27.1.09

Tenha filhos

Nunca imaginei ter um filho na vida.
Só fui pensar nisso no momento em que nasceu.
Confesso que me agradou a experiência.
O sentimento de amor que temos por aquele trocinho de fralda é uma coisa que não dá pra dimensionar ou explicar.
Só tendo pra saber.
Então, eis que surge o segundo.
No primeiro momento, me assustei.
Não me senti capaz de amar o segundo da forma que amava o primeiro.
Mas me enganei.
Foi então que percebi que aquele papo de amar os dois filhos iguais não é apenas da boca pra fora.
E me impressionei com o tamanho do meu coração.
Graças a tudo isso, estou mais tranquilo com relação a este terceiro filho que está chegando.
Sim.
Essa pessoa que nunca imaginou na vida ter um filho, agora vai para o terceiro.
Mais maduro.
Com menos possibilidade de errar.
Conhecendo a capacidade do coração (ou não).
Mais experiente.
Bom pro nenê.
Bom pra mãe do nenê.
Bom pra todo mundo.
E recomendo: tenha filhos. Muitos deles.
Certamente seu coração irá crescer.
Um crescimento inversamente proporcional ao da sua conta bancária.
Mas vale a pena.

23.1.09

Tangos e Tragédias

Acredito que a pessoa de fora do Estado precisa passar por uma série de rituais de batismo para finalmente poder estar adaptada às tradições da nossa terra.
Ontem à noite a Priscila passou por mais um destes rituais.
Levei para assistir Tangos e Tragédias no Teatro São Pedro.
Há 25 anos em cartaz com o mesmo espetáculo, os caras seguem provando que são realmente um fenômeno conseguindo lotar o teatro em todas as apresentações.
Fazia tempo que não assistia.
Pelo menos uns 15 anos.
Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky continuam os mesmos.
As mesmas caras de psicopatas camaradas.
O espetáculo continua praticamente 95% igual desde a última vez que assisti.
São duas horas de apresentação culminando com o final apoteótico em plena Praça da Matriz, em frente à Catedral Metropolitana.
Pouca coisa mudou e assim mesmo segue divertindo e surpreendendo.
Fiquei pensando (sim, eu penso às vezes): como será que conseguem repetir o mesmo espetáculo durante 25 anos sem encher o saco?
Bom, pelo menos eu suponho que não encham o saco.
A resposta está na própria peça e não precisa ser gênio pra perceber.
O diferencial está no improviso.
Na reação das pessoas.
Nas coisas que não estão no script.
Como no momento em que Nico interrompe uma música para abordar um espectador que está caminhando pelo corredor lateral de mãos dadas com um menino:
- Vai levar no banheiro? É cocô ou é xixi? Não demora, hein!
Esse tipo de coisa.
Eles comandam a platéia o tempo inteiro e devem se divertir ao observar o quão ridículas ficam as pessoas imitando os ruídos e os gestos pedidos por eles.
Priscila, dentro de sua ingenuidade quase infantil, emitiu todos os ruídos possíveis, todos os movimentos e todas as danças (inclusive o Copérnico).
Isso sem falar na risada que quase paralisou o espetáculo e fez algumas pessoas virarem pra trás em busca da autora.
Mas valeu a pena.
Hoje Priscila pode se considerar um pouco mais gaúcha.

E vem aí o Gre-Nal na Geral do Olímpico.

22.1.09

Meu primeiro time

Se alguém tinha alguma dúvida sobre o clube de futebol que nosso nenê vai torcer quando nascer, ela começa a se dissipar a partir do momento em que Priscila chega em casa com esse troço.
Só não sei onde me acha uma imundice dessas.

21.1.09

Nuances de uma gravidez

Na casa de Luiz Nei e Juçá fazendo tempo enquanto a empregada limpa o meu apartamento.
Priscila me chama no MSN:
- Má. Pedi pra Ângela (empregada) deixar um pé de alface em cima da mesa.
Levei algum tempo pra assimilar:
- Ah é? É algum tipo de simpatia?
- Não, besta. É pra levar pra praia. Não esquece de pegar.
- E não tem alface na praia?
- Só alface crespo.
- Grande coisa. A gente passa chapinha.
- É o desejo.
- Tá com desejo de comer alface?
- Ainda não, mas vou estar nesse fim de semana.

(...)

Fim da manhã de segunda-feira, chamo a Priscila no MSN:
- Oi. Como tá?
- Muito enjoada. Passei a manhã toda com muito enjoo.
- Que droga. Então não vai almoçar?
- Vou sim. Quero almoçar contigo lá naquele restaurantezinho ao lado do teu trabalho.
- Por que lá?
- Porque lá tem ovo frito. Estou com desejo de comer ovo frito. Muito ovo frito.
Imagina se não tivesse enjoada.

(...)

Deitados na cama divagando sobre a gravidez.
Priscila murmura:
- Estou com medo de contar pra todo mundo sobre a minha gravidez.
- Por que?
- Porque ainda é muito cedo. Tenho medo que a coisa não vingue. Estou com muito pouco tempo. - É um risco. Mas se o exame deu positivo é porque tu estás grávida.
- Mas pode ter sido um erro do laboratório. Ou então eu posso ser uma aberração da natureza e ter sofrido uma mutação transgênica. Aí o exame deu positivo, mas eu não tenho nada. Já pensou nisso?
- Sim. Penso todo dia que tu deve ser uma aberração da natureza. Só pode ser.
- To falando sério. Não estou sentindo nada de diferente. Só estou muito enjoada, com os seios doendo e inchados e com vontade de fazer xixi toda hora. Fora isso, não estou sentindo nada de diferente.
- Ah tá. Vai dormir Priscila.

