15.10.08

De peruca no Japão

Acredito que uma cobertura de Copa do Mundo deva ser o sonho de qualquer jornalista esportivo.
O Brasil fazia sua estréia na Copa do Mundo do Japão exatamente contra os donos da casa e eu era um dos poucos repórteres atrás de uma das metas, exatamente na frente da torcida brasileira.
Só o fato de estar ali já me deixava realizado.
Nem mesmo a peruca colorida que eu era obrigado a vestir me faria reclamar.
Sim, caro leitores. Tínhamos que usar umas perucas coloridas.
Segundo os japoneses, foi a forma encontrada para nos diferirmos dos demais profissionais que ficavam dentro de campo.
Achei ridículo, mas não contestei.
Enquanto o jogo não começava, consegui identificar um pequeno grupo nas arquibancadas vestindo a camisa do Grêmio. Eram aproximadamente 15 torcedores, todos com as cores e as bandeiras do Grêmio.
Impressionante como a força de uma nação consegue romper as fronteiras da distância, pensei comigo mesmo.
Até no Japão a galera gremista se fazia presente e isso me encheu de orgulho.
Mas minhas atenções deveriam estar voltadas para dentro de campo.
O Brasil fez 1 a 0 e jogava bem no primeiro tempo. Pelo menos nos primeiros 15 minutos.
Para surpresa de todos, o Japão não só empatou como virou a partida para 2 a 1.
Ficamos atônitos: jogadores, repórteres e torcida.
A festa era dos japoneses e tudo isso só no primeiro tempo.
No intervalo, toda uma infra-estrutura para satisfazer as necessidades dos jornalistas.
Não só uma infra-estrutura tecnológica para a realização das matérias como também uma infra-estrutura gastronômica. Uma sala gigantesca com sanduíches e refrigerantes à disposição e gratuitos.
O túnel de acesso ao gramado do estádio Nacional de Tóquio passava exatamente ao lado desta sala. Assim tínhamos o visual da movimentação dos atletas e da comissão técnica do Brasil.
Foi aparecer o Dunga para todos os jornalistas correrem em direção dele em busca de uma entrevista antes do início da segunda etapa.
Ele estava confiante na virada brasileira. E confesso que eu também acreditava.
Mas iniciado o segundo tempo, não demorou muito para o desânimo tomar conta.
O Brasil jogava mal e não conseguia levar perigo.
Foi assim até o final e quando o árbitro apitou o término da partida, os torcedores japoneses explodiram em festa.
Fiquei chateado com o resultado, mas ainda tínhamos dois jogos pela frente e poderíamos reverter a situação em busca da classificação.

Só espero continuar tendo sonhos como esse até a grande final, no estádio de Yokohama.

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