16.1.07

Lonely guy

Sempre fui louco por comida japonesa.
Todo aquele ritual.
Comer com hashi, talicoisa.
Fazia muito tempo que não ia num restaurante japonês e o desejo tava batendo.
Porém, descobri que nunca havia ido sozinho a um restaurante japonês.
Sempre acompanhado de alguém do sexo feminino.
Não que eu ache a comida nipônica afrodisíaca, mas tem todo um charme.
Não concorda?
Bom, na falta de uma companhia, decidi ir sozinho.
Me lembrei de um filme do Steve Martin onde ele fica famoso ao escrever um livro ensinando as pessoas a serem felizes vivendo sozinhas depois de ser abandonado pela namorada.
Acho que o nome é “Rapaz Solitário” ou alguma coisa do gênero.
Quando o garçom perguntou: “o senhor está sozinho?”, o restaurante todo parou.
Fui iluminado por um holofote.
As pessoas se viraram para me olhar.
Os japinhas atrás do balcão tudo segurando o riso.
As cozinheiras deixaram a cozinha pra dar uma espiada.
No filme é assim.
Só que o ator tem a saída: retira da pasta um bloco e uma caneta e começa a fazer anotações a cada alimento ingerido como se fosse um critico gastronômico que escrevesse para uma grande revista e estivesse fazendo uma matéria sobre os pratos do local.
Na hora tudo muda.
Ele passa a ser uma atração.
Com direito a bajulação do gerente e dos garçons.
No fim, nem paga a conta como cortesia da casa.
Como não tinha bloco nem caneta e nem estava vestido como um crítico gastronômico, não tive jogo de cintura:
- Estou sozinho, sim. Por que? Algum problema? Se tiver, eu vou comer no McDonald´s.

Mexe com quem tá quieto.

Ps. Mulheres interessadas em jantar num restaurante japonês, favor endereçar e-mails para minha caixa postal.

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