4.6.07

Promessas

Nunca fui muito adepto às promessas.
Não pelo fato em si de fazer uma promessa, mas simplesmente por não conseguir cumpri-la.
A Priscila, por exemplo, há três anos não toma refrigerante por causa de uma promessa.
Já ficou um ano sem comer doce.
Dois absurdos.
Em 2003, no auge do desespero, prometi que se o Grêmio não caísse para a segunda divisão eu pintaria meu cabelo de azul.
Promessa light.
Pois o Grêmio escapou na última rodada.
Nem assim pintei meu cabelo de azul.
No ano seguinte, o time foi rebaixado.
Não há nenhuma dúvida de que eu fui o culpado pelo rebaixamento do Grêmio.
Sofro por isso.
No início desse ano, provavelmente na mesa de um bar e com o cu cheio de cerveja, o Marcelo veio com essa:
- Se o Grêmio for campeão da Libertadores esse ano, vou caminhando até o Santuário das Mães, em Novo Hamburgo.
Provavelmente também com o cu cheio de cerveja e amparado na total falta de possibilidade de o Grêmio chegar perto do título da Libertadores, fui atrás:
- Eu vou junto!
A promessa acabou chegando aos ouvidos do Rafael Pfeiffer que, no auge de sua forma física, decidiu dar uma de gostoso.
- Tá feito! Eu vou com vocês também.

(...)

04 de junho.
Grêmio na semifinal.
Almoço no restaurante Outros 500, ao lado do Olímpico.
Falo pro Pfeiffer:
- Cara, ontem passei de carro pelo Santuário das Mães, em Novo Hamburgo.
- Muito longe?
- Bah. Tu não tem noção. É além de Novo Hamburgo.
- Tamu fudido.

Segue a conversa voltada agora à área técnica.
Pfeiffer é o entendido:
- Se a gente sair às 7h da manhã, chegamos até a Petrobrás antes do meio dia.
Não sei onde é a Petrobrás, mas concordei.
Segue o Pfeiffer:
- Se fizermos paradas breves de 20 minutos de duas em duas horas, chegamos no Santuário de noite.
Retruquei:
- Tá maluco? É impossível fazer esse percurso em só um dia. Temos que caminhar até a metade do caminho, que deve ser em São Leopoldo. Aí dormimos em um hotel e seguimos no dia seguinte. A promessa não diz que não podemos dormir em um hotel e continuar no outro dia.
Continuo, lembrando de uma vez que voltei caminhando da Ulbra até Porto Alegre quando o Grêmio foi bi da Libertadores:
- Em 1995 levei 3h27 da Ulbra até em casa. Da Ulbra até a Unisinos deve ser o mesmo tempo. Já são sete horas de caminhada. Da Unisinos até o Santuário devem ser umas quatro horas, no mínimo. Isso se mantivermos o mesmo ritmo desde o início, que é impossível. Levaríamos onze horas caminhando. Não tem como.
Pfeiffer silencia.
Coça a barba.
Toma um gole de suco de laranja.
E resmunga:
- Somos uns imbecis.
- Sim. Somos.
- Já senti uma fisgada na panturrilha só de pensar.
- Vamos ter que contratar uma UTI Móvel pra nos acompanhar.
- Eu vou levar no bolso só a minha carteirinha da Unimed.
- (suspiro)

Isso que o Grêmio ainda nem chegou na final.
Haja otimismo.

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