13.5.08

Desabafo de pai

Passa da meia-noite e retardo um pouco meu sono para digitar algumas poucas linhas em homenagem à minha filhota que hoje completa 8 aninhos.
Me lembro como se fosse ontem aquela noite no hospital quando, pela primeira vez, ficamos a sós.
Só nós dois passeando pelo corredor silencioso da maternidade.
Todos dormiam.
Menos nós dois.
Numa total cumplicidade.
Aqueles dois olhinhos negros fitando meu vulto e aquele narizinho perfeitinho atrás da chupeta que cobria quase todo o rosto.
Como descrever o sentimento?
Impossível.
Aquele pequeno ser recém nascido e completamente indefeso dependia de mim.
Mudou minha vida pra sempre.
Quantas noites passei em claro preparando mamadeira, trocando fraldas, embalando em meus braços ou, simplesmente, velando seu sono.
Quantas vezes cheguei em casa, cansado e fui recebido com aquele sorrisinho e aquele abraço apaixonado.
Sim, apaixonado.
Passaram-se os anos.
Minha princesinha cresceu e nossas vidas tomaram rumos completamente diferentes.
Hoje, mais do que nunca, a sinto cada vez mais distante de mim.
Estou impotente diante da realidade.
Sou pai de 15 em 15 dias, por algumas horas.
Não há mais cumplicidade.
Já não tenho mais controle da situação.
Não posso educá-la como pretendia.
Não posso mais protegê-la como pretendia.
Não posso nem mais vê-la como fazia antes.
Minha amadinha virou uma estranha pra mim.
Tento fazer o melhor neste pouco tempo em que estamos juntos, mas sinto não ser o suficiente.
Só espero que o tempo venha a cicatrizar a ferida aberta no meu coração.
E que esse tempo possa fazer com que ela enxergue o tamanho do amor que sinto por ela.
Que ela possa entender que eu não fui o culpado desta mudança tão brusca em sua vida.
E que eu também possa entender.
Hoje, só posso oferecer meu amor.
E essas lágrimas.
Te amo filha, pra sempre.

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