25.2.07

Garotos da Rua em Americana



Cidade de Americana.
Chegamos ao restaurante bem cedo.
Eu, a Priscila e os pais dela.
Havia uma mesa reservada pra nós e para os outros convidados.
A mesa comprida com toalha de plástico colorida, presa com tachinha na madeira, dava um ar brega ao local.
Estilo churrascaria de beira de estrada.
A falta de ar-condicionado ou ventilador piorava ainda mais o quadro.
A mãe da Priscila se acomodou em uma das cabeceiras e ali ficamos.
Uma menina vestida com um daqueles trajes estilo rainha da Festa da Uva de Caxias do Sul se aproximou.
Era amiga da Priscila, e rainha do rodeio de Ribeirão Preto.
Fernanda Cauduro era o nome.
Fazia tempo que a Priscila não via.
Ficaram um tempo conversando e eu ali esperando.
No fim, trocaram e-mails e MSN.
Deixei carteira e celular para reservar lugar na mesa e fui para a boate do restaurante.
Era um ambiente anexo ao salão que estávamos.
Notava-se que havia sido construída há pouco tempo.
O interior era chique, mas muito escuro.
As poucas pessoas que já estavam ali puderam acompanhar todo o ritual de montagem de palco feito pelos próprios integrantes do grupo Garotos da Rua, que iriam se apresentar logo em seguida.
Sentei com a Priscila na lateral do palco, junto à escada.
Bebeco Garcia, vocalista e guitarrista da banda, que arrumava seu equipamento, estava visivelmente contrariado (na hora eu não sabia quem ele era. Fui saber só depois).
Nos vendo ali, desabafou:
- É foda, cara. Temos quase 25 anos de estrada e ainda temos que passar por isso. Olha o calor de merda que tá fazendo aqui dentro
Tive que concordar com ele.
O calor tava absurdo.
Foi então que percebi que o show já ia começar e que não havia muita gente.
Ficamos ali mesmo sentados ao lado do palco mesmo.
A primeira música foi “Campo Minado”.
Achei estranho, pois não me lembrava do Garotos da Rua tocando essa música.
Só da “Bandalheira”.
Os caras mataram a pau!
Logo depois começaram a tocar a tradicional “Tô de saco cheio”.
Antes da metade da música, Bebeco mandou parar.
- Com esse calor não toco mais!
E saiu do palco.
Correria dos organizadores atrás de ventiladores.
Sem sucesso.
Comovido pelo esforço, o vocalista da banda falou ao microfone:
- Sou o único músico gaúcho formado em metafísica e vou dar um jeito nisso.
Para surpresa de todos, pegou uma marreta e começou a abrir um buraco na parede, logo atrás do baterista.
Por ali começou a correr um vento que refrescou o ambiente.
Já de saco cheio, sugeri a Priscila que fôssemos embora.
Voltamos à mesa onde os pais da Pri já estavam com cara de poucos amigos.
Suava a bicas.
A sugestão para irmos embora foi muito bem aceita por todos.
Nos dirigimos para a saída, mas nos deparamos com um tumulto.
Muita gente se acotovelando na entrada do restaurante para entrar e nós contra o fluxo.
Tivemos sorte, bem na hora estava saindo também a dona Miguelina cercada por seguranças.
Aproveitamos o espaço aberto por eles e saímos juntos por um corredor polonês.
O primeiro da fila para entrar era o Fabiano Eller, ex zagueiro do Inter.
Não tenho idéia do que ele fazia ali.
Lá fora, finalmente, podemos respirar aliviados aproveitando o ar fresco da noite.

Não me lembro de mais nada, mas acho que foi essa a hora que acordei.
Sonho bizarro.
E Juro que não comi cocô na janta.


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...