28.2.09

De Caxias à Mata Atlântica passando por Flores da Cunha


Bom, foram centenas de e-mails entupindo minha caixa de entrada cobrando o post sobre a aventura de Caxias do Sul.
Vamos lá:
Aproveitamos o feriado de carnaval para descansar.
Optei por um final de semana no hotel Samuara, na estrada entre Caxias do Sul e Farroupilha.
Um hotel que fez parte da minha infância e adolescência.
Local ideal para relaxar e não fazer nada.
Passado algum tempo, cansado de descansar, decidi colocar um pouco mais de emoção no passeio.
Na verdade a ideia era só um POUCO mais de emoção e não MUITO mais emoção.
Lá na Serra a gente encontra aqueles “caminhos” feitos para turistas.
São “Caminhos da Colônia”, “Caminhos do Imigrante”, “Caminhos do Vinho”, “Caminhos do Caraleoaquatro”.
Nada mais são do que “caminhos” mesmo.
Uma estrada que passa por lugares pré-determinados onde o viajante para se quiser.
Optamos pelo “Caminhos da Colônia”, que me pareceu mais interessante.
Uma estradinha bucólica margeando precipícios e cruzando intermináveis parreirais, passando por pequenos povoados de colonização italiana com suas casas características tipo “O Quatrilho”.
Com quase 30 minutos de passeio e dezenas de bocejos depois, eis que a estrada de asfalto termina sem avisar.
Juro que pensei em voltar, mas não me conformei com o Caminho da Colônia ser apenas aquilo.
Colonizador que se preze tem que desbravar terrenos inóspitos e intransponíveis.
Foi com este pensamento que resolvi seguir pela estreita estradinha de chão batido.
No começo tudo era maravilha.
A paisagem exuberante em meio à natureza.
O ar puro, o canto dos pássaros, a abundância convidativa dos parreirais repletos de suculentos cachos de uvas.
Coisa meiga.
Com o passar dos minutos, o que antes era “maravilha” passou a ser apreensão.
Os parreirais (até então sinal de civilização próxima) deixaram de aparecer.
A estrada (até então transitável) passou a mostrar que há muito tempo nenhum carro passava por ali.
O celular (até então opção em caso de algum problema) deixou de ter sinal.
A gasolina (até então em um nível razoável) aproximava-se da reserva.
O carro (até então aguentando o tranco) passou a chacoalhar de forma preocupante fazendo Priscila segurar os peitos (aliás, bem engraçado).
Sempre tentando manter o bom humor para não deixar a moça em pânico, procurei achar algum vestígio que indicasse que logo estaríamos outra vez no caminho certo para o hotel.
Mesmo não existindo nenhum vestígio, não deixei o pavor tomar conta utilizando frases como “eu sei onde estou, fica tranquila”, “confia na minha capacidade de localização”, “agora falta pouco pra gente chegar”, “se aqui tem estrada quer dizer que em algum lugar vai chegar’ ou “segura na mão de Deus e reza”.
Sempre torcendo para não aparecer nenhuma carcaça de carro no caminho com dois esqueletos sentados no banco da frente.
Quanto mais o tempo ia passando e a gasolina abaixando, o desespero ia batendo.
Priscila já chorava imaginando como seria seu parto na selva rodeada de bugios.
Eu resmungava algumas orações que aprendi no colégio.
Foi assim que, sei lá de onde, apareceu uma casinha no meio do nada.
O morador (alguma espécie de eremita) indicou o caminho de volta à civilização.
Fiz questão de estacionar o carro e beijar o asfalto.
Levei algum tempo para descobrir aonde eu havia chegado depois de tanto tempo.
Não vou nem contar, pois vocês não vão acreditar.
Só posso dizer que não foi na Mata Atlântica como dizia a Priscila aos berros num momento de descontrole dentro do carro...
Mas foi muito próximo disso.
De positivo, todo o meu respeito aos italianos que colonizaram a Serra Gaúcha no Século XIX.

Bônus:
Tem até um videozinho da Priscila roubando uva de um parreiral no meio do nada entre Caxias e Flores da Cunha.
A menina ainda me torce o pé antes de entrar no carro.



Extra Bônus:
Placa na estrada que dá acesso ao hotel.



Ainda bem que avisaram.
Estava prestes a promover uma.

