9.9.08

Sirvam nossas façanhas de modelo


Admiro as pessoas que gostam e seguem as tradições gaúchas.
Acredito que, graças a elas, possuímos um tradicionalismo forte e rico em suas características.
Infelizmente não sou uma delas.
Não uso bombachas, não curto muito as músicas regionalistas e acho nojento todo mundo ficar tomando chimarrão na mesma cuia.
Prova disso é o fato de nunca ter conhecido o Acampamento Farroupilha no Parque da Harmonia.
Uma barbaridade!
Bom, mas este ano resolvi amenizar um pouco a dívida que tenho com o Estado:
Depois de levar minha sogra ao CTG, hoje fui almoçar no Acampamento Farroupilha.
Pela primeira vez em 36 anos pisei em um dos maiores pontos de encontro da mais pura tradição gaudéria.
Naquele momento, eu era tão paulista quanto a Priscila (que comparou o local com o local onde é realizado a Festa do Peão de Americana).
Percorri aquela verdadeira cidade em pleno centro de Porto Alegre completamente boquiaberto.
Impressionante a capacidade das pessoas em erguerem verdadeiras casas e galpões em um tempo recorde.
Não são apenas estandes ou tendas. São casas construídas com esmero e precisão.
Cada casa é um Piquete.
E são centenas.
Pra quem não sabe, Piquete é como se fosse um clube social que tem por finalidade a preservação e divulgação das tradições e da cultura gaúcha seguindo os princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho (thanks gugol).
Além de todos os atrativos, boa parte dos piquetes leva nomes interessantes. E a diversão maior é tentar imaginar a origem de cada um deles como o “Piquete dos Beiçudos”, “Piquete do Queixo Duro” ou “Piquete do Cavalo Tostado”.
Côsa de louco.
Só faltava mesmo o Piquete do Nélson (piada subliminar).
Mas além de conhecer o Acampamento, fiquei feliz também em fazer a Priscila mudar de opinião quanto ao local que, segundo ela, “não passa de uma reunião de gaúchos vagabundos que não trabalham e que comemoram uma guerra onde foram derrotados”.
Quanta injustiça.
Acho que ela curtiu o passeio (apesar de ter passado o resto do dia fedendo a churrasco).
- Onde esse bando de gente faz as necessidades fisiológicas?
Era essa a principal dúvida e curiosidade da paulistana.
Rapidamente resolvida já na entrada quando avistamos dezenas de banheiros químicos que são espalhados pelo local.
Voltando ao passeio, conseguimos chegar ao centro do Acampamento onde fica localizada uma espécie de “praça de alimentação”.
Comi um churrasco de costela enquanto a Priscila degustava um prato de carreteiro de charque com feijão mexido.
Neste momento, Priscila decidiu demonstrar todo seu conhecimento:
- Má, esse carreteiro de charque é feito com carne de tubarão?

Após ser atendido pela UTI Móvel de plantão, ainda deu tempo para fazer uma visitinha à feira de souvenirs.
Foi um passeio sensacional.
Espero voltar em breve, acompanhado pela minha prenda paulistana.

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