3.5.07

Porco zio!

Acordei por volta das 11h.
Dia de folga, aproveitei para dormir mais.
Peguei meu celular e vi quatro chamadas da Priscila.
Tadinha. Tá isolada no interior de Ribeirão Preto participando de uma feira de agronegócios.
Uma semana em uma fazenda.
Antes mesmo que eu pudesse retornar as chamadas, ela voltou a ligar.
Deve ser importante, pensei.
Atendi:
- Oi Pri!
- Márcio, preciso te perguntar uma coisa séria.
O tom da voz me deixou preocupado.
- O que foi, Pri?
Um breve silêncio deu um tom de suspense à cena.
Solta ela:
- Vamos comprar um leitão?
Juro que levei alguns segundos pra assimilar a pergunta.
- Como é que é?
- Um leitãozinho. Custa só R$ 20,00 e as crianças vão adorar.
Ela não pode estar falando sério.
Gargalhei...
- Comeu cocô, Priscila?
- É sério! Ele é pequenininho, rosinha. A coisa mais amada. E come qualquer coisa que a gente comer. Podemos criar feito um cachorro.
Percebi que ele estava falando sério.
- Tá bom, Priscila. Vamos criar um leitão dentro de um apartamento. E depois?
- Ah...depois ele vira um porco. Mas é tão bonitinho.
Comecei a pensar em algum psiquiatra em Porto Alegre que pudesse cuidar desta cabecinha privilegiada, mas não me veio nenhum na hora.
Pelo menos, tive a inspiração:
- Vamos fazer o seguinte: a gente cria o porquinho do jeito que você quer, mas com uma condição.
- Qual?
- Quando ele crescer a gente assa no forno.
Acabou aí o assunto.

Tive que ser durão.
Afinal, lugar de porco é no chiqueiro, no forno ou no rolete.
Um dia ela vai me agradecer.

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