18.10.08

El Superclásico


A última edição da revista Trivela apresenta o resultado de uma pesquisa que elege o clássico Gre-Nal como o maior do Brasil em rivalidade.
Não só pelo jogo em si, mas também por tudo aquilo que o cerca.
Todo aquele ritual de espera e expectativa.
Eu, que tenho o prazer de vivenciar o Gre-Nal desde a mais tenra idade, sou obrigado a concordar: não há clássico maior no Brasil.
Tá certo que nunca assisti um Flamengo x Vasco, Corinthians x Palmeiras ou Atlético x Cruzeiro, mas não acredito que a mobilização seja a mesma.
Mas estamos falando em âmbito nacional.
Fora daqui, já tive o prazer colossal de presenciar no estádio confrontos como Real Madrid x Barcelona e Milan x Internazionale, entre outros de menor rivalidade.
Apesar da grandiosidade dos clubes europeus, nenhum jogo se compara ao Boca Juniors x River Plate, na Argentina.
É, sem sombra de dúvida, o maior embate já criado dentro do futebol.
E quem tem a oportunidade de acompanhar em La Bombonera ou no Monumental de Nuñez, certamente acaba mudando seus conceitos sobre o esporte e sobre a vida em gerl (lindo isso!)..
Véspera de “Superclásico” (apelido modesto deste encontro) faz a Argentina parar.
Entre uma empanada e outra, ninguém fala de outro tema nos cafés de Buenos Aires.
Os potreros (como são conhecidos nossos campos de várzea) enchem de desocupados pernas de pau usando as cores dourada e azul do Boca ou a branca e vermelha do River.
A rivalidade está no ar.
A gente sente o cheiro do Superclásico por todas as partes.
Minha primeira vez foi na Bombonera.
Luiz Nei e eu.
Até hoje não sei como ele fez para conseguir os ingressos, mas o importante é que estávamos lá.
Chegamos cedo ao estádio.
Chovia aos cântaros.
Uma estrutura de guerra foi montada pela polícia local.
As torcidas não podiam se encontrar.
Depois de subirmos uma interminável escada voltada para o lado externo do campo, finalmente chegamos ao terceiro anel onde apontava nosso ingresso.
Mais chuva. Muita chuva.
Cachoeiras escorriam pelas arquibancadas de cimento do velho Camilo Cichero, o verdadeiro nome da Bombonera e o estádio com as arquibancadas mais inclinadas do mundo.
As “barra bravas” (torcedores mais fanáticos localizados atrás das metas) já estavam posicionadas com seus bumbos e trapos.
Cantavam em uníssono sem parar de saltar um segundo sequer fazendo balançar a estrutura do terceiro andar, onde estávamos.
Mesmo sob o temporal, o estádio foi enchendo aos poucos até estar completamente lotado para o início da partida.
Fui completamente contagiado por aquele clima e aquele barulho ensurdecedor.
A cada ataque das duas equipes meu coração disparava.
O gol era questão de tempo.
Não agüentava mais e expectativa de ver aquela torcida explodir.
Porém, não tive sorte.
O tempo foi passando e o árbitro terminou a partida.
Um frustrante zero a zero.
Nem tanto para os torcedores que retornavam aos seus lares esperando pelo próximo clássico, mas extremamente frustrante pra mim.
Apesar da viagem inesquecível e de toda a emoção vivida, no ar aquele sentimento de que alguma coisa ficou faltando.
Mas não poderia deixar assim.
Apaixonado pelo superclásico, voltei muitas outras vezes.
Sim. Viajei à Buenos Aires apenas para ver Boca e River e jamais me arrependi.
Grandes jogos!
Vi a despedida do Maradona!
Uma goleada do River de 3 a 0 em plena Bombonera e uma virada do Boca de 2 a 1 em Nuñez. Só pra ficar nestes.
Se você tiver a oportunidade, não perca.
Já faz muito tempo que não vivo este momento, mas lá estarei outra vez na primeira oportunidade.
Neste domingo, as duas equipes se encontram outra vez.
E, se Deus e a Priscila deixarem, estarei na frente da TV, relembrando momentos inesquecíveis que vivi nas arquibancadas.

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