12.12.06

Pipoca e ovo frito

Quando eu era adolescente, a Juçá apareceu em casa com uma panela de fazer pipoca.
Eu, que já sabia fritar ovo, virei um expert em pipoca.
Minha pipoca era a melhor da cidade.
A pipoca doce então, nem se fala.
Mas não era pipoca doce feita em casa.
Era aquela pipoca doce de rua.
Vendida no parque.
Um pipoqueiro me ensinou o segredo.
Me fez prometer jamais revelar.
Fazia a alegria dos amigos que matavam aula no Anchieta e atravessavam a rua pra me visitar.
Sei que no fundo eles queriam provar da minha pipoca.
E eu fazia com muito orgulho.
Aos poucos, com o advento das pipocas de micro-ondas, minha fama foi diminuindo e hoje é apenas uma lenda.
Apesar de tudo, aposto que as pessoas que tiveram o privilégio de provar da minha pipoca, hoje em dia são adultos muito mais felizes e realizados.

***

Infelizmente, minha incursão no mundo dos fogões ficou apenas na pipoca, como prova o diálogo abaixo:
Luiz Nei lavando louça.
Eu revirando a geladeira atrás da panela de arroz.
- Onde tá o arroz?
- Acabou.
- Tem que fazer mais.
- Então faz.
- Mas eu não sei fazer.
- Qualquer debilóide sabe fazer arroz.

Jantei pãozinho Seven Boys com patê.

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