27.2.09

Três jogos em um dia

Hoje tive que pesquisar um dos momentos mais gloriosos da história do Grêmio que entrou para os anais do futebol.
Foi no distante 11 de dezembro de 1994.
Com a escassez de datas para disputar o Gauchão, o Grêmio jogou três partidas no mesmo dia.
A maratona começou às 14h e terminou às 18h.
Olhando aqui nos arquivos, me deparei com um público de 247 torcedores somando os três jogos.
E, pasmem leitores, um deles era eu.

É imbecil ou não?

________________________

1º jogo – às 14h
GRÊMIO 0 x 0 AIMORÉ

GRÊMIO:
Murilo; Cristian, Luciano, Éder e Julio César; Puma, André Müller, Alexandre e Escurinho; Tefo (Juliano) e Rodrigo Gasolina.
Técnico: Zeca Rodrigues

AIMORÉ:
Rogério; Martins, Aládio, Márcio Haubert e Marquinhos; Ailton, Clóvis, Lindomar e Leco; Márcio Cruz e Anderson.
Técnico: Celso Freitas

ARBITRAGEM:
Willy Tissot com Sérgio Chagas e José Pessi.

________________________

2º jogo – às 16h
GRÊMIO 4 x 3 SANTA CRUZ

GRÊMIO:
Danrlei; Ayupe, Scheidt, Agnaldo e Arilson; Pingo, Jamir, Jé (Emerson) e Carlos Miguel; Fabinho e Jacques (Ciro).
Técnico: Zeca Rodrigues

SANTA CRUZ:
Gilmar; Edson D´ávila, Itamar, Alamir e Varta (Mauro); Carlos, Sidney, Áureo e Caio (Alceu); Paulo Roberto e Eldor.
Técnico: Tadeu Menezes

GOLS DO GRÊMIO:
Agnaldo, Carlos Miguel, Ayupe e Fabinho.

ARBITRAGEM:
Leonardo Gaciba com João Scherer e Carlos Bitencourt

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3º jogo – às 18h
GRÊMIO 1 x 0 BRASIL (PE)

GRÊMIO:
Aílton Cruz; Jairo Santos, César, Cristiano e Duda; André Vieira, Wallace, Cristiano Júnior e Carlinhos; Ciro (Juliano) e Émerson (Jacques).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

BRASIL (PE)
Cássio; Junior, Silva, Rogério e Marcelo; Marquinhos, Dido (Sassia) e Jabá; Nazarildo (Netinho) e Cléber Martins.
Técnico: Ernesto Guedes.

GOL DO GRÊMIO:
Jacques.

ARBITRAGEM:
Paulo Felipe com Paulo Igariassá e Vilson Petry

Caminhos da Colônia

Fico devendo um post sobre nosso desespero no feriado de carnaval perdidos no meio do nada nos Caminhos da Colônia entre Caxias e Flores da Cunha.
Tivemos que roubar uva dos parreirais para sobreviver.
Me cobrem.

26.2.09

La pasión de Reçús


A gente que gosta de futebol (e não me refiro às pessoas normais e sim àqueles doentes) as vezes fazemos algumas loucuras pelo nosso time.
Eu, por exemplo, antes de trabalhar no Grêmio, já viajei por todo o Estado acompanhando partidas do meu time.
Já fui ao Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu e até Medellín, na final da Libertadores de 1995.
Pra que?
O que o Grêmio me deu em troca?
Nem mesmo pagou minhas passagens ou meus ingressos.
Pra quem não entende essa paixão, não tem como explicar.
Bom, toda essa introdução foi pra contar a história do chileno Jesus Ortega (leia-se “Reçús”)..
Viajou praticamente dois dias de ônibus de Santiago para Porto Alegre apenas para acompanhar a estreia do seu time na competição.
Nada importante.
Apenas o primeiro jogo.
Conversei com ele no pátio de estacionamento do Olímpico ontem à tarde.
Estava atrás de ingressos, pois não tinha dinheiro para comprar.
Segundo ele, teve que pagar propina para os policiais corruptos da Argentina e acabou não tendo o suficiente para os bilhetes.
Tinha certeza que ele conseguiria entrar.
Pois, chegando hoje no Olímpico pela manhã, encontro Jesus comprando algumas lembranças do Grêmio num camelô.
- Es para mi niño de cinco años que está en Chile. Disse ele que conseguiu entrar no Olímpico
Falou também que apareceu um ingresso de última hora não sabe de onde.
Após o jogo, sem ter onde ficar, dormiu na calçada com alguns amigos.
Se preparava para percorrer o caminho de volta.
Como explicar esse sentimento que faz uma pessoa deixar seu país, sua família, seu filho de cinco anos, apenas por um jogo de futebol?
Isso me emociona e me deixa feliz.
Feliz por saber que existem pessoas muito mais imbecis do que eu neste mundo afora.

