25.8.08

Olinda e Aflitos: a saga



Já consegui descansar depois de uma viagem desgastante que começou em Recife passando 30 minutos da meia-noite de hoje e terminou em Porto Alegre às 7h30 da manhã, com escalas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Já não sou muito de dormir em avião. Agora, quando este é da Gol, torna-se impossível.

Mas o Brasil tem estas peculiaridades por suas dimensões continentais (adoro essa expressão).
Ontem estava tomando água de coco na beira da praia sob um calor de 36 graus e vendo as meninas em seus minúsculos biquínis e, num piscar de olhos, hoje volto a curtir o friozinho do inverno gaúcho.
Confesso que prefiro aqui. Juro.



Situando o leitor um pouco no tempo, minha viagem começou na última quinta-feira com a ida ao Rio de Janeiro para cobrir a partida contra o Flamengo.
O resultado dentro de campo acabou não sendo o esperado, mas isso é só um detalhe.
De positivo mesmo ficou a emoção de pisar no gramado do Maracanã, o pai de todos os estádios.
Tinha estado ali há 26 anos como torcedor, mas minhas únicas recordações se resumiam a alguns flashes daquela final de Brasileiro de 1982 contra o Flamengo.
O Maracanã está impecável.
Certamente graças àquela remodelação para o Pan do ano passado.
As instalações para a imprensa e as facilidades para trabalhar são tudo de bom.
O difícil é desligar a atenção de toda essa maravilha e ficar ligado só no jogo e no trabalho.
Juro que tentei.



Após a derrota, o clima ficou pesado para a viagem a Recife.
Cheguei até a abrir mão do desejo de conhecer o nordeste em troca de estar outra vez nos braços da minha amada.
Mas não tinha volta: já que estava no inferno, a única opção era abraçar o capeta.
Decidi que faria da viagem a Pernambuco um passeio inesquecível apesar de todo o clima negativo decorrente da derrota de quinta.
Tratei de aproveitar da melhor forma possível as horas livres.
Sabe lá Deus quando vou ter a oportunidade de voltar a Recife outra vez.
Sendo assim, enquanto meu chefe aproveitava a tarde para dormir no quarto do hotel após a nossa chegada, tratei de pegar um táxi até o centro histórico da capital pernambucana.



Dei uma boa caminhada por ali aproveitando as últimas horas de sol.
Apesar da beleza de alguns prédios antigos, igrejas e do Marco Zero, o que chama mais a atenção é a sujeira e o cheiro forte de xixi.
Perambulei por pequenas vielas com dezenas de bares de qualidade duvidosa, mesinhas nas calçadas, gente bebendo e muita música nordestina a todo o volume.
Tentei achar um lugar para tomar o tal suco de cajá que me indicou o Gabriel, mas não encontrei. Mesmo abrindo mão do meu senso de higiene.
Quando a noite caiu e meu feeling apontou que ali não mais seria um lugar para um turista, retornei para o hotel.



Era hora de aproveitar um pouco as belezas da praia da Boa Viagem.
Sim, nosso hotel ficava na avenida beira-mar.
O vento forte litorâneo amenizava o calor da noite.
Dei uma caminhada pelo calçadão repleto de gente e me sentei naqueles tradicionais quiosques à beira-mar.
Comi um maravilhoso sanduíche natural de ricota e chester com uma batida de guaraná da Amazônia feita com leite, pó de amendoim, banana e trocentas outras coisas.
Posso dizer que foi uma experiência extraordinária. Tanto que voltei no dia seguinte para repetir a dose.



