17.9.08

NY1, Pollyanna e o apocalipse

Logo quando iniciei no jornalismo, participei de um seminário no Plaza São Rafael com a presença do Boris Casoy.
Foi aí que descobri que ele tinha tido paralisia infantil.
Bom, mas isso não vem ao caso.
O seminário era internacional e um dos palestrantes era um dos integrantes da NY1 (leia-se New York One).
Trata-se de uma pequena emissora de televisão de Nova Iorque (não diga!!).
O que ela tem de diferente das demais emissoras é a forma como os jornalistas trabalham.
Devido ao pouquíssimo número de profissionais contratados, os integrantes da NY1 tinham que se multiplicar por vários.
Ao receber uma pauta (normalmente decidida por ele mesmo), o jornalista deixa a emissora dirigindo seu próprio carro. Chegando ao local, ele mesmo monta sua câmera num tripé e faz o seu boletim ou sua entrevista. Terminado isso, volta correndo para a emissora. Escreve e grava o off da matéria, edita, monta, coloca os caracteres e coloca no ar a matéria prontinha e montadinha.
Segundo eles, "o futuro da televisão".
Na época achei fascinante.
Nunca pensei que um dia faria a mesma coisa.

***

Hoje fui escalado para fazer uma matéria de TV sobre a palestra que o Tcheco daria aos meninos das categorias de base do Grêmio.
Aparentemente uma coisa simples.
O único problema era ficar até tarde no Olímpico já que a palestra começava às 20h.
Também não é o fim do mundo.
Faltando 15 minutos pro início, descobri que a câmera pequena não estaria disponível.
Teria que usar uma câmera antiga que pesa somente 876 toneladas.
Também não é o fim do mundo.
Assim que o Tcheco chegou ao alojamento dos meninos, do outro lado do estádio, liguei a câmera para fazer as imagens.
Foi neste momento que acabou a bateria.
Também não é o fim do mundo.
Deixei a câmera no chão e corri até a sala para pegar a bateria reserva.
Felizmente estava carregada.
Após fazer as imagens e entrevistas, voltei pra sala com o objetivo de baixar tudo para o computador.
Neste momento, descobri que os cabeçotes do VT estavam sujos.
Também não é o fim do mundo.
Pacientemente esperei que fossem limpos.
Na metade do processo de baixar as imagens para o computador, o computador interrompe avisando que o disco está cheio.
Também não é o fim do mundo.
Apago alguma coisa que já não será mais utilizada e retorno a baixar.
Tudo pronto, trato de escrever e gravar o texto do meu off.
Agora é só editar.
Então descubro que todo o material que baixei não está na pasta onde normalmente deveria estar.
Também não é o fim do mundo.
Reviro todo o computador até encontrar.
Agora sim, começo a edição.
Tudo andando tranquilamente.
Capricho ao máximo para deixar a matéria bem bonitinha.
O relógio já marca 23h.
Não tenho pressa.
Cuido dos mínimos detalhes e dos últimos retoques.
Coloco os caracteres e os efeitos.
Pronto.
Coloco a matéria pra rodar. Só pra ver como ficou.
E ficou um brinco!
Agora é só salvar e colocar no ar.
Clico no botão para salvar como já cansei de fazer milhões de vezes.
Então abre uma janela de “erro” e o computador desliga.
Sempre pensando positivamente, ligo o computador novamente e retorno ao local onde acabara de fazer a edição.
Chegando lá, percebo que já não existe mais nenhuma edição.
Além disso, já não existe também mais nenhuma imagem e entrevista que havia baixado.
Também não é o fim do mundo.
Se fosse, daria risada e abriria uma garrafa de vinho.

***

Quando era pequeno li um livro chamado Pollyanna.
Era sobre uma menina que conseguia achar sempre o lado positivo das coisas por maior que fossem os problemas.
Um grande abraço pra ela.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...