Destaque da semana: alguém de Aracaju que ficou 24 minutos e 25 segundos por aqui.

23.2.09

Técnicas para dar prazer à mulher


Técnica nº 1: Mãos Molhadas

Faça sua parceira sentar-se em uma cadeira confortável na cozinha. Certifique-se de que ela consegue ver muito bem tudo que você faz. Encha a pia da cozinha com água e adicione algumas gotas de detergente para louça com aroma. Segurando uma esponja macia, submirja suas mãos na água e sinta sua pele ser envolvida pelo líquido até que a esponja esteja bem molhada... Agora, movendo-se devagar e gentilmente, pegue um prato sujo do jantar, coloque-o dentro da pia e esfregue a esponja em toda a superfície do prato. Vá esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo. Enxágue o prato com água limpa e coloque-o para secar. Repita com toda a louça do jantar até que sua parceira esteja gemendo de prazer.

Técnica nº 2: Vibrando pela Sala

É um pouco mais difícil do que a primeira, mas com algum treino você vai fazer com que sua parceira grite de prazer. Cuidadosamente apanhe o aspirador de pó no lugar onde ele fica guardado. Seja gentil, demonstre a ela que você sabe o que está fazendo. Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correta. Vagarosamente vá movendo-se para frente e para trás, para frente e para trás... por todo o carpete da sala. Você saberá quando deve passar para uma nova área. Vá mudando gradativamente de lugar. Repita quantas vezes seja necessário até atingir os resultados.

Técnica nº 3: Camiseta Molhada

Este joguinho é bem fácil, embora você precise de mente rápida e reflexos certeiros. Se você for capaz de administrar corretamente a agitação e a vibração do processo, sua parceira falará de sua performance a todas as amigas dela. Você precisará apenas de duas pilhas. Uma pilha com as roupas brancas, e outra pilha com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá derramando gentilmente o sabão em pó dentro dela (para deixar a mulher ofegante, use exatamente a quantidade recomendada pelo fabricante). Agora, sensualmente, coloque as roupas brancas na máquina... uma de cada vez... devagar. Feche a tampa e ligue o "ciclo completo". Sua companheira vai ficar extasiada. Ao fim do ciclo, retire as roupas da máquina e estenda-as para secar. Repita a operação com as roupas coloridas...

Técnica nº 4: O que sobe, desce

Esta é uma técnica muito rapidinha. Para aqueles momentos em que você quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter certeza, ela não vai resistir. Ao ir ao banheiro, levante o assento do vaso. Ao terminar, baixe novamente. Faça isso todas as vezes. Ela vai precisar de atendimento médico de tanto prazer.

Técnica nº 5: Gratificação Total

Cuidado: colocar em prática esta técnica pode levar sua companheira a um tal estado de sublimação que será difícil depois acalmá-la, podendo causar riscos irreversíveis a saúde da mulher. Esta técnica leva algum tempo para o seu aperfeiçoamento. Empenhe-se com afinco. Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente surpreendê-la numa sexta-feira à noite. Funciona melhor se ela trabalha fora e chega cansada em casa. Aprenda a fazer uma refeição completa. Seja bom nisso. Quando ela chegar em casa, convença-a a tomar um banho relaxante (de preferência aromático em uma banheira de água morna que você já preparou). Enquanto ela está lá, termine o jantar que você já adiantou antes dela chegar em casa. Após ela estar relaxada pelo banho e saciada pelo jantar, execute a Técnica nº 1.

22.2.09

Progesterona

Mulher fica meio retardada depois que engravida.
Não que antes disso não seja, mas aumenta muito mais.
A Priscila diz que é uma tal de progesterona.
Diz também que volta ao normal depois que a criança nasce.
Tomara.
Mas, enquanto isso, vou me divertindo.
Dentro deste processo de retardamento, ela suplicou pra que eu comprasse um jogo de Super Trunfo.
E desejo de grávida é uma ordem.
Vai que meu filho nasce com cara de Super Trunfo.
Saí pela cidade em pleno feriado e consegui achar no supermercado.
Mesmo com o tema sobre carros, ela adorou.
Passamos a tarde jogando.
Só não ficou muito feliz depois que eu ganhei a décima partida seguida.
Faz parte.
Hoje ela me pediu pra comprar um Cubo Mágico.
Evidente que atendi o pedido.
Até porque achei interessante a ideia de voltar a brincar com um jogo da minha infância.
Passei horas mexendo no troço pra cá e pra lá.
Cara, que coisa difícil.
Não é difícil, é impossível.
Não consegui completar nenhuma cor, quem dirá o cubo todo.
To frustrado.
Deve ser excesso de progesterona.

