10.6.08

Educação acima de tudo

Sexta-feira saí do trabalho e fui direto ao shopping Iguatemi comprar ingressos para levar as crianças ao Xou da Xuxa no Gigantinho.
Saindo de lá pela João Wallig, parei no sinal.
Dois carros a minha frente, uma pessoa estica o braço pela janela e deixa cair uma casquinha de sorvete.
“Barbaridade”, pensei.
Um Peugeot 306.
Pessoa abastada, com acesso à educação.
Logo em seguida, deixou cair uma latinha de Coca Cola no meio da rua.
Fiquei indignado.
Não que eu nunca tenha jogado lixo pela janela do carro.
Só que faço isso discretamente.
Como se o lixo tivesse escapado da minha mão meio que sem querer. Sabe como é?
Nunca parado num sinal com uma fila de carros atrás.
O sinal abriu e, logo em seguida, paramos em outro, na esquina com a Nilo Peçanha.
Não titubiei.
Encostei o meu carro ao lado do Peugeot.
Olhei pra ver quem era (vai que é um lutador de jiu-jitsu).
Eram duas meninas. Patricinhas.
Baixei o vidro e olhei fixamente na cara da motorista.
- Que educação, hein minha filha!
Ela levou um tempo até assimilar e juntar os butiás que caíram do bolso.
Meio que gaguejando, retrucou:
- Foi a educação que minha mãe me deu.
Resposta patética.
Me esforcei na cara de desdém.
- Coisa mais feia. Tsc...tsc...tsc.
A acelerei deixando a bonitinha de boca aberta.
Me senti reconfortado com minha atitude.
Um verdadeira cidadão.
Defensor da natureza e das boas maneiras, acima de tudo.
Quase um ativista do Greenpeace.
De duas uma: ou a menina jamais irá atirar lixo na rua outra vez antes de olhar no retrovisor ou vai fazer como se tivesse escapado da mão, meio que sem querer.
Sabe como é?

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