17.12.07

Os Deuses do Futebol

Quando Ronaldinho ajeitou a bola com carinho, me ajoelhei na frente da TV.
De olhos fechados e mãos juntas, rezei.
Rezei como nunca havia feito na vida.
Lembrei que ele ficava horas cobrando faltas depois dos treinamentos.
De 40 que chutava, acertava pelo menos 35.
Pedi a Deus para que acertasse aquela.
Pelo menos aquela.
O relógio apontava 42 minutos do segundo tempo.
Era a última chance.
Um lance que poderia mudar a minha vida para sempre.
Era só fazer aquele gol.
Olhos fixos na bola.
Suor escorrendo-lhe pelo rosto.
Feição tensa.
Observou a posição do goleiro.
Entrada da área.
Era só mandar por cima da barreira.
Lembrei da forma em que deixou o Grêmio para atuar no PSG.
Lembrei de sua tristeza em ser odiado pela grande maioria da torcida do time do seu coração.
Aquela era a melhor chance para se redimir.
Para volta a ser um herói tricolor.
Deus havia reservado exatamente aquele momento para mudar a história.
Não poderia ser coincidência.
Bastava fazer o gol.
O juiz apitou.
Ronaldinho hesitou.
Olhou para o árbitro, olhou pra bola e correu.
O chute saiu colocado, por cima da barreira, como tem que ser.
O goleiro nada poderia fazer.
Parado, ficou olhando a bola passar.
E ela passou.
Pra fora.
Raspando o poste direito.
Se perdeu pela linha de fundo.
E com ela todos os meus sonhos, as minhas esperanças.
Estava tudo acabado.
Ainda de joelhos, atônito, xinguei Deus.
Xinguei com vontade.
Com dor no coração.
Não podia ter me abandonado, Corno.
E o juiz apitou o final de jogo.
No distante Japão, o Inter era Campeão do Mundo.
Algo inimaginável que não fazia parte nem dos meus mais horrendos pesadelos.
Onde estavam a essa hora os Deuses do Futebol?
Aqueles Deuses que sempre vestiram azul, a cor do céu?
E que sempre foram tão bacanas comigo.
Onde estavam há um ano atrás?

Ou eles não existem, ou esgotaram a cota na Batalha dos Aflitos

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