20.2.09

Chorei

19.2.09

Entrelinhas II

Onde tudo começou.

Quem diria...

Ziriguidum

Com a chegada do carnaval, gostaria de propor um desafio:
Que alguém me explicasse qual a razão da existência desta festa?
Não é possível que pessoas aparentemente normais possam gostar de ser abraçadas por outras milhares de pessoas suadas e fedorentas.
Todas bêbadas, pulando, se esmagando, sob um som ensurdecedor, fazendo e dizendo coisas sem nexo algum.
É como se o carnaval fosse a permissão para que todos percam a noção.
Noção da realidade e do ridículo.
Claro que volta e meia rola uma penetração aqui ou ali, mas isso não justifica.
Principalmente se a penetração for em você.
Bom, ao menos que você permita.
Eu, particularmente, não curto a ideia.
Não falo mal do carnaval sem embasamento.
Muito pelo contrário.
Já participei de bloco na minha adolescência.
Mais pela agitação dos bastidores do que propriamente pela festa em si.
Essa sim era um suplício.
Ao invés de pular dentro do salão, passava o tempo no lado de fora me divertindo com as pessoas vomitando no pátio.
Muito mais do que algumas penetrações aqui e ali, tamanha liberação acaba facilitando algumas ilicitudes.
E não me refiro ao álcool, mas sim às drogas mais fortes.
Foi no carnaval que utilizei lança perfume.
A droga mais potente da qual fiz uso até hoje.
Pura curiosidade.
Pior que era divertidíssimo.
Mas sabia que poderia ser o início de um caminho sem volta.
Recordei de uma conversa que tive com um amigo que me disse;
- Márcio, não usa drogas.
- Por que? É tão ruim assim?
- Pelo contrário. É muito bom.
Sigo a risca o conselho até hoje.
Bom, mas se você leu esse texto até aqui e não vê a hora do carnaval começar, seja feliz e bom divertimento.
Beba, pule, se abrace em pessoas suadas e fedorentas, grite, vomite, libere seus orifícios pra quem você quiser.
Só não esqueça que na quarta-feira de cinzas você volta à realidade.
Aí poderá ser tarde demais.

10.2.09

Deixa a vida me levar

Hoje tomei uma decisão importante na minha vida.
Decidi abandonar meu trabalho para concretizar um sonho.
Vou viajar pela América do Sul de bicicleta até a Costa Rica.
Já comprei uma barraca do tipo iglu de fácil manuseio e uma mochila resistente.
Meu ônibus parte hoje à noite em direção a Buenos Aires onde pretendo iniciar meu roteiro.
Passo por Mendoza antes de cruzar as Cordilheiras dos Andes e pretendo estar até domingo em Santiago do Chile.
Na verdade é lá onde tudo começa.
Pego a rodovia Panamericana em Valparaiso e começo a subir o Continente.
Chegando em Arica, na fronteira com o Peru, desvio o caminho até La Paz, na Bolívia, para matar a curiosidade de conhecer os efeitos da altitude de mais de 4 mil metros.
Dali, rumo até a pequena cidade de Copacabana às margens do Titicaca.
Quero conhecer a Isla Del Sol, ilha sagrada dos Incas.
Já no Peru, Puno é a próxima parada para descansar antes de chegar a Cuzco.
A idéia é percorrer a trilha do Salkantay, um dos principais caminhos até Machu Picchu.
Lá irei realizar um sonho antigo de conhecer as ruínas da Cidade Perdida dos Incas.
Certamente ficarei vários dias.
Próxima parada será na capital Lima onde retomo a rodovia Panamericana rumo ao Equador passando pelo deserto de Sechura e Trujillo antes de chegar a Macará, na fronteira.
Do Equador sigo para Colômbia sem antes passar por Guayaquil e Quito.
Depois Pasto, Cali, Bogotá e Medellín, nesta ordem, até a fronteira com o Panamá.
Impossível de cruzar por terra, terei que optar por mar ou ar para chegar ao Panamá.
Provavelmente optarei pela segunda.
Cruzando o Canal, sigo para Costa Rica onde ficarei na casa do meu amigo Giovanny onde já estive há 19 anos.
Este é meu objetivo principal.
Ainda não decidi se continuo subindo por Nicarágua, Honduras e Guatemala ou se inicio o caminho de volta.
Isso só o tempo irá dizer.
E as minhas condições.

