30.12.08

Diário de La Paloma - Dia 5


Mostrou-se extremamente acertada a decisão de viajarmos para Montevidéu nesta segunda-feira.
O tempo amanheceu ventoso e frio.
Frio de usar tranqüilamente casaco e moleton.
Nenhuma condição de piscina ou praia.
Acordei com o despertador às 8h30 e uma hora depois já estava na estrada rumo à capital do país.



Marcelo seguiu no carro da frente com a Simone e Guilherme na cadeirinha.
A estrada excelente fez as duas horas e meia de viagem passarem rapidamente.
Mesmo tendo me perdido do Marcelo na entrada da cidade, milagrosamente nos reencontramos perto de nossa primeira parada: a casa do nosso amigo Aldo Federico (aquele mesmo que me mandou de presente um DVD do Attaque 77).
E eu digo que “milagrosamente no encontramos” porque o Marcelo sabia onde ficava a casa dele, mas eu não.
Já estava quase desistindo de rodar pelo bairro de Carrasco quando me deparei com o carro do Marcelo.
Revi o Aldo depois de praticamente 14 anos.
A última vez havia sido na Copa América de 1995 quando fomos ver a final entre Brasil e Uruguai no Estádio Centenário.
Uma figura o filho dele, o Luciano, de 1 aos e 5 meses. Nos demos super bem (foto acima).
A Renata é a mais velha. A cara da mãe.
Almoçamos uma Parrillada no “Garcia”, ponto de encontro tradicional atrás do Cassino Carrasco.
Na saideira, um sorvete de sobremesa na “Freddo”.
Nos despedimos do Aldo e do Marcelo e seguimos para o centro da cidade.



Avenida 18 de julho.
Estacionamos na praça Artigas e fomos caminhar.
Parada obrigatória no Palacio de La Música onde adquiri meu tão esperado DVD do Andrés Calamaro e uma coletânea do Attaque 77.
Podem dizer o que quiser, mas Montevidéu continua linda.
Sei que sou suspeito pra falar, mas a cada vez que chego em Montevidéu mais certeza tenho que já morei lá em outras vidas.



Já no final da tarde foi a vez de visitar a Manuela.
Amiga de infância que não via também há anos.
O prédio não poderia ser melhor localizado.
Entre o estádio Centenário e o estádio Parque Central, do Club Nacional de Fútbol.
Conheci as duas filhinhas.
A Lucia e a Clarita.
Lindas!
Depois chegou o Luis, marido dela.
Passamos excelentes duas horas matando a saudade.
Peguei a estrada de volta já às 20h chegando no hotel três horas depois.
Valeu apena todo o sacrifício para rever os amigos e a cidade.



BÔNUS:

ME CAGANDO EM MONTEVIDÉU


Depois da frugal parrilla de almoço, certamente bate aquela vontade de sujar a louça.
Não demorou muito para o baby beef pesar no estômago.
Mas não foi só comigo não.
Priscila foi a primeira a gemer:
- Má: preciso ir ao banheiro e não é o número um.
Bateu o desespero.
Já sentia o bichinho colocando a cabecinha de fora e não estava conseguindo controlar.
Nossa primeira alternativa foi entrar em um café na Avenida 18 de julho.
Não havia muitas opções.
Pedimos um capuccino e um cortado.
Priscila esperou na mesa enquanto procurava o banheiro.
Meu Jesus Cristo.
O troço era podre.
Pior que o banheiro do estádio do Veranópolis.
Não consegui encarar.
Priscila não se importou com meu alerta e foi assim mesmo.
Imagina o desespero da menina.
Seguimos o passeio pelo centro enquanto tentava ocupar minha mente com outras coisas mesmo suando frio.
Entramos em uma galeria e fui direto ao banheiro.
A situação até pode ser considerada razoável, mas isso já nem me preocupava mais.
Entrei quase derrubando a porta, mas me deparei com um problema sem solução: não havia papel higiênico.
Voltei cambaleando até o carro que estava estacionado na frente do hotel mais chique de Montevidéu.
Não tive dúvidas:
Priscila ficou na esquina comprando um souvenir e eu entrei hotel à dentro segurando minha sacola com CDs.
Fiz uma cara de hóspede chique (já estou craque nisso) e cruzei o saguão pisando firme, com o cu apertado.
Dei boa tarde para o pessoal da recepção como se já estivesse hospedado há uma semana e segui caminhando esperando uma ajuda divina.
Meu instinto de sobrevivência me levou até o final de um corredor onde uma pequena portinha escondia várias cabinas telefônicas e (graças ao Senhor bom Deus) dois banheiros.
Não tive tempo de agradecer ao Pai.
Me atirei pra dentro e só tive tempo de baixar a bermuda.
O resto dos detalhes deixo por conta da imaginação fértil dos leitores.
Vocês não têm noção do prazer.
Um banheiro cheiroso (pelo menos estava até eu chegar), limpinho, chique.
Fiquei uma boa meia hora por ali.
Saí tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.
Cabeça erguida, vitorioso.
Chegando ao saguão me deparo com a Priscila.
Afundada numa poltrona de 4 mil dólares, óculos escuro, lendo jornal.
Uma madame.
Nos despedimos da galera da recepção e saímos pela porta giratória.
Momento sublime!
Tão sublime que fiz questão de registrar minha carinha de satisfação à frente do hotel.



Posso afirmar que a maravilhosa parrilla do almoço foi melhor saindo que entrando.

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