20.1.09

A vida é uma pandorga

A vida é um troço engraçado.
Como uma pandorga.
Às vezes a gente planeja uma manobra para um lado, mas o vento forte acaba te direcionando para o lado oposto.
Nesta mudança brusca, acabamos optando por outra manobra tão bonita quando aquela que havíamos planejado.
Um looping, quem sabe?
Então o vento para.
E quando você está lá, tranquilão, balançando na boa, eis que uma nova rajada te pega de surpresa.
Gira, gira e quase te coloca no chão.
Aí tu te apavora outra vez.
Claro, não estava esperando.
Mas logo agarra a linha com força e estabiliza.
Solta um pouquinho, e a pandorga sobe.
Muita turbulência?
Enrola a linha e desce que fica mais fácil de controlar
Seguindo a orientação do vento, cria manobras arriscadas.
Outras nem tanto.
Mas cuidado.
Quanto mais brilhantes forem as manobras, mais tua pandorga vai chamar atenção.
Nesta hora novas pandorgas surgem para dividir o espaço aéreo.
Umas são inofensivas e até dá pra fazer alguma evolução em parceria.
Outras só querem te colocar no chão.
Mas nada que uma boa dose de cerol não resolva.
O importante é nunca perder o foco.
Nunca se sabe quando o vento vai mudar de lado.
Quando isso acontecer, é bom estar preparado para uma nova mudança de rumo.
Afinal, lutar contra o vento ninguém merece.
Mas se quiser arriscar, só cuida a rabiola.

16.1.09

Previsões

Este post foi escrito por mim no distante dia 05 de fevereiro de 2007.
Praticamente dois anos depois, eis que a previsão torna-se realidade.

Upgrade providenciado.

8.1.09

Ano Novo - 12h de estrada

O leitor que acompanha este blog deve ter estranhado a falta de informações ou a interrupção abrupta do Diário de La Paloma. Assim, de uma hora pra outra.
Na verdade, posso dizer que a viagem para La Paloma realmente terminou de forma abrupta.
Nossa ideia era passar a virada de ano em território uruguaio e só retornar ao Brasil no último dia 2.
Pelo menos era o que havíamos planejado.
Mas as coisas começaram a tomar outro rumo na manhã do dia 31de dezembro.
Nossa programação exigia uma troca de hotel.
Nada muito sério tendo em vista que o outro hotel ficava exatamente ao lado do que estávamos e ainda pertencia ao mesmo dono.
Não imaginei nada muito traumático.
Pelo menos até entrarmos no novo quarto.
Bom, se é que podemos chamar de quarto um cubículo com uma cama.
Assustada com a falta de qualidade do local, Priscila deu a deixa que eu estava esperando:
- Vamos embora daqui. Disse ela.
Foi então que me dei conta que viagens têm prazo de validade.
Seis dias no Uruguai são mais do que suficiente.
Principalmente quando se está em La Paloma.
Descansar demais também cansa.
Em comum acordo, pegamos a estrada às 11h30 rumo ao litoral brasileiro.
O objetivo era chegar na praia de Atlântida pelo menos antes da virada do ano.
Fora o desgaste, acreditei não ser algo muito difícil.
Abortamos a parada para o almoço tendo em vista o período que demoramos no free shop do Chuí.
Depois de diversas compras, um longo percurso até Porto Alegre.
Chegamos em casa às 20h com tempo apenas para descarregarmos o carro e arrumarmos alguma coisa pra praia (como toalha e roupa de cama que não havíamos levado).
Tudo estava correndo conforme o planejado.
Às 21h estava de volta à estrada para mais 130 Km de viagem até Atlântida.
Dentro da normalidade, mais uma hora e meia de viagem chegando com tempo de sobra para celebrar o ano novo.
Doce ilusão.
Foi chegarmos ao segundo pedágio em Santo Antônio da Patrulha para o trânsito parar.
Tudo completamente congestionado.
Nesta hora já estava dirigindo há 10 horas.
Meu esgotamento era completo.
Só mesmo as palavras de alento da Priscila para conseguir chegar ao final.
Aqueles milhares de carro foram rastejando a 20 Km/h.
Primeira e segunda.
Anda e para, anda e para.
Foi assim até chegamos à Estrada do Mar.
Restavam ainda 30 Km.
Mas, felizmente, a estrada estava liberada.
Milagrosamente.
Chegamos em casa às 23h30.
Todos já haviam jantado.
Só deu tempo para brindar e cair na cama.
Completamente acabado.
Foi assim que terminou o Diário de La Paloma.
Agora estou em Atlântida na companhia de Duda e Mártin.
Poderia até começar um Diário de Atlântida, mas não quero cumprir esse compromisso.
Sigo de férias até o dia 20 e, esporadicamente, prometo dar o ar da graça.
Por enquanto, Feliz 2009 pra todos vocês e obrigado pela fidelidade.
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