Por falar em dia seguinte, foi no domingo que tomei a decisão mais acertada da viagem.
Fui conhecer Olinda.
Não tinha muita noção da distância de Olinda para Recife e nem quanto tempo demoraria por lá.
Vai que meu chefe precisa de alguma coisa e eu, que fui lá pra trabalhar, estou fazendo passeios turísticos.
Mas, como eu já havia decidido, tratei de deixar o trabalho um pouco de lado. Não vale a pena ficar se matando e não ter um mínimo reconhecimento, muito pelo contrário.
Foi assim que, às 6h da manhã de domingo, seguia de táxi rumo à Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade.
Consegui a companhia do Renato, nosso operador técnico da Grêmio Rádio e colega de quarto, que se propôs a dividir o valor da corrida antecipadamente combinada em R$ 90,00 com o motorista. Dentro deste preço, ele nos mostraria toda a cidade, nos esperaria o tempo que quiséssemos ficar lá e nos traria de volta, evidentemente.
Com o trânsito praticamente inexistente àquela hora, não demoramos pra chegar à cidade. É mais perto do que ir de Porto Alegre à Canoas.



O taxista começou seu trajeto turístico andando lentamente pelas estreitas ruazinhas da cidade e parando em cada ponto de interesse para que pudéssemos tirar fotos.
O sol forte que surgia no céu azul e o silêncio da cidade com seus casebres coloridos que recém amanhecia davam um ar ainda mais especial ao passeio (que linda essa frase).
No alto das ladeiras de Olinda, uma visão extraordinária do mar azul esverdeado e a cidade de Recife que ainda dormia.
Ladeira abaixo todo o santo ajuda. Dispensamos o táxi e decidimos seguir trajeto a pé nos encontrando no final dele.
Lentamente, tratamos de percorrer aquelas ruas de pedra com o mesmo calçamento de centenas de anos atrás.



O silêncio era quebrado apenas pelos sinos das antigas igrejas.
A cidade começava a acordar.
E quem começava a acordar também eram os guias turísticos.
Um deles nos achou em uma das dezenas de esquinas e seguiu ao nosso lado explicando minuciosamente a história de cada prédio e cada rua.
No momento tive o impulso de dispensar a criatura pensando no quanto teria que desembolsar no final da cortesia da companhia, mas acabei cedendo tendo em vista as informações interessantes que nos eram passadas por ele.
Foi assim que seguimos nossa caminhada esmiuçando ruazinha por ruazinha e aprendendo um pouco sobre a história daquela cidade.
Com direito a uma parada na casa de Alceu Valença que, provavelmente, dormia.
Gedeon (era o nome do guia) fez questão de mostrar a cobertura onde o cantor construíra um banheiro ao ar livre para cagar vendo a vista do mar.
Cosa linda!
No final, o prestativo rapaz acabou levando R$ 20,00 de cada um.
Valeu o investimento.
Olinda faz jus ao nome.




De volta ao hotel lá pelas 9h, ainda tinha uma boa parte da manhã livre ainda que o chefe já estivesse acordado.
Ele preferiu ficar no quarto vendo a Fórmula 1 pela TV.
Eu segui para o calçadão da praia que já estava tomada àquela hora.
Pé descalços, dei uma boa caminhada pela areia e curti um pouco o mar ainda que só até o joelho.
Cheguei até a pensar em tomar um sol e experimentar um tal de Caldinho da Marlene que todo mundo comprava, mas desisti da idéia imaginando o café da manhã do hotel.
Parei de imaginar e fui lá conferir.
E, realmente, o café merece um depoimento a parte: pela primeira vez na vida comi caju.
Meu único contato com caju até então era apenas através dos sucos Tang e Maguary.
Aliás, o caldo que sai dele quando a gente morde tem exatamente o mesmo gosto destes sucos (parabéns ao pessoal da Tang e da Maguary pela qualidade do produto).
No canto do saguão onde serviam o café, tinha uma tapioqueira.
Sim, uma mulher que fazia tapioca na hora.
Chegamos a ficar amigos de tanta tapioca que ela preparou pra mim.
Mas a melhor era a tapioca de coco com doce de leite.
Jesus, que estrago.