Esta e uma obra de ficção, qualquer semelhança com pessoas ou fatos da vida real terá sido mera coincidência.

9.2.09

...ou morte

Pri Tescaro diz:
independência ou indepêndencia?

...Márcio diz:
O que?

Pri Tescaro diz:
onde é o acento?

...Márcio diz:
Tá perguntando sério?

Pri Tescaro diz:
Claro. Me deu branco

...Márcio diz:
Independência

Pri Tescaro diz:
valeu

...Márcio diz:
Jesus

Merda

Cara.
Nunca foi tão difícil manter esse blog atualizado.
Juro que não sei o motivo.
Já passei por fases assim...
Sem nenhuma criatividade.
Mas a fase passava rápido.
Ou não tão rápido.
Mas passava...
Não que minha vida esteja monótona.
Pode ser até mesmo o contrário:
Tem tanta coisa na minha vida que falta tempo pra escrever.
Será?
Hoje entrei na minha página de estatísticas e notei uma queda vertiginosa no número de visitas.
Até interessante de se ver.
Penso no dia em que eu for um colunista diário da Zero Hora.
Ou do Estadão.
Com a obrigação de escrever todos os dias.
Vai ver que é por isso que escrevem verdadeiras merdas às vezes.
Bom, mas enquanto esta fase não passa, vou contemplando meus leitores com post como esse.
Recheado de conteúdo.
Quem sabe o trecho que uma música.
Ou um vídeo bizarro do YouTube.
Verdadeiras merdas.

7.2.09

Na faixa

Minha primeira experiência foi em Viena, na Áustria.
Coisa muito chique!
Confesso que fiquei surpreso.
Quase não acreditei.
Tive que experimentar várias vezes para ter certeza.
E era verdade.
Bastava colocar os pés na faixa de segurança que os carros paravam pra eu atravessar.
E não importava a velocidade que eles vinham.
Era só eu colocar a pontinha do pé e eles pisavam no freio.
E os motoristas nem ficavam bravos.
Tamanha civilidade no começo me constrangeu.
Cruzava a rua rapidamente pra diminuir o tempo de espera dos carros e ainda agradecia com um aceno de mão e uma balançadinha de cabeça.
Aos poucos aquilo se tornou um divertimento.
Passava o dia todo atravessando as ruas.
Nem queria ir pro outro lado, mas cruzava só pra ter a sensação do poder de dominar o tráfego local.
Tinha vezes que ia e voltava, ia e voltava, ia e voltava.
As pessoas me olhavam como se eu fosse um retardado mental.
E não deixava de ser.
Em uma outra vez fui cruzar uma grande avenida de Berlim, na Alemanha.
Quando cheguei na esquina, percebi que as pessoas estavam todas paradas.
Tanto em um lado quanto no outro.
O problema é que não vinha carro nenhum.
Nadica de automóveis no horizonte.
Olhei pra esquerda: pista livre.
Olhei pra direita: a mesma coisa.
E as pessoas ali paradas sem atravessar.
“Só pode ser uma pegadinha”, pensei comigo.
E atravessei tranquilamente.
Pra que?
Do outro lado me esperava um grupo de aproximadamente 15 pessoas olhando atravessado.
Uma senhora de mais idade gesticulava com o dedo em riste provavelmente me xingando.
Foi quando percebi que ela apontava para o semáforo vermelho para pedestres.
Não importava se vinha carro ou não: se o semáforo estava fechado, ninguém atravessava.
Foi um aprendizado.
Bom, tudo isso foi pra dizer que voltei a ter essa mesma experiência nesta semana.
E, pasmem leitores queridos, não foi na Europa.
Foi em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
Juro por Deus.
É só colocar os pés na faixa e os carros param.
Sensacional.
Claro que não fiquei indo e voltando trocentas vezes como fiz em Viena.
Mas admito que voltei a sentir aquele poder de ter o controle sobre o trânsito local.
Aliás, gostaria que todos tivessem essa sensação.
Faça isso na próxima vez que sair de casa.
Cruze a faixa sem se preocupar com os carros.
Eles vão parar.
Depois volte aqui pra contar como foi a experiência.
Ou peça pra alguém escrever pra você.
Psicografado, talvez.

3.2.09

Nota

Sim.
Estou relapso.
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