11.1.07

Morango ao extremo

“Nunca bebi tanto em toda a minha vida”,Nunca senti tanto frio em toda a minha vida”. Essas, assim como outras frases do tipo, solemos dizer com o objetivo de exagerar.
Mostrar o quão grande foi o acontecimento ou o nosso sentimento.
Evidente que nem sempre tais colocações condizem com a realidade.
Porém, é certo que existiu um dia em nossa vida onde ingerimos a maior quantidade de bebida.
Ou onde sentimos mais frio do que os outros dias.
Ou tenhamos vivenciado qualquer outra situação extrema em que chegamos ao nosso limite pessoal.
Tentei lembrar de algumas destas situações bizarras.
E se me lembrei, podem ter certezas que realmente são extremas:

Dia em que mais bebi em toda a minha vida:
festa no sitio do Ughini. Litros e litros de caipirinha assistindo a luta do Maguila. Desmaiei com a cara dentro do vaso e me acordei com o Ângelo, apavorado, gritando pelo meu nome na janela basculante do banheiro. Pelo menos o Maguila ganhou.

Dia em que mais passei frio em toda a minha vida:
chegada de trem a Berlim, na Alemanha, às 6h da manhã. Inverno. Termômetro marcando 20 graus abaixo de zero. Não consegui sair na rua pra ir ao albergue pois minhas mãos e minha cara congelaram. Tive que esperar amanhecer até o sol sair e amenizar o frio. Chegou a 15 graus negativo, foi a hora em que deixei a estação lá pelas 10h.

Dia em que passei mais fome em toda a minha vida:
ano de 1986 e o Brasil faria um jogo amistoso contra o Paraguai, no Olímpico. Saí da aula e fui direto pro estádio sem tempo para comer. Achei um vendedor de cachorro quente só no segundo tempo. Ele ficou ali, agachado na minha frente, enquanto eu comia um atrás do outro. Acho que foram uns oito.

Dia em que mais ri em toda a minha vida:
churrasco no sítio do meu tio Chil em Belém Novo. Depois de se servir de carne e salada e de encher um copo de cerveja, ele foi se sentar e sua cadeira de balanço para comer. A cadeira era escorada numa tora e madeira que acabou cedendo na hora que ele sentou. Atrás, um barranco no meio do mato. O velhote simplesmente capotou com as quatro roda, rolou despenhadeiro e sumiu no meio da floresta. Quando cheguei lá embaixo, ele tava gemendo, com as pernas pra cima, com a cara cheia de maionese com farofa e o copo de cerveja na mão direita cheio até em cima. Um gênio!

Dia em que mais senti dor (física) em toda a minha vida:
futebol no Anchieta. Zé Dedo se prepara pra cobrar uma falta (sente o apelido da criança). Chuta fraco ele? Pois o chute veio direto no...no...bom, digamos que veio direto no saco escrotal. Já levou bolada no saco escrotal? É ruim. Apaguei na hora. Conversei uns dois minutos com Jesus e depois voltei pro corpo. Permaneci uns 45 minutos gemendo, estirado atrás de uma das goleiras. Só não chamei uma UTI móvel pra me levar pra casa pra não pagar mais mico. Ainda bem que naquela época minha vida sexual era tão ativa quanto agora.

Hum, me lembrei de vários outros extremos, mas como esse post já está longo demais e foge da característica do blog, farei novos relatos com o decorrer dos dias.
Me cobrem.

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