10.2.07

Diário de Atlântida - Dia 2



Depois de ficar praticamente nove anos sem tirar férias, uma das coisas mais difíceis deste benefício é conseguir relaxar.
Ontem decidi que iria fazer uma coisa que não fazia há muito tempo: nada.
Sentei na frente de casa e me comprometi a não fazer absolutamente nada.
Durou apenas uns 5 minutos.
Não consigo ficar sem fazer nada.

Nas minhas duas idas à praia nestes dois dias que estou aqui, percebi o quanto o estresse não me deixar curtir o momento.
Sentado na beira do mar, olhando as crianças brincarem na água, qualquer pessoa normal aproveitaria o momento tomando uma caipirinha com um camarãozinho frito.
Relax total.
Eu já comecei a imaginar o que fazer caso avistasse se aproximar uma tsunami.
Pegaria as crianças pelos braços e correria pra onde?
Procurei uma casa mais alta onde pudesse subir no telhado.
Tinha uma logo atrás de mim.
Já fiquei mais tranqüilo.

Ontem, depois de correr na areia, cheguei exausto na frente da plataforma.
Já eram 21h, noite total.
Sentei na areia deixando o mar molhar meus pés.
Deitei e fiquei olhando as estrelas.
Qualquer pessoa normal aproveitaria o momento.
Tranqüilidade, o barulho do mar, o céu maravilhoso.
Eu já comecei a imaginar caso viesse um caminhão, um carro ou uma moto pra cima de mim.
Alguém que decidiu fazer cavalo-de-pau na beira da praia.
Certamente não teria como ver que eu estava ali deitado e seria esmagado impiedosamente.
Rapidamente me levantei e fui pra casa.

Acho que preciso de pelo menos uns 60 dias de férias pra me acostumar.
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Ontem fui correr na praia.
Para uma pessoa que está acostumada a correr na cidade, a diferença é absurda.
Terreno plano e linear, sem as irregularidades das calçadas. Sem subidas e descidas.
Ar fresco e puro. Sem a poluição e a sujeira que teima em entrar nas minhas lentes.
Tranqüilidade total. Sem a necessidade de parar nas sinaleiras, cuidar cada esquina ou na hora de atravessar as ruas.
Isso que nem comentei sobre as mulheres semi-nuas exibindo seus corpos bronzeados e untados.
Nem olhei.

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Final de tarde.
Eu sentado na porta de casa.
Olhando pro nada.
Duda se aproxima:
- Que foi, pai, Tá com saudade da namorada?
Sabe tudo a minha filha.

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