26.2.09

La pasión de Reçús


A gente que gosta de futebol (e não me refiro às pessoas normais e sim àqueles doentes) as vezes fazemos algumas loucuras pelo nosso time.
Eu, por exemplo, antes de trabalhar no Grêmio, já viajei por todo o Estado acompanhando partidas do meu time.
Já fui ao Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu e até Medellín, na final da Libertadores de 1995.
Pra que?
O que o Grêmio me deu em troca?
Nem mesmo pagou minhas passagens ou meus ingressos.
Pra quem não entende essa paixão, não tem como explicar.
Bom, toda essa introdução foi pra contar a história do chileno Jesus Ortega (leia-se “Reçús”)..
Viajou praticamente dois dias de ônibus de Santiago para Porto Alegre apenas para acompanhar a estreia do seu time na competição.
Nada importante.
Apenas o primeiro jogo.
Conversei com ele no pátio de estacionamento do Olímpico ontem à tarde.
Estava atrás de ingressos, pois não tinha dinheiro para comprar.
Segundo ele, teve que pagar propina para os policiais corruptos da Argentina e acabou não tendo o suficiente para os bilhetes.
Tinha certeza que ele conseguiria entrar.
Pois, chegando hoje no Olímpico pela manhã, encontro Jesus comprando algumas lembranças do Grêmio num camelô.
- Es para mi niño de cinco años que está en Chile. Disse ele que conseguiu entrar no Olímpico
Falou também que apareceu um ingresso de última hora não sabe de onde.
Após o jogo, sem ter onde ficar, dormiu na calçada com alguns amigos.
Se preparava para percorrer o caminho de volta.
Como explicar esse sentimento que faz uma pessoa deixar seu país, sua família, seu filho de cinco anos, apenas por um jogo de futebol?
Isso me emociona e me deixa feliz.
Feliz por saber que existem pessoas muito mais imbecis do que eu neste mundo afora.

Destaque da semana: alguém de Aracaju que ficou 24 minutos e 25 segundos por aqui.

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