4.1.08

Dons e anomalias

Ontem à noite passei horas na frente da TV acompanhando um programa sobre pessoas capazes de utilizar determinadas partes do corpo de forma bizarra.
Uma delas conseguia projetar 95% do globo ocular.
Literalmente fazia os olhos saírem da cara.
A outra conseguia arregaçar a pele do pescoço e esticar ao ponto de conseguir cobrir a boca.
Sempre admirei (com certa inveja) alguns amigos de infância capazes de certas proezas com determinadas partes do corpo que faziam com que fossem os centros das atenções.
Não sei se poderia chamar de anomalia congênita ou de dom divino.
Só sei que eu admirava.
E naquela época de ingenuidade juvenil (quando não havia a necessidade de atrair indivíduos do sexo oposto) o principal objetivo era chocar.
Quanto mais bizarro, melhor.
Em matéria de olhos, me lembrei imediatamente do Ricardo Cantalice que conseguia virar as pálpebras do avesso.
Normalmente causava frisson.
A Aline “Bigodón” conseguia olhar para a direita e para a esquerda ao mesmo tempo.
Uma vesga ao contrário.
Porém, diferente do Ricardo, não se orgulhava deste dom e raramente nos proporcionava vislumbrar.
Mas deixando os olhos de lado, recordei outros amigos e suas “anomalias” (ou dons).
O Carlos “Pecebão” tirava sonoridade do sovaco. Segurava o sovaco esquerdo com a mão direita e fazia um movimento como se estivesse batendo as asas. Conseguia reproduzir a música “Tieta”.
O “Gueré” mexia as orelhas, pra cima e pra baixo.
A Joana “La Loca” lambia o cotovelo.
O Paulo Scalzili torcia o dedo indicador para trás e encostava na parte superior da mão.
O Luiz Bonamigo comia macarrão e conseguia fazer sair pelo nariz.
Mas nenhum dom divino se compara ao do Marcelo Pegoraro que conseguia controlar o flato.
Isso mesmo.
Ele peidava na hora que bem entendesse.
Sabe o que é soltar uma bufa quando quiser?
O cara era o ídolo da gurizada.
Ganhador de todos os campeonatos de peidos que fazíamos.
Aliás, era hors concours.
Queria também poder fazer isso (suspiro).
Bom, mas não posso reclamar.
Também sou provido de um dom.
Meu super “Chafariz Salpico Perdigoto Salivaris”.
Quem me conhece mais a fundo sabe como funciona e, provavelmente, já foi vítima.
Trata-se de um jato duplo de saliva que atinge a presa de forma inapelável causando náusea e repugnância.
Basta dobrar a língua colocando no céu da boca e movimentar para frente aquela membrana que prende a língua por baixo.
O jato sai certeiro e tornava-se mais poderoso e letal quando comia bala “azedinha” ou quando mascava aquele chiclete ácido de morango que tinha um pozinho branco.
Nestes casos, a distância do jato era de algumas dezenas de metros.
Já tive meus momentos de glória.
O efeito do “Chafariz” junto às meninas era tão devastador quanto os gases do Pegoraro.
E isso me enchia de orgulho.
Certa vez fui convidado por uma equipe que participava da gincana do Hipo Incosul para ajudar numa tarefa que solicitava no local do evento uma pessoa que fizesse alguma coisa bizarra e asquerosa.
Pois minha timidez impediu que eu me tornasse uma pessoa famosa.
Recusei o convite.
Além disso, não estava mais na idade de causar alvoroço junto às meninas.
Pelo menos com o super “Chafariz Salpico Perdigoto Salivaris”.
Não posso declinar publicamente, mas, hoje em dia, causo alvoroço entre as meninas com outro dom divino.

Ou seria anomalia?

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...