor das aeromoças.
Uma delas (sentada num banquinho no fundo do avião e toda amarrada pelo cinto de segurança) berrava desesperada para que eu sentasse.
- Não vou sentar. Tá pingando uísque na minha calça. Acha que sou palhaço?
Falei assim mesmo em português.
Tava puto da cara.
E quando to puto da cara não tenho saco de falar em espanhol.
Passei toda a decolagem de pé, escorado na porta, de braços cruzados.
To nem aí.
Depois do avião estabilizado e de me arranjarem outra poltrona, sosseguei.
Ainda que tivesse ficado fedendo a uísque.
O pior foi ter que permanecer duas horas de cueca na lavanderia do albergue até que minha calça lavasse e secasse.

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