21.9.08

Meus domingos no Calderón


Estirado no meu sofá com capa bordô acompanhava na TV o Campeonato Espanhol.
O Atlético de Madrid jogava contra o Recreativo de Huelva no estádio Vicente Calderón.
Fui tomado pela nostalgia.
Vicente Calderón foi o primeiro estádio europeu que conheci.
Cheguei sábado em Madrid e no domingo já estava no estádio acompanhando o clássico entre Atlético e Real.
Lá se vão 16 anos.
Durante o tempo em que vivi na capital espanhola, dividia meu final de semana entre as partidas no Estádio de Vallecas (do Rayo Vallecano), no Santiago Bernabeu (do Real) e no Vicente Calderón (do Atlético).
O Rayo Vallecano é o terceiro time em importância na capital espanhola. É como se fosse o São José de Porto Alegre.
Normalmente os jogos eram aos sábados, pois o time estava na segunda divisão.
Gostava de ir a Vallecas.
O bairro era simpático e a torcida pacífica, formada em sua grande maioria por pessoas já de mais idade. Aqueles senhores de sobretudo e boina que acendiam seus charutos no início da partida, apagavam no intervalo, acendiam outra vez no início da segunda etapa e terminavam de fumar exatamente quando o árbitro apontava o final do jogo.
Gostava de chegar cedo para comer um bocadillo de jamón e ver a movimentação.
Além disso, me deliciava com as tabelas de Hugo Sánchez e Toni Polster.
Como acontece aqui em Porto Alegre com Inter e Grêmio, acontecia também em Madrid: no domingo em que o Atlético jogava em casa, o Real jogava fora e vice-versa.
O estádio do Real Madrid era colossal.
Um templo do futebol chamado Santiago Bernabeu em homenagem ao ex-presidente e ex-jogador da equipe.
Uma obra gigantesca localizada em pleno Paseo de La Castellana, uma das principais vias da cidade. Digna de um dos maiores e mais ricos clubes do planeta.
Tamanha aristocracia contrastava com a realidade do Atlético.
Primo pobre do Real, o Atlético acabou assumindo o papel de segundo time de Madrid.
Sempre buscou rivalizar com o coirmão, mas nunca chegou perto.
Tanto é assim que os seguidores do Real Madrid têm o Barcelona como principal rival, ainda que separados por mais de 600 km de distância, e vencer o Atlético é uma mera formalidade.
O estádio do Atlético, o Vicente Calderón, é um dos estádios mais simpáticos que conheci.
Tem uma avenida que passa exatamente abaixo do pavilhão social em um túnel.
Espetacular!
Sempre gostei mais de assistir aos jogos lá do que no Bernabeu.
Por ficar mais próximo do campo, dava sensação de que fazíamos parte do espetáculo.
Passei a torcer pelo Atlético que tinha como grande ídolo o alemão Bernd Schuster.
Gostava de ficar atrás de uma das goleiras onde ficavam as peñas (ou torcidas organizadas).
Foi ali que conheci e participei das minhas primeiras avalanches.
Mas lá se vão 16 anos.
Não sei se um dia voltarei ao Calderón, ao Bernabeu, a Vallecas.
Pelo menos fica a saudade e a alegria de poder acompanhar pela TV e poder dizer “já estive lá”.
Sim. Post sem nenhuma razão de ser.

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