19.2.09

Ziriguidum

Com a chegada do carnaval, gostaria de propor um desafio:
Que alguém me explicasse qual a razão da existência desta festa?
Não é possível que pessoas aparentemente normais possam gostar de ser abraçadas por outras milhares de pessoas suadas e fedorentas.
Todas bêbadas, pulando, se esmagando, sob um som ensurdecedor, fazendo e dizendo coisas sem nexo algum.
É como se o carnaval fosse a permissão para que todos percam a noção.
Noção da realidade e do ridículo.
Claro que volta e meia rola uma penetração aqui ou ali, mas isso não justifica.
Principalmente se a penetração for em você.
Bom, ao menos que você permita.
Eu, particularmente, não curto a ideia.
Não falo mal do carnaval sem embasamento.
Muito pelo contrário.
Já participei de bloco na minha adolescência.
Mais pela agitação dos bastidores do que propriamente pela festa em si.
Essa sim era um suplício.
Ao invés de pular dentro do salão, passava o tempo no lado de fora me divertindo com as pessoas vomitando no pátio.
Muito mais do que algumas penetrações aqui e ali, tamanha liberação acaba facilitando algumas ilicitudes.
E não me refiro ao álcool, mas sim às drogas mais fortes.
Foi no carnaval que utilizei lança perfume.
A droga mais potente da qual fiz uso até hoje.
Pura curiosidade.
Pior que era divertidíssimo.
Mas sabia que poderia ser o início de um caminho sem volta.
Recordei de uma conversa que tive com um amigo que me disse;
- Márcio, não usa drogas.
- Por que? É tão ruim assim?
- Pelo contrário. É muito bom.
Sigo a risca o conselho até hoje.
Bom, mas se você leu esse texto até aqui e não vê a hora do carnaval começar, seja feliz e bom divertimento.
Beba, pule, se abrace em pessoas suadas e fedorentas, grite, vomite, libere seus orifícios pra quem você quiser.
Só não esqueça que na quarta-feira de cinzas você volta à realidade.
Aí poderá ser tarde demais.

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