18.6.08

Fundi e outras sofisticações


Gosto bastante de fundi.
Sim, “fundi”.
"Fondue" é muito gay e tem que fazer biquinho pra falar.
Mais pelo ritual do que propriamente pelo fato de comer pão com queijo, que eu posso comer no café da manhã; ou carne com molinhos, que eu posso comer num churrascão; ou chocolate com frutas que eu posso comer em espetinho no shopping.
Fundi é um prato suíço nascido lá pelo século XVII.
Aprendi isso lendo Asterix.
Na historinha, vário helvéticos (os suíços) comiam o fundi de queijo. Sempre que um deles deixava cair o pão dentro da panela, era punido com 50 chibatadas.
Então, cada pão que caia era uma festa.
Aliás, fundi de chocolate é uma invenção brasileira. Não tem na Suíça.
No Dia dos Namorados, convidei Priscila para comer fundi no Shopping Olaria.
O único lugar que eu conhecia de fundi em Porto Alegre.
Pensei em ir mais cedo para não ter problema com a lotação.
Nada mais inteligente.
Chegando lá, apenas 57 mesas na nossa frente e uma espera mínima de três horas.
Acabamos em casa comendo Pizza Hut sem antes quebrarmos o maior pau.
Uma maravilha para o Dia dos Namorados.
Em dívida com ela, convidei para comer fundi nesta terça-feira.
Melhor que isso, em uma nova casa chamada Kassis, recém inaugurada na Eça de Queirós.
Coisa muito chique e sofisticada.
Mas ela merecia.
Sentamos ao lado da lareira e, de imediato, pedi a carta de vinho.
Pra impressionar, lógico.
Sem conhecer bulhufas de vinho, pedi uma dica pro garçom.
De imediato ele disse: “vou te trazer um dos melhores vinhos da casa”.
Engoli seco enquanto passava os olhos pela carta que mostrava vinhos de R$ 180,00 a R$ 300,00.
Esse idiota vai me trazer um vinho nesta base.
Cheia de sofisticação, Priscila interrompeu.
- Garçom. Vou querer este vinho aqui. É o que sempre tomamos. Disse apontando para o rapaz o vinho escolhido.
Esperei o garçom saí e perguntei baixinho:
- Que vinho é esse que nós sempre tomamos?
- Sei lá. Foi o primeiro de R$ 22,00 que eu vi na lista.
Por isso que eu amo esta menina.
Sempre tão sensível.
Pedimos uma seqüência de queijo, carne e chocolate.
R$ 40,00 por cabeça.
Tudo maravilhoso.
Clima romântico.
Até que Priscila solta:
- Viu como foi bom ter me conhecido? Agora você pode ter estes jantares chiques e esquecer aqueles churrascos com pagode e cerveja que era tua realidade.
Bem feito pra mim.
Mas não demorou muito para a vingança.
Priscila foi a primeira a deixar o pão cair dentro do queijo.
Berrei:
- Ah!! Cinqüenta chibatadas, cinqüenta chibatadas!!
Que, obviamente, ficaram para depois.
Antes de trazer o fundi de carne, o garçom perguntou:
- Preferem a carne na pedra ou na banha?
Nunca tinha ouvido falar em carne na pedra em fundi.
- Como é a carne na pedra?
- Vocês colocam as carnes para assar sobre a pedra. É muito mais light e é o que 99% dos clientes preferem. Explicou o rapaz.
Não me agradou a idéia, mas acabei aceitando a decisão de Priscila.
A palavra “light” na frase do garçom pesou mais alto.
Me arrependi.
Carne na pedra é o fim da várzea.
Ela gruda, fica toda torta e queima.
Não façam isso!
Bom, resumindo: passamos muito bem a noite desta terça-feira e eu consegui me redimir.
Chegamos em casa com a barriga cheia.
Não conseguimos nem subir as escadas do prédio.
E deixamos as chibatadas para outro dia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Useful blog website, keep me personally through searching it, I am seriously interested to find out another recommendation of it.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...