24.6.08

Fim de carreira

Decidi levar as crianças ao Xou de Xuxa para exercer o papel de pai.
Confesso que achei que seria mais fácil.
Me enganei.
Já não tenho mais idade para este tipo de aventura e desisti de repetir algo semelhante num futuro próximo.
Chegamos ao ginásio às 15h sendo que o espetáculo começava às 18h.
Minha idéia era pegar um lugar razoável nas arquibancadas.
Permanecemos na fila por aproximadamente meia hora agüentando o frio da beira do Guaíba.
O frio até não foi problema, difícil mesmo foi conseguir vencer os vendedores de bugigangas.
Para meu desespero, a oferta era demasiada: pôsteres, fotos, bandeiras, fitas, balas, salgados, chicletes, pisca-piscas, bolas, almofadas, casacos, cachecóis, binóculos, bonés, lanternas, sucos, carros semi-novos, entre outras trocentas porcarias com a marca Xuxa.
Impressionante a criatividade.
Evidente que a Duda não se conteve apenas com uma faixa de cabeça, e tive que usar de energia para demovê-la da idéia de consumir.
Apesar de chegarmos cedo, conseguimos lugares de razoáveis para ruins.
Aquele assim, meio de lado, já saindo...
Isso sem falar no cimento congelante.
Foi obrigado a tirar o casaco pra sentar encima.
Difícil mesmo foi a situação daqueles pais que deixaram pra chegar minutos antes.
E como tinham.
Não sei se é inexperiência ou burrice mesmo.
Prefiro ficar com a última opção.
Os portões de entrada superlotaram.
As escadarias ficaram entupidas.
Ninguém saía e ninguém entrava.
Pais e mães pegavam seus filhos no colo ou colocavam na garupa pra evitar um iminente sufocamento.
Cheguei a temer uma tragédia maior rezando para que nenhum dos meus decidissem ir ao banheiro.
Felizmente, o único que teve que segurar o xixi fui eu.
Depois de intermináveis horas de espera e de responder 123.298 vezes a pergunta “já tá na hora, pai?”, finalmente começou o show.
E que decepção: Xuxa é uma ex-atleta.
Nada daquele pique e daquele charme de outrora.
Na primeira música, desisti de procurá-la depois do espetáculo.
Enquanto Duda berrava, dançava e chorava, Mártin observava quieto.
- E aí, filho? Tá gostando? Perguntei.
- Sim. Mas não vejo a hora de ir embora.
Pensei em dizer: “eu também, filho”, mas preferi ficar quieto.
Depois de 15 minutos de show, Mártin adormeceu no meu colo.
Só acordou na última música do Txutxucão.
Minha cabeça parecia explodir e meu corpo doía por completo.
Mais uma hora e meia de sofrimento.
Felizmente, não houve bis.
Mas os problemas não terminaram por aí: quem disse que eu conseguia táxi para ir embora?
Me arrependi até o último fio de cabelo de não ter ido de carro.
Depois de caminhar quase até o Praia de Belas, apareceu um carrinho salvador.
Cheguei em casa rastejando e pedindo cama.
“Não basta ser pai, tem que participar”.
Pau no cu de quem inventou essa frase.
Pior é ter que admitir que, além da Xuxa, eu também sou ex-atleta.

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