26.2.07

Linhas aéreas inteligentes?

Com o predicado de ter viajado pelas cinco maiores companhias aéreas do país nos últimos dois meses, posso afirmar, sem medo de errar, que a Gol é a pior de todas.
A viagem de ontem de São Paulo para Porto Alegre foi bizarra.

Com o vôo marcado para as 21h40 em Cumbica, cheguei de Campinas por volta das 20h.
Tempo suficiente, e sugerido pela companhia, para fazer o embarque sem maiores complicações.
Pensei em resolver estes pequenos trâmites e jantar antes de embarcar.
Pelo menos era o que eu queria.
A fila no balcão da Gol para o check-in era absurda.
Chegava a sair do saguão e tomar as ruas de Guarulhos.
Apenas duas atendentes para dezenas de vôos.
Já estava na fila por meia hora quando um funcionário da empresa passou perguntando:
- Qual seu destino, senhor?
- Porto Alegre.
- O senhor sabe o número do vôo?
- 7486.
- Esse vôo é internacional, senhor.
Cheguei a pensar que nesse tempo que estive fora o Rio Grande do Sul havia se tornado um país independente e Porto Alegre tornado a capital.
- Como assim?
- O destino final do seu vôo é Montevidéu. O senhor está na fila errada. O check-in internacional é no andar de baixo.
- E como vocês só avisam isso agora?
- É que os vôos que começam com “74” são internacionais.
- Ah bom! Eu sou muito burro mesmo. Como é que não sabia uma coisa dessas.
Desci até o setor de embarque internacional da Gol.
A fila não era tão grande, mas, tratando-se de um vôo internacional, as pessoas exageram um pouco nas bagagens.
Depois de 40 minutos, chegou a minha vez de ser atendido pela funcionária.
- O senhor não vai despachar bagagem?
- Não.
- Essa sacola o senhor vai levar na mão?
- Não senhora. Vou levar equilibrando na cabeça (deu pra ver que já estava puto. Acho que era a fome).
- Desculpe senhor, mas preciso checar o peso.
- Dei uma engordada em Campinas. Devo estar com uns 102, 103.
- Eu me refiro a sua bagagem de mão senhor.
Acho que ela não entendeu que tinha sido apenas uma piada.
- Senhor, aqui está marcando nove quilos. Infelizmente nossa companhia permite apenas sete quilos dentro da aeronave. O senhor terá que despachar a bolsa.
- Infelizmente eu não irei despachar, senhora. Eu trouxe ela pra São Paulo com as mesmas coisas dentro. Aliás, com uma cueca a menos ainda por cima. A outra companhia nem procurou saber o peso e não fez nada para complicar o meu embarque. Eu mesmo estou carregando, ninguém precisará carregar por mim. Além disso, não será por nove quilos que a aeronave irá cair... ou será?
- Embarque imediato no portão 16, setor internacional, antes de chegar ao McDonald´s. Tenha uma boa viagem senhor.
- Obrigado.
A simples menção do McDonald´s transformou minha irritação em fome.
Preferi não arriscar perder o vôo e segui para a sala de embarque sem jantar.
Mais uma fila absurda.
O fato de ser um vôo internacional me obrigou a passar pela imigração.
O relógio marcava 21h40, hora da saída teórica do meu vôo.
Comentei com um menino judeu de kipá na fila a minha frente:
- Acho que vou perder meu avião.
- Não se preocupe. Quando você despacha a bagagem, não tem como o avião decolar sem você.
Juro que a frase não me tranqüilizou.
Quando cheguei ao portão 16, teoricamente o portão de embarque, o relógio marcava 21h50.
Um atendente da Gol esbaforido tentava atender dezenas de pessoas que se acotovelavam em busca de informações:
- Calma pessoal! Todos os vôos da Gol saem do portão 14, descendo as escadas. O vôo para Montevidéu com escala em Porto Alegre foi transferido para as 23h30.
A quase certeza de ter perdido o vôo me fez respirar aliviado com a informação.
Melhor assim.
Desci até o portão 14.
A cena era deprimente.
Centenas de cidadão honestos e honrados atirados nos cantos como que em um acampamento de refugiados.
Sem muita opção, me atirei no primeiro metro quadrado vago e ali fiquei fazendo palavras cruzadas até a hora do embarque.
Já dentro da aeronave, me espantei com o espaço entre as fileiras de cadeira.
Humanamente impossível conseguir sentar.
Quando o senhor da minha frente deitou o encosto, consegui contar pelo menos 23 lêndeas em seu couro cabeludo.
Passados 20 minutos de vôo, iniciou o serviço de bordo.
Achei estranho o carrinho de bebidas começar a passar antes da comida, mas não quis pensar em tragédia.
- Algo para beber, senhor? Refrigerantes ou suco, como preferir.
- Tem alguma coisa diet?
- Suco de pêssego, guaraná ou Pepsi, senhor. Como preferir.
- Não tem Coca?
- Só Pepsi, senhor.
- Pode ser.
Junto com o copo de refrigerante, a aeromoça me entregou um pacotinho.
- O que é isso?
- Nosso snack, senhor. Uma deliciosa bolacha goiabinha.
- Goiabinha?? Só isso?
Meu rosto deveria estar tão transfigurado nesta pergunta que a aeromoça chegou a se assustar.
- Posso lhe dar duas, como o senhor preferir.
“Se a senhor levanta a saia e abaixar sua calcinha, posso introduzir essa goiabinha na sua vagina ou no seu ânus, como a senhora preferir”.
Decidi não ser grosseiro com a moça e engoli a resposta em seco.
- Muito obrigado senhora. Vou aceitar outra goiabinha. Espero que a companhia não entre em concordata por causa disso.

Cheguei em Porto Alegre ás 2h da manhã.

Nunca mais vôo de Gol

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...