Caracas!
Já escrevi tudo isso e ainda nem mencionei o jogo contra o Náutico.
Pois é.
Razão maior de minha presença naquele local.
Então vamos a ele.
Minha chegada ao inesquecível Estádio dos Aflitos, palco do maior jogo da história do Grêmio, não foi das melhores. Havia esquecido minha credencial no hotel.
Sorte que chegamos às 15h e o jogo só começava às 18h.
Mas existem males que vêm para bem.
Voltei de táxi até o hotel e retornei para os Aflitos.
Antes disso, tive a brilhante idéia de solicitar ao motorista que me levasse ao estádio do Arruda, do Santa Cruz.
A equipe da terceira divisão estava jogando contra o Campinense naquele exato momento. Não deu pra entrar, mas só passar ao lado, ver toda a movimentação e conhecer mais um estádio diferente para minha lista, já valeu a pena.
Bom, depois disso tudo, passavam das 16h quando pisei no gramado do estádio dos Aflitos.



Nunca imaginei um dia estar ali.
Me detive encostado ao poste da goleira onde Galatto fizera a defesa mais importante da história do Grêmio naquele 26 de novembro de 2005. A cobrança de pênalti que levaria o Tricolor ao fundo do poço parou na perna do goleiro gremista.
Lentamente, cruzei o gramado até a outra goleira.
A mesma onde Anderson marcou o gol da vitória depois do time ter tido quatro jogadores expulsos.
Não precisou muito para ter um filme passando pela cabeça e as lembranças de um sofrimento que parecia não ter fim.
Revivi em poucos minutos toda a Batalha dos Aflitos.

(pausa para respirar).

Chega de tanta bichice.
Não são só gremistas que lêem este blog.
Quem não é já está enfadado de tanto sentimentalismo futebolístico.

Bom, o jogo em si foi terrível.
Nada daquele Grêmio que meteu 7 a 1 no Figueirense em Floripa ou 4 a 0 no Atlético Mineiro em BH.
Muito pelo contrário. A derrota era questão de tempo.
E mais uma derrota seria trágico.
Principalmente pra mim que, como já disse antes, seria o culpado.
Sim. Euzinho seria o culpado.
Afinal, eu não estava conseguindo dominar a bola naquele gramado irregular e não acertava nenhum lançamento.
O Náutico fez 1 a 0 e dominava o jogo.
Perdeu chances para ampliar.
O jogo já estava no seu final.
O juiz deu quatro minutos de desconto.
O Grêmio tem uma falta que Tcheco vai cobrar pra dentro da área do Náutico.
A torcida pernambucana comemora e pede o final do jogo.
Nosso goleiro corre pra área para tentar um milagroso gol de cabeça ou qualquer outra coisa sobrenatural.
Atrás daquele gol, cabisbaixo e com a mão no queixo, observo a cena e penso com meus botões: “em 90 minutos de jogo o Grêmio não deu um chute a gol e não teve uma chance para marcar. Por que marcaria no último segundo dos descontos?”.
Pois não é que o zagueiro Réver pega uma sobra depois de uma confusão na área e marca o gol?
Acho que estava tão abobalhado com a situação que não consegui nem comemorar.
Pode parecer bobagem, mas aquele golzinho pra mim teve mais importância que o gol do Renato na final do Mundial de 1983.
Se a derrota da última quinta contra o Flamengo foi culpa minha, se eu não vinha jogando bem, se vinha errando jogadas fáceis, pelo menos fui eu que fiz esse gol no final.



Após o jogo, aliviado e feliz, só deu tempo para tomar um banho no hotel e seguir para o aeroporto de Guararapes dando início a desgastante viagem de volta.

Sinceramente não sei se voltarei a viajar com o Grêmio e nem sei se quero.
Mas uma coisa é certa: vale a pena conhecer Olinda.

Um comentário:

Anônimo disse...

ha ha ha ha ha ha,Os sintomas mais comuns de excesso de gases intestinais são flatulência, inchaço abdominal, dor abdominal e arrotos. Porém, nem todos experimentam esses sintomas. O tipo de graduação dos sintomas provavelmente depende de quanto gás o organismo produz, quantos ácidos graxos o corpo absorve, e a sensibilidade da pessoa ao gás no intestino grosso,Forte abraço
ha ha ha ha De Rondonopolis-MT

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