26.5.08

Minh' Alma vaga

Minha amada e eu caminhávamos por uma pequena ruela de uma bucólica cidadezinha do interior da Itália.
Não me lembro exatamente o nome, mas deveria ser alguma coisa do tipo “Cidadezinhamedieval Vecchia”.
O centro parecia ter parado no tempo.
Era formado por um labirinto de ruas.
Todas elas desembocando em uma praça central onde não passavam carros.
Volta e meia uma motoneta.
O piso era de pedra.
Pedras grandes e castigadas revelando estarem ali há milhares de ano.
Recém havia chovido e o sol forte daquela manhã despontava por de trás dos prédios antigos refletindo nas poças d’água.
Um velinho alimentava as pombas da praça.
E eram muitas.
Dois bambini seguiam para a escola correndo e chutando pedras.
Vestiam uniformes que me fizeram recordar Pinocchio.
Os gritos e risos rompiam o silêncio do local.
Cortaram atalho pelo meio da praça afugentando as pombas que, às dezenas, alçaram vôo para o topo da torre da imponente igreja renascentista.
O relógio marcava 7h10.
O velho, irritado, proferiu algum palavrão em italiano.
O cheiro de pão feito em casa impregnava o ar vindo das chaminés das casas.
Uma senhora com lenço verde na cabeça passou por nós com uma cesta cheia deles.
- Buon Giorno! Disse sorridente.
Respondi meio sem jeito surpreso com tamanha delicadeza da senhora.
Nos dirigimos para um café que ficava ao lado da praça.
Eram umas oito mesinhas delicadamente arrumadas e cobertas por guarda-sóis coloridos nas cores da bandeira da Itália.
Enquanto Priscila olhava o cardápio, peguei minha câmera fotográfica do bolso para registrar aquele momento.
Fazia frio.
Priscila levava em volta do pescoço um grosso cachecol preto, contrastando com seus lindos cabelos vermelhos.
Preparei a foto, mas pedi:
- Senta ali naquela cadeira. Assim posso pegar a igreja de fundo.
No que ela respondeu:
- Não. A Neuza está sentada ali.
- Que Neuza? Perguntei surpreso.
- A Neuza Canabarro.
Minha incredulidade deve ter sido tanta que acabei acordando.

Relógio do celular já marcava 8h11.
Não sei qual o significado.
Só sei que preciso urgentemente viajar para a Europa.
Lá se vão 15 anos.

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