14.12.06

Silence is golden?

Acredito que um dos principais problemas da humanidade seja a falta de diálogo entre as pessoas.
Começou em Babel, com a construção da tal torre para que os moradores locais pudessem tocar o céu.
Irritado com tamanha ousadia, Deus teria feito cada construtor falar uma língua diferente impossibilitando o entendimento entre eles.
Seria a origem dos idiomas do mundo, segundo o Gênesis.
Alguém que pensava assim também, criou o Esperanto, no final do século XIX.
Um idioma artificial com o objetivo de estreitar a relação entre os povos. Não deu muito certo.
Filhos ficam dias, meses, anos, sem falar com seus pais.
Sofrem em silêncio corroídos pela mágoa, a tristeza, a dor.
Quando uma simples palavra, um simples “eu te amo” ou “obrigado” poderia resolver tudo.
Amores terminam (ou nem começam).
Minados por mal-entendidos.
E por que?
Porque não conseguem sentar e conversar.
Não conseguem olhar um no olho do outro.
Porque o olho é o espelho da alma.
Diz coisas sem precisar pronunciar palavras.
Talvez seja esse o problema.
Quem lê este texto, pensa que sou um exímio orador.
Um ás da retórica.
Mas não.
Pelo contrário.
Sou alguém que sofre (e sofreu) pela falta da capacidade de dialogar.
Talvez por isso minha incursão no jornalismo.
Apesar de conseguir colocar minhas idéias em um texto de forma clara (assim penso eu), tive que meter a cara para fazer televisão e rádio.
Ajudou bastante.
Eis que surge a internet e os chats, os programas de mensagens instantâneas.
Teoricamente para facilitar a vida das pessoas.
Evidente que foi uma mão na roda para os tímidos.
Para aqueles com dificuldades de encarar um olho no olho.
Porém, trouxe outros problemas.
Um excesso absurdo de mal-entendidos.
Mal-entendidos que não existem na comunicação oral.
Onde há a entonação da voz, a forma de colocar as frases, a ironia num sorriso, num levantar de sobrancelha ou até mesmo numa bochecha corada.
A comunicação corporal.
Surgiram as carinhas (ou emoctions), alguns sinais gráficos para demonstrar emoção.
Mas não são suficientes.
Sempre é necessário contar com a percepção e a sensibilidade de seu interlocutor.
E nem sempre isso acontece.
Ainda não achei a medida certa.
Já perdi amizades.
Posso ter até perdido algum amor, quem sabe?
Seja como for, ainda prefiro que isso aconteça olho no olho.
Doa o que doer.

E dói.

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