16.1.08

Luiz Nei e a vingança divina

Atlântida.
Domingo pela manhã.
Antes de sair para caminhar na praia, abro meu carro para pegar os óculos escuros.
Noto que o rádio ficara ligado desde o dia anterior quando escutávamos música comendo um churrasco nos fundos da casa.
Pensei com meus botões: “se foi a bateria e esse carro não vai ligar”.
Dito e feito.
Girava a chave: “nhec, nhec, nhec, nhec...”
Nenhum sinal de vida.
(Sim. O som do carro não pegando é esse mesmo “nhec, nhec, nhec, nhec...”).
Nisso surge Luiz Nei pela porta dos fundos carregando um pote plástico de alface.
Vendo meu drama, despeja:
- Bem feito! Com uma fubica véia dessas tem que se fuder mesmo.
Puto da cara, não digo nada e acompanho a trajetória de Luiz Nei até a geladeira da área da churrasqueira onde pretendia guardar o pote de alface.
No primeiro degrau, Luiz Nei trupica e despenca de joelhos.
Pote de alface sai arrodeando pelo chão e vai parar longe.
De boca aberta, observo aquela cena patética e não deixo por menos.
- Toma! Coisa bem feita! É a vingança divina! Obrigado Senhor!
Meio sem jeito, se levantando e limpando os joelhos, Luiz Nei esbraveja:
- Agora tu te fudeu comigo! Agora mesmo é que essa merda não vai pegar!
E saiu de volta pra cozinha arrastando os chinelos.
Cinco minutos se passaram e o homem retorna.
- O que tu qué? Pergunto.
- Vou te ajudar a empurrar pra ver se liga.

Visivelmente com medo da vingança divina.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...