9.2.07

Geral está contigo

O cenário é a churrascaria do Grêmio, no estádio Olímpico, na época em que ela era uma das melhores da cidade.
Éramos os últimos clientes do estabelecimento.
Uma mesa com sete pessoas.
Isso por volta das 3h da manhã.
Quatro garçons esperavam ansiosamente pela nossa saída para poderem fechar a casa e retornarem ao convívio de seus familiares.
A conversa, regada a muito chopp, dizia respeito a uma série de assaltos violentos que estava acontecendo no bairro.
Nossa animação foi interrompida abruptamente quando todas as luzes da churrascaria se apagaram.
Ao contrário do que se poderia esperar, ninguém deu um pio.
O silêncio invadiu o recinto.
Era possível escutar a batida acelerada do coração.
Lá nos fundos, um garçom alertou com a voz em pânico:
- Vamos ser assaltados. É assim que eles estão fazendo aqui no bairro.
Fiquei completamente cagado.
Havia pensado exatamente nisso quando as luzes se apagaram, mas não quis acreditar.
A escuridão e o silêncio eram totais.
Me atirei ao chão e, por baixo das mesas, fui rastejando até chegar em uma das janelas.
Elas eram de vidro de cima a baixo e facilitavam a observação da rua.
Tentei encontrar um ponto estratégico onde pudesse observar pra fora sem ser visto.
Me escondi atrás de uma cadeira e fiquei ali espiando pelo vidro pra tentar perceber alguma movimentação do lado de fora.
Não dava pra ver absolutamente nada.
A rua estava deserta.
De repente, notei a aproximação de um vulto.
No breu, não consegui identificar.
Vinha em minha direção, mas parece não ter me visto.
Quanto mais se aproximava, mais dava pra identificar.
Será possível?
Sim, era ele.
Circundou o restaurante pelo lado de fora.
Passou a alguns centímetros de mim até encontrar a porta de entrada.
Lentamente ela se abriu.
Foi quando todos puderam ver.
Era o seu Madruga.
Quando vi que não havia mais saída, me levantei de onde estava e gritei quebrando o silêncio:
- JÁ CHEGOU O DISCO VOADOR!
As luzes se acenderam e todos começaram a cantar “parabéns pra você”!
Emocionado, seu Madruga me abraçou chorando:
- Gracias hermano, gracias!
- Tu merece, tu merece. A Geral está contigo! - Respondi

Pois esse foi meu sonho de hoje.
Não tenho nada a declarar.

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