27.3.07

Extinto de sobrevivência

Na época da faculdade, aprendi que para ser um bom entrevistador, um bom repórter, você tem que fingir não saber sobre o tema do qual está tratando.
Eu disse fingir.
Por mais que você domine o assunto e tenha um grau de conhecimento avançado, é necessário que você utilize sua capacidade para fazer com que o entrevistado fale sobre ele.
O que interessa é o que o entrevistado diz e não você.
Quando você escreve um texto também:
Por mais inteligente que você seja e por mais óbvio que pareça o que você está escrevendo, é necessário, muitas vezes, que você tente ser o mais simples possível imaginando que a pessoa que estará lendo o seu texto não irá entender (ainda bem que nesse blog não tenho esse problema). Nesse caso, seu texto acaba sendo banalizado, você acaba não escrevendo o que gostaria de escrever, só para que um bando de ignorantes possa entender.
Já faz algum tempo, tenho percebido que preciso usar minha inteligência para ser burro.
No meio da vaidade dos homens, quanto menos você se destacar, melhor pra você.
Quanto mais burro você for, melhor.
Acho que foi pra isso que eu estudei.
Para aprender a ser burro.
Felizmente minha inteligência é suficiente para que eu me torne um excelente burro.
Tenho orgulho de conseguir me passar por um burro perfeito.

Bom, já não bastasse ter que ser burro para me dar bem, acho que vou ter que aprender a ser mau.
Quando você é mau, é ruim com os outros, ninguém caga na sua cabeça.
Tenho que aprender isso.
Preciso ser mau para impor respeito.
Preciso ser durão para ser admirado pelos outros.
Preciso ser canalha para chamar atenção das mulheres.
Preciso pisar nos outros para não ser pisado.

Meu Deus.
Que mundo podre que me cerca.
Bom, melhor ir parando por aqui, esse post tá muito inteligente pro meu gosto.
Vai acabar sobrando pra mim.

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