23.10.07

A nojera humana

Domingo fui com a Priscila almoçar no Parrilla del Sur.
Lugar muito agradável com excelente comida.
Minha Tapa de Cuadril estava pra lá de supimpa.
Destoando de tudo estava o nosso garçom.
Ele suava feito um porco. E nem estava calor.
O suor pingava sobre a carne deixando o prato com um leve sabor salgado.
Mas não foi só isso, na mesa atrás da Priscila sentou-se uma espécie grotesca da raça humana.
Após devorar quase dois quilos de carne, a criatura passou a limpar os dentes com os dedos. Com dois deles, tentava resgatar os fiapos de carne presos entre os dentes mais profundos e inacessíveis.
A cada movimento mais ousado, eu procurava deixar a Priscila sempre bem informada:
- Olha lá! Olha lá! Ele acabou de tirar um naco do siso e tá chupando a unha.
Com ânsia de vômito, Priscila não se mostrava muito interessada em minha narração.
Nada mais divertido do que observar a nojera humana.
Tão bom quanto observar, é falar sobre ela.
Enquanto o homem dividia a atenção da carne no dente com uma meleca que incomodava no furo esquerdo do nariz, Priscila comentou:
- Ainda bem que você não é podre desse jeito.
- Não sou? – surpreendi-me.
- Não. Se fosse eu não estaria casado com você.
- Mas não tem nada de podre assim que eu faça que te deixe com nojo?
Priscila, agora pensando:
- Hum. Não. Nada. Você não faz nem aquilo que todos os caras fazem que é coçar o saco. Isso é nojento.

Que decepção.
Preciso voltar a ser homem, urgente.

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