5.2.07

Luiz Nei: incendiário

Quase nove da manhã.
Luiz Nei, saindo para o trabalho, grita já fechando a porta de casa:
- Vai querer carona até o ponto de ônibus?
- Vou. To indo.
Porta fechada, esperando o elevador.
Me dei conta:
- Putz. Esqueci meus óculos escuros. Abre aí que vou lá pegar.
Entro correndo enquanto Luiz Nei segura a porta do elevador resmungando.
- Anda logo, muquirana, que não posso ficar segurando essa merda (assim,com essa delicadeza).
Passei voando pela cozinha até chegar no quarto.
Senti um cheiro estranho no ar.
De queimado.
Pensei numa possível torrada ingerida pelo Luiz Nei no café, mas ele não costuma comer torrada de manhã.
Só por descargo de consciência decidi entrar na cozinha.
Eis que lá estava uma chaleira agonizando, já seca, prestes a ser torrada pelas chamas do fogão.
Meu Deus!
Vai incendiar a casa.
Desligo o fogo e vou pro elevador.
Luiz Nei com cara de bunda. Sabendo que fez merda.
- Quer colocar fogo na casa? Deixou a chaleira queimando no fogão.
- Fui esquentar água pra tomar chá e acabei desistindo. Esqueci.
- Que amor. Imagina se eu não esqueço meus óculos?
- Ia pegar fogo na casa.
- É... isso se não pegasse no prédio todo.
- Hum... desligou?

Não desliguei, não.
Coloquei no fogo alto e ainda virei álcool